UOL Carros

13/10/2008 - 22h17

C4 Pallas vira flex para se afirmar; autonomia com álcool agrada

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
Enviado especial a Ribeirão Preto*

Marketing: para mostrar o C4 flex, Citroën faz test-drive em região sucroalcooleira

Um ano depois do lançamento no Brasil do sedã médio francês C4 Pallas, marcado por comerciais chamativos com o galã inglês de série "24 Horas" Kiefer Sutherland ao volante, a Citroën primou pela discrição ao apresentar, nesta segunda-feira (13), a versão flex do modelo. Houve um um test-drive para a imprensa especializada partindo de São Paulo com destino à cidade de Ribeirão Preto, importante centro produtor e consumidor de etanol, a pouco mais de 300 km de distância.

Mas quem olhasse o carro nesse deslocamento não diria se tratar de uma versão diferente daquela movida apenas a gasolina: somente um pequeno emblema com o termo "flex" abaixo da vigia da porta traseira direita, um adesivo com a inscrição "álcool/gasolina" no interior da tampa do reservatório de combustível e novamente a palavra "flex" na cobertura do motor marcam a diferença entre uma e outra.

Com cerca de 20 mil unidades do C4 Pallas vendidas desde o lançamento -- de janeiro a setembro deste ano foram 14.166 unidades, ou 8,9% do total do segmento dos sedãs médios, segundo a Fenabrave --, a Citroën admitiu estar perdendo negócios e espaço nesse concorrido segmento por não dispor de uma versão com motor bicombustível. Observando a concorrência, os "veteranos" Honda Civic, Toyota Corolla, Chevrolet Vectra e Renault Mégane já oferecem esta opção ao consumidor. E, no último mês, a Fiat lançou seu Linea com opção flex 1.9 e disposição para ganhar terreno.

Fotos: divulgação


ATENÇÃO AOS DETALHES
A manchinha amarela na capa do motor, na foto do alto, é uma das poucas indicações visíveis de que o motor 2.0 desse C4 é flexível; por dentro, foi mantido o volante de miolo fixo e a modernidade digital do painel duplo
Com essa briga acirrada, explica-se a manutenção da faixa de preços do C4 Pallas flex em relação aos dotados de motores a gasolina. Já a discrição do lançamento pode ser entendida tanto como uma forma de não desvalorizar a motorização anterior, como um truque para manter o padrão "classudo" (portanto, sem arroubos) que o mercado brasileiro atribuiu ao modelo.

PROJETO FLEX
O desenvolvimento da versão flex do motor EW10A de 2.0 litros e 16 válvulas do C4 Pallas ficou a cargo da equipe brasileira do setor de engenharia de motores para o Mercosul da Citroën, bem como de técnicos da empresa de sistemas automotivos Magneti Marelli. De acordo com a montadora, a fase de acerto do projeto incluiu mais de 300 mil quilômetros de testes e culminou com a entrega de duas versões do pacote bicombustível -- uma para o Brasil, outra para o mercado europeu.

Falando do brasileiro, e tendo como ponto de partida o projeto do C4 Pallas original (só a gasolina), pode-se listar como principais alterações: a mudança do mapeamento da central de gerenciamento eletrônico do motor e a programação do câmbio seqüencial; o reforço do cabeçote de válvulas e do coletor de admissão (para permitir partidas a frio); o recalibramento da bomba de combustível; a utilização de novos pistões, bielas fraturadas, bomba de óleo e de água; etc.

Com a variação mecânica para receber tanto gasolina quanto álcool (com mistura em qualquer quantidade ou 100% de qualquer um dos dois dos combustíveis), a potência do C4 Pallas flex foi mantida em 143 cv quando abastecido com gasolina, chegando aos 151 cv com álcool. Nas duas situações, o torque máximo surge aos 4.000 giros, variando de 20,4 kgfm (gasolina) a 21,6 kgfm (álcool), segundo dados de fábrica.

E algo que não está na lista de avanços mecânicos, mas que é tratado como evolução pela Citroën, é a implementação do setor de vendas diretas (atacado) com a chegada da versão flex do C4 Pallas. O veículo será oferecido a autarquias, seções diplomáticas e frotas executivas de grandes empresas -- supõe-se que com maior chance de aceitação, agora que é bicombustível.

