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12/10/2008 - 14h14

Série 1 com seis cilindros oferece desempenho instigante e requinte típico da BMW

Da AutoPress
Especial para o UOL

As chamadas marcas premium se estabeleceram no cenário automobilístico mundial com sedãs grandes e luxuosos. Mas perceberam que, para ampliar a gama de compradores, precisavam buscar segmentos que fossem além do universo dos três volumes, invariavelmente sóbrios. Nesta lógica, a BMW lançou o Série 1 em 2004. Uma proposta jovem para a marca bávara rivalizar com Audi e Mercedes-Benz, que já se aventuravam com modelos compactos como o A3 e o Classe A. Só que a BMW optou por dar um tratamento ainda mais esportivo à sua "linha de entrada" com a versão 130i.
 

Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícia

Série 1 tem tudo o que se espera de um BMW, mas em pacote hatch e com pegada esportiva


O apelo do motor é mais que convincente. Trata-se de um seis cilindros com 3.0 litros. O resultado desta equação são 265 cv de potência a 6.650 rpm e 32,1 kgfm de torque máximo despejados nas rodas traseiras do hatch em 2.750 rotações. O propulsor do 130i conta com controle variável de válvulas e trabalha com uma transmissão automática de seis velocidades com opção de trocas seqüenciais através de borboletas atrás do volante -- há também uma versão com câmbio manual de seis marchas.
 

BAIXINHO INVOCADO
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
VEJA MAIS IMAGENS DO 130i

O visual do 130i também busca apelo mais jovial. Na frente, os faróis em forma de folha com contornos irregulares separam a tradicional grade bipartida da BMW. O capô rebaixado e prolongado em conjunto com o vidro dianteiro inclinado reforçam o arrojo do modelo. Os pára-lamas dianteiros e traseiros têm traços bem definidos e se interligam através de uma saliência na carroceria que percorre toda a parte inferior das laterais. Um vinco na altura das maçanetas e a linha de cintura em cunha provocam uma percepção de movimento.

 

ACELERADAS
- O Série 1 foi lançado mundialmente em 2004, enquanto a versão 130i surgiu no Salão de Genebra de 2005.
- No Brasil, o hatch compacto da BMW desembarcou pela primeira vez em 2005.
- Por aqui, o modelo também é vendido na versão 120i, automática e manual, com motor 2.0 de 156 cv. Há também a configuração Cabriolet, também na versão 120.
- No ano passado, a BMW lançou a versão cupê do Série 1.
- No acumulado do ano, o Série 1 soma 588 unidades vendidas no mercado brasileiro. Destas, 467 foram do 120i e 121 do 130i.
- A BMW lançou no Salão de Paris o X1, utilitário esportivo desenvolvido em cima da plataforma do Série 1.

O caimento acentuado da traseira revela toda a vontade do Série 1 de ser um cupê. A traseira chapada tem desenho mais geométrico, com uma concavidade generosa na tampa do porta-malas. As lanternas verticais ostentam traços irregulares que invadem as laterais. O aerofólio superior com o brake-light embutido, a ponteira de escapamento dupla e cromada e a moldura preta na parte inferior da traseira reforçam a proposta mais arrojada do hatch.

BEM RECHEADO
Na lista de equipamentos, porém, a BMW manteve a tradição de modelos bem equipados e que fazem jus a um "brinquedinho" que custa R$ 206 mil. Na parte de segurança, airbags frontais, laterais e do tipo cortina na frente atrás, freios com ABS, EBD, assistente de emergência e controle de frenagem em curvas, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, bloqueio eletrônico do diferencial, espelho retrovisor eletrocrômico, sensor de obstáculos traseiro e faróis bi-xênon autodirecionais.

No conforto, previsíveis ar-condicionado automático, direção hidráulica adaptativa, trio elétrico, controle de cruzeiro, bancos dianteiros elétricos, revestimento em couro, rádio/CD player com disqueteira e entrada MP3. O 130i automático conta também com teto-solar, sensores de chuva e de luminosidade e sistema de informações da marca, chamado de iDrive, que em uma tela no console central reúne informações do computador de bordo, navegação, sistema de som hi-fi, climatização do ar e telefonia via Bluetooth.

