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29/09/2008 - 20h40

Centenário do Ford T marca revolução da indústria automobilística

Da Redação
Os feitos do Ford T são fáceis de numerar. Vigésimo modelo a ser criado pela indústria do norte-americano Henry Ford (vale lembrar que nem todos os 19 carros anteriores ganharam as ruas), o T inaugurou os conceitos modernos de produção automotiva. Conceitos que continuam válidos até os dias atuais, como a produção em série e a personalização de elementos para atender perfis variados de clientes, e que fizeram a fama do automóvel, que completa 100 anos em 2008.

Mais complicado, porém, é determinar a data exata em que sua criação pode ser celebrada. Muitos consideram o dia 27 de setembro, por ter sido esta a data em que o primeiro modelo para venda ficou pronto, no ano de 1908. A outra possibilidade é o dia 1º de outubro, quatro dias depois, quando este primeiro T comercial finalmente deixou a fábrica de Piquette Avenue, em Detroit, para ganhar as ruas. Na dúvida, em 2008, os amantes do Ford T pelo mundo resolveram festejar o centenário desde julho, nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

O 'Ford bigode', como ficou conhecido no Brasil por conta da posição das alavancas de comando atrás do volante, quebrou paradigmas, lançou novos conceitos e ganhou a confiança do consumidor. Ao ser lançado em 1908, custava o equivalente a US$ 17 mil dólares dos dias atuais e tinha desempenho espetacular para a época: com um motor 2.9 e pesando 590 kg, alcançava os 55 km/h de velocidade máxima, embora seu motor tivesse apenas 17 cv de potência.

HENRY FORD E SEU MODELO T
Ford/Divulgação/AFP
O FORD T EM IMAGENS
Cinco anos depois, em 1913, foi com a linha de produção do T que Henry Ford introduziu as bases da indústria automobilística, ao iniciar a fabricação em série, que diminuía o tempo de montagem ao dispor as diferentes etapas da montagem de um automóvel em uma seqüência lógica dentro da planta. Se, antes, um modelo levava até doze horas para ficar pronto, com a produção em massa este tempo caiu para uma hora e meia. O processo permitiu ainda a redução de custos e do preço do automóvel, permitindo sua popularização.

O jornalista José Luiz Vieira conta em seu "A História do Automóvel" (Editora Alaúde, 2008), cujo Volume 1 se encerra justamente com a história do lançamento do Ford T, que ao mesmo tempo em que o modelo era o responsável pela padronização da produção, também tinha predicados suficientes para atrair o consumidor mais diverso, contando para isso o fato de ser "de altíssima confiabilidade, fácil de dirigir, de fabricação viável, e com preço acessível".

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    Os números servem para mostrar isto. Em 1917, todas as fábricas de automóveis dos EUA, excetuando a Ford, tinham juntas quase 70 mil operários e produziram cerca de 280.000 unidades. Na fábrica de Henry Ford, 13 mil funcionários produziram 310.000 unidades. Desnecessário dizer que todas adotaram o padrão que passou a ser denominado "fordismo".

    Ao todo, em quase 19 anos de produção, de 1908 e 1927, o modelo vendeu cerca de 15 milhões de unidades, para os mais diversos perfis de usuários: cupês, sedãs, roadsters e até adaptações utilitárias, como picapes, ônibus e furgões.

    Assim, se a data exata de comemoração é variada, o certo é que o modelo fez por merecer seu lugar de honra na história. Em 1999, em uma banca internacional composta por 133 especialistas do setor automotivo, o Ford T desbancou 700 automóveis e foi escolhido "O carro do século 20".

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