PREÇOS
O Citroën C4 Pallas flex chega às lojas com dois tipos de acabamento e, primeiramente, apenas com o câmbio automático de quatro velocidades, hoje responsável por 72% do total das vendas do modelo. Os preços são de R$ 69.495 para a GLX e R$ 74.995 para a Exclusive -- os mesmos dos carros apenas a gasolina. Nas duas versões, rodas de liga-leve aro 16, freios a disco nas quatro rodas com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), airbag frontal para motorista e passageiro, CD com MP3, computador de bordo e controlador de velocidade são itens de série.

Pintura metálica perolizada (R$ 925), airbags laterais e de cortina (R$ 1.210) e pacote tech (os itens anteriores, faróis de xenônio direcionais e mais airbags laterais dianteiros e tipo cortina, alarme, sistema estabilizador e de assistência de frenagem de emergência, além de regulagem elétrica para o banco do motorista em altura, profundidade e deslocamento) são opcionais. Como atrativo extra, a Citroën promete ainda manter seu tradicional sistema de manutenção com preço fixo, com preços de revisão que variam de R$ 295 para os 10.000 km até R$ 575, na revisão dos 60.000 km.



IMPRESSÕES AO DIRIGIR
UOL Carros participou do teste até Ribeirão Preto dirigindo um C4 Pallas 2.0 16V Exclusive em sua versão mais recheada, com câmbio automático, pintura metalizada e pacote tech de opcionais. Nada mudou nos quesitos estéticos e de conforto em relação à versão original, de 2007. Ainda chamam a atenção o visual ousado do modelo, com seus faróis e lanternas assimétricos e avançando pela carroceria.

Internamente, o destaque segue sendo o miolo fixo do volante, que agrupa os comandos das principais funções do carro, do computador de bordo e do sistema de som, bem como o painel de instrumentos digital, de grande porte, posicionado sobre o console central, mantendo apenas conta-giros e indicador de marchas à frente dos olhos do condutor, onde ficariam todos os mostradores habitualmente.

  • Veja ficha técnica do C4 Pallas flex

    Da mesma forma, algumas pendências verificadas no original seguem como desfalque para a versão flex. Não há opção de regulagem elétrica para o banco do passageiro dianteiro, que tem de se contentar com uma única alavanca que comanda apenas o encosto do assento. Da mesma forma, falta um porta-objetos adicional (além dos tradicionais e bem-vindos porta-trecos sob as saídas de ar laterais e do console central) sob o apoio central de braço. Na tentativa de conferir se havia alguma novidade ali, tentamos levantar o apoio, e sua cobertura se descolou da base -- denunciando um problema de acabamento e revelando uma placa de aço e traços de cola.

    Essa ligeira má impressão ficou para trás, no entanto, ao pisarmos no acelerador. A potência extra garantida pelo uso de álcool como combustível proporcionou maior dinamismo ao carro, oferecendo boas respostas em retomadas, acelerações e ultrapassagens -- algo que deve ser levado em conta ao se considerar o desempenho médio de modelos com câmbio automático.

    Mesmo em seqüências de aclives, situação freqüente no trajeto percorrido em direção ao interior do Estado, o conjunto câmbio/motor se manteve disposto: com o curso do acelerador ainda longe de seu final, o carro encarou com força as subidas, mostrando fôlego para mais. No plano e nas retas, isso se mostrou como um convite para pisar mais fundo -- o que só não fizemos por respeito às normas do trânsito.

    INDO LONGE COM UM TANQUE
    E a autonomia, item fundamental num veículo flex quando roda com álcool, também surpreendeu. Abastecido com 49 litros do combustível de cana (a capacidade total do tanque é de 60 litros) na saída de São Paulo, o C4 Pallas Flex se mostrou comedido no consumo. Embora a média não seja informada diretamente pela Citroën, pudemos verificar por meio do computador de bordo marcas entre 7,9 km/l e 8,5 km/l, dependendo do tráfego encontrado e da pressão sobre o acelerador -- razoáveis para um carro deste porte.

    Com isso, o computador, que indicava um provável autonomia de 310 km na saída da capital paulista (suficiente para chegar a Ribeirão "no osso"), terminou a viagem apontando a possibilidade de rodar mais 145 km, com pouco menos de um quarto do tanque ainda disponível. Assim, teoricamente, seria possível realizar uma viagem entre São Paulo e Rio com apenas um tanque abastecido com álcool. Claro, o consumo varia bastante e é afetado por condições de estrada e tráfego -- cai drasticamente dentro de perímetros urbanos, com menor velocidade e mais trocas de marchas, por exemplo. De qualquer forma, os números obtidos servem como boa referência para a proposta de um sedã médio bicombustível.

    *Viagem e teste a convite da Citroën do Brasil
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