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31/10/2008 - 19h57

Bancos estatais vão financiar mais carros, acredita Anfavea

Da Reuters
Em São Paulo
Após reunião com o governo federal nesta sexta-feira (31), a indústria automotiva brasileira prevê uma maior atuação dos bancos estatais na oferta de financiamento à venda de veículos novos e usados para o consumidor final. O setor também espera que o aperto na liqüidez, provocado pela crise financeira internacional, também deve começar a ser solucionado a partir da semana que vem -- com a efetividade de medidas recentes, que alteraram os depósitos compulsórios por parte dos bancos e liberaram recursos para a economia real.

"Os bancos públicos podem liberar recursos no sentido de passarem a financiar mais ativamente esse mercado, passarem a trabalhar com bancos que já trabalham historicamente nesse mercado", afirmou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos.

O executivo esteve reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com presidentes das principais montadoras. "Alguma coisa começa a ter efeito em relação aos empréstimos compulsórios que foram liberados para a economia em geral. A gente espera que algum efeito comece a acontecer já na semana que vem", acrescentou Schneider.

Ele mencionou a atuação de instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Nossa Caixa, do governo do Estado de São Paulo. Ele afastou a possibilidade de essas instituições adquirirem as carteiras dos bancos das montadoras, preferindo destacar a ataução direta dos bancos.

Cerca de 70% do comércio de automóveis é realizado por meio de financiamento.

VENDAS RECUAM
O presidente da Anfavea afirmou ainda que as vendas de veículos tiveram uma redução em outubro, a primeira neste ano. Ele não forneceu o número fechado, mas disse que "vamos viver esta queda em outubro". Em relação às férias coletivas anunciadas pela General Motors em três unidades de produção, o executivo disse que se trata do impacto da redução das vendas externas, o que exige adequação da oferta.

A GM anunciou férias coletivas em novembro para mais de 10 mil trabalhadores nas fábricas de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS). Na tarde desta sexta, comunicou a paralisação temporária na unidade de São José dos Campos (SP).

Em outubro, até o dia 24, as vendas de automóveis e comerciais leves novos no país caíram 3,9%, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo informações de uma fonte no início da semana.

Até setembro, a indústria automotiva não sentia os efeitos da crise. Naquele mês, houve crescimento de 9,8% nas vendas internas de veículos novos em relação a agosto, e 31,7% na comparação com o mesmo mês de 2007. No ano, até setembro, as vendas têm alta de 27%, a 2,21 milhões de unidades.

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