O modelo avaliado ainda conta com o pacote M, divisão esportiva da BMW especializada em "preparar" e envenenar os carros da marca. Volante e bancos dianteiros têm desenho esportivo. A suspensão traseira é por braços múltiplos e o eixo dianteiro todo em alumínio -- no pacote M, a suspensão tem uma calibragem mais rígida. Tudo para estimular justamente o principal charme do Série 1: a esportividade.
 

FICHA TÉCNICA
BMW 130i automático
Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 2.996 cm³, com seis cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando de válvulas variável. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto seqüencial.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração traseira. Controle eletrônico de tração.
Potência: 265 cv a 6.650 rpm.
Torque: 32,1 kgfm a 2.750 rpm.
Diâmetro e curso: 85,0 mm x 88,0 mm.
Taxa de compressão: 10,7:1.
Suspensão:
Dianteira: Independente, com braços longitudinais e transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Traseira: Braços múltiplos, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros e traseiros a discos ventilados. ABS, EBD, assistente de frenagem de emergência e controle de frenagem em curvas.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com duas portas e cinco lugares. Medidas: 4,23 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,42 m de altura e 2,66 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e do tipo cortina.
Peso: 1.400 kg.
Porta-malas: 330 litros/1.150 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque: 53 litros.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
A vontade mais esportiva do BMW 130i fica evidente logo ao dar as primeiras aceleradas no hatch alemão. Basta pisar um pouco mais forte no pedal direito que o corpo do motorista é sutilmente jogado para trás. Resultado dos 265 cv despejados nas rodas traseiras do dois volumes de luxo. As arrancadas são intensas e sair da inércia para alcançar 100 km/h consumiu apenas 6,3 segundos. Na hora de encarar ladeiras ou fazer ultrapassagens, a performance também é exemplar. O 60 km/h a 100 km/h em "Drive" foi feito em 6,1 segundos.

O que é fruto da boa relação entre a caixa automática e os 32,1 kgfm de torque disponíveis antes mesmo dos 3 mil giros. O motor enche rápido para fazer as retomadas, beneficiado pela transmissão de seis velocidades que poupa o desempenho do carro dos incômodos delays e indecisões sobre qual marcha engatar. Mas o 130i ainda oferece uma diversão extra: o paddle shift, ou as borboletas atrás do volante que imitam os carros de corrida e permitem trocas seqüenciais das marchas sem tirar as mãos da direção.

Com isso, é possível ter uma maior autonomia sobre o carro, principalmente em trechos de serra, reduzindo as marchas de forma mais ágil conforme a necessidade. Ainda na serra, com muitas curvas, o modelo se portou de forma exemplar. A carroceria bem trabalhada torce o mínimo, e mesmo ao entrar de forma mais agressiva, o hatch não faz qualquer menção de adernar. Fruto de uma compilação de dispositivos eletrônicos de segurança que incluem controles de estabilidade, de tração e de frenagem em curvas, além dos "tradicionais" ABS, EBD e break assistance.

Na hora de frear, mais uma prova da boa estabilidade do modelo. Mesmo ao brecar de forma brusca, a suspensão bem acertada, independente na frente e com braços múltiplos atrás, evitam que o carro embique, ou seja, levante em demasia a traseira. A mesma suspensão, porém, privilegia a esportividade e, com isso, se mostra rígida demais para os padrões esburacados das ruas brasileiras. Em trechos irregulares, os amortecedores do 130i "batem" bastante e quem sofre são os ocupantes, principalmente os de trás, com os quiques dentro do habitáculo.

O conforto também é prejudicado pelo limitado espaço para pernas no assento traseiro e pelos acessos ao veículo. Mas o BMW Série 1, ainda mais na configuração duas portas testada, está longe de ser um modelo para família. Quem quiser acessos generosos e mais conforto, tem opções mais baratas -- e menos divertidas.
(por Fernando Miragaya)
 

