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09/10/2008 - 13h03

Crise abala vendas de importados, que caem 10,58% em setembro

Da Redação
As vendas de carros das marcas que pertecem à Associação Brasilera das Importadoras de Veículos Automotores, a Abeiva, fecharam o mês de setembro com retração de 10,58% nos emplacamentos. Trata-se de um reflexo direto da crise financeiro-econômica mundial, detonada em meio à segunda quinzena do mês passado. Em números absolutos, foram vendidas 3.549 unidades em setembro, contra 3.969 em agosto. Fazem parte da Abeiva, em ordem alfabética, BMW, Chana, Chrysler, CN Auto, Dodge, Effa Motors, Ferrari, Jeep, Kia Motors (dona de quase 71% das vendas), Maserati, Pagani, Porsche, SsangYong e Suzuki.

A previsão total de vendas de importados da Abeiva para este ano, no entanto, segue sendo de 32 mil unidades. A entrada de marcas como Suzuki e a chinesa CN Auto devem colaborar com esse desempenho. Para 2009, em princípio está mantida a previsão de 36 mil carros.

O clima entre as afiliadas à Abeiva é de apreensão especialmente com o câmbio entre real e dólar e real e euro. Há algumas semanas, as marcas trabalhavam com uma taxa de R$ 1,70 para cada dólar. Nos dois últimos dias, esse valor disparou para R$ 2,30. Outro problema é a retenção do crédito ao consumidor -- cerca de 60% dos carros importados são adquiridos por meio de leasing, com prazo médio de 36 meses. "A crise veio sem aviso e pegou todo mundo no contrapé. Sabíamos que havia alguns ossos enterrados na economia dos Estados Unidos, mas não esperávamos isso", disse o vice-presidente da Abeiva e presidente da Porsche no Brasil, Marcel Visconde.

Um eventual aumento de preços está no horizonte, mas, segundo Visconde, essa é uma decisão de cada marca, e não será tomada em conjunto. "Quem tem estoque está vendendo, mas os negócios [com o exterior] estão parados", acrescentou. O temor é a repetição do cenário registrado entre 2000 e 2001, o qual refletiu a quebradeira mundial do final de 1999, que provocou uma disparada no câmbio: a queda foi de 63.455 unidades para 17.086 (ou seja, de 77 pontos percentuais).

A intensidade da crise levou a Abeiva a repetir, nesta quinta-feira (9), durante a apresentação dos resultados à imprensa, a sua principal reivindicação junto ao governo: a isonomia tarifária com os carros importados do México, os quais não pagam imposto -- já a taxa assumida das marcas da Abeiva é de 35%. Uma redução a zero diminuiria o preço final dos carros importados em cerca de 7%, de acordo com estudo da associação.

As marcas associadas à Abeiva respondem hoje por 1,12% do mercado nacional de veículos -- o dado refere-se ao ano de 2008, ajustado até setembro. No mês passado as vendas da Abeiva representaram 1,39%, ante 1,5% em agosto. O alento para a associação é que, no acumulado do ano, os números ainda são extraordinários: foram 24.980 carros comercializados até o final de setembro, ante 7.549 no mesmo período de 2007. Um aumento de 230,9%.

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