DE ZERO A 100 PONTOS, O BMW 130i AUTOMÁTICO
Desempenho - Os 265 cv se apresentam de forma nervosa no BMW 130i automático. As respostas às investidas no pedal do acelerador são quase que imediatas. O motor de seis cilindros enche rápido e o resultado são arrancadas instigantes e retomadas mais que eficientes. Nas subidas, a performance é igualmente exemplar e o compacto não titubeia, graças ao bom entrosamento do propulsor com o câmbio automático de seis velocidades. Não há delays nem incômodos buracos nas passagens de marchas. A performance ainda é otimizada ao se optar pelas mudanças seqüenciais no paddle shift, onde se pode ter maior controle sobre o carro na serra e retomadas mais ágeis. Nota 9.
Estabilidade - As medidas enxutas do Série 1 e a boa rigidez torcional do modelo, aliados aos controles de estabilidade e de tração, conferem um comportamento dinâmico quase impecável ao hatch. A carroceria torce o mínimo nas curvas mais acentuadas e, ao se abusar da velocidade em algum trecho, é possível perceber os dispositivos eletrônicos corrigindo o abuso do condutor. Nas freadas bruscas, a suspensão trabalha de forma eficaz e o carro não embica. Além disso, os assistentes de frenagem ABS, EBD e de emergência ajudam a segurar o 130i. E a comunicação entre rodas e volante se mostra precisa mesmo em velocidades acima de 200 km/h. Nota 9.
Interatividade - Ajustes elétricos dos bancos com memórias são confortos que auxiliam em um melhor entrosamento do motorista com o carro. A posição de dirigir é facilmente encontrada e o condutor tem ao alcance da mão as principais funções. A tela do iDrive, posicionada ao centro do painel, porém, não oferece uma visualização imediata. Mas, pelo menos, o botão de comando do sistema que reúne múltiplas informações do veículo é ergonomicamente bem posicionado na base central do console central do Série 1. A manobrabilidade é prejudicada pelos engates da transmissão automática, bastante dura, e pela visibilidade, afetada pelas largas colunas centrais e traseiras. Como consolo, o modelo dispõe de sensor de obstáculos traseiro. Nota 8.
Consumo - Para um motor seis cilindros, com 265 cv e transmissão automática, a média de 7,1 km/l em uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada até se mostra razoável. Nota 7.
Conforto - É um hatch duas portas com predileção para uma condução esportiva. Ou seja, o espaço interno fica em segundo plano. Na frente os ocupantes até têm um bom vão para pernas e cabeças, mas atrás esse espaço é sacrificado e apenas dois adultos normais conseguem viajar no assento traseiro sem muitos apertos. A suspensão mais rígida também entrega a conta nas buraqueiras das grandes cidades. As irregularidades não são filtradas e os sacolejos no habitáculo são inevitáveis. O isolamento acústico, pelo menos, é eficiente mesmo com o motor trabalhando acima dos 4 mil giros. Nota 7.
Tecnologia - É um projeto de 2004, com um eficiente e moderno conjunto mecânico. O motor seis cilindros proporciona uma performance instigante e o Série 1 ainda conta com eixo dianteiro em alumínio e suspensão traseira em braços múltiplos. O modelo também oferece a moderna transmissão automática de seis velocidades e uma recheada relação de itens de segurança e de conforto. Nota 9.
Habitabilidade - Não é um carro voltado para a família. Por isso, o porta-malas de 330 litros atende às propostas do 130i. Os acessos aos bancos traseiros são dificultados pela inexistência de duas portas a mais. A oferta de porta-objetos é boa e a iluminação interna, bastante eficiente. Nota 7.
Acabamento - Apesar de ser um hatch compacto, trata-se de um veículo de uma marca premium. Por esta razão, tem a obrigação de reservar uma atenção especial ao habitáculo. Os materiais empregados aparentam qualidade e são agradáveis tanto aos olhos quanto ao toque. Fechamentos e encaixes beiram a perfeição. Nota 9.
Design - Os faróis angulosos e com desenho irregular mostram que o Série 1 é mesmo um BMW. O hatch ainda tem um estilo que reforça sua esportividade, o que pode ser conferido na linha de cintura em cunha, no capô rebaixado e alongado e no caimento da terceira coluna. Nota 8.
Custo/benefício - O 130i automático custa R$ 206 mil e vem bem fornido de itens de conforto e de segurança, além de oferecer um motor seis cilindros de 265 cv. O Audi A3 2.0 TFSI Sportback com motor turbo de 200 cv custa R$ 145.500, mas tem equipamentos a menos. O mesmo ocorre com o Volvo C30 T5, com propulsor cinco cilindros de 230 cv. Nota 7.
Total - O BMW 130i automático somou 80 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 8.

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