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17/09/2008 - 17h08

Fiat Linea começa em R$ 60.900 e traz motores 1.9 e 1.4 turbo

CLÁUDIO DE SOUZA
e EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
Da Redação
Atualizada às 21h23

A Fiat apresentou nesta quarta-feira (17), em São Paulo (SP), o modelo brasileiro do sedã Linea, projeto mundial da montadora lançado em 2007 na Europa. Parente do hatch médio Punto, o carro é vendido em países como Alemanha, Espanha, Portugal e Turquia. No Brasil, será fabricado em Betim (MG) com pequenas alterações de estilo, tecnologia e acabamento baseadas em pesquisas feitas pela Fiat com os consumidores locais. Em termos técnicos, a grande novidade do Linea são as duas opções de motor, o inédito 1.9 16V bicombustível de 132 cavalos (com álcool) e o T-Jet 1.4, baseado no propulsor Fire, mas com turbocompressor e potência elevada a 152 cavalos.

O Linea também trouxe uma surpresa, essa em termos de mercado: a Fiat resolveu situar praticamente toda a gama do carro na faixa de preço de R$ 60 mil a R$ 70 mil. É menos ampla que a de rivais como Toyota Corolla e Honda Civic, mas mesmo assim tem um ponto de partida mais alto do que o esperado -- acreditava-se numa versão de entrada por um valor entre R$ 55 mil e R$ 60 mil. Ficou assim a tabela de preços sugeridos para o modelo:

Linea 1.9 16V flex - R$ 60.900
Linea 1.9 16V flex Dualogic - R$ 63.900
Linea 1.9 16V flex Absolute - R$ 68.640
Linea T-Jet 1.4 turbo a gasolina - R$ 78.900


Foto: Divulgação

Sedã Linea lançado no Brasil tem quatro versões de acabamento e mira Corolla e Civic; a versão mais cara com o motor 1.9 é a da foto, a Absolute, que tem amplo pacote de equipamentos de série


A estratégia da Fiat para sua volta ao segmento de sedãs médios, um dos mais quentes do mercado (31% de crescimento em 2007) e onde ela não tinha um produto desde a descontinuação do Marea, é oferecer um carro capaz de impactar em quatro aspectos: design, conteúdo (equipamentos e tecnologia), performance e pós-venda. A soma desses elementos, supostamente proporcionados em melhor nível pelo Linea, seria capaz de se contrapor às qualidades dos sedãs "veteranos" e "confiáveis" -- como Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra -- e também às dos "novatos" e "ousados" -- modelos como o Citroën C4 Pallas e o Nissan Sentra.

ÁLBUM DE FOTOS
Divulgação
MAIS IMAGENS DO LINEA
Começando pelo design: o Linea é mais que um Punto em carroceria três-volumes, mas tem muita coisa em comum com o hatch. As principais diferenças estão no conjunto óptico e na grade frontal, maiores no sedã. Já a linha de cintura fortemente ascendente e os retrovisores reforçam o parentesco (a Fiat diz que apenas as portas dianteiras e o pára-brisa vêm do Punto). De gosto discutível são alguns frisos externos cromados, os quais, a nosso ver, em vez de sofisticar o carro passam justamente a impressão contrária: a de serem uma tentativa artificial de "upgrade". No Siena até fazem sentido, mas no Linea...

Até a terceira coluna, o desenho do novo sedã agrada bastante, conseguindo passar uma certa impressão de arrojo. Só que a traseira é contida, e não chega a empolgar -- é um resultado conservador, de efeito semelhante ao obtido pelo novo Ford Focus sedã.


Embora o motor 1.9 seja inédito no Brasil, é o motor 1.4 turbinado da versão T-Jet que promete injetar sangue jovem no novo sedã da Fiat, com velocidade máxima declarada de 203 km/h


EQUIPAMENTOS
O recheio das versões do Linea é bem interessante. A básica, 1.9 16V com câmbio manual, já vem com ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, rodas em liga-leve aro 15 e pneus 195/65, airbag duplo, freios com ABS (antitravamento), faróis de neblina, volante revestido em couro com comandos do som, retrovisores com controle elétrico, banco do motorista com regulagem de altura, apoio de braço dianteiro central etc.

O conteúdo de série do Linea 1.9 16V Dualogic é exatamente o mesmo, com o acréscimo de piloto automático e, claro, da caixa de transmissão automatizada Dualogic de cinco velocidades, com opção de trocas manuais.

  • Veja a lísta completa de equipamentos

    A versão top com o motor 1.9 16V, a Absolute, que também emprega de série o câmbio Dualogic, acrescenta aos itens das demais o sistema de conectividade Blue&Me, mais ar-condicionado automático digital, interior em couro (cinza ou bege) e rodas de liga aro 16 com pneus 205/55. Já a T-Jet, que só tem câmbio manual, repete o pacote da Absolute, com exceção do interior em couro, que é opcional. Mas tem, de série, rodas de liga maiores, de aro 17 e com pneus de perfil ainda mais baixo (205/50) -- além de sensores crepuscular e de chuva e do retrovisor interno eletrocrômico.

    Todas as versões têm como opcionais os airbags laterais e de cortina e os apoios de cabeça antichicote, bem como o sistema de navegação por satélite Blue&Me NAV, com informações de direção em tela (mas não com mapas) e por voz.

    DADOS TÉCNICOS: FIAT LINEA
    MOTOR: 1.9, quatro cilindros em linha, 16 válvulas; ou 1.4, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, turbocompressor
    TRANSMISSÃO: Manual de cinco velocidades, ou automatizada (Dualogic) de cinco velocidades, com opção de trocas manuais
    DIMENSÕES: 4,56 m (comprimento) x 1,73 m (largura) x 1,5 m (altura); 2,6 m (entre-eixos)
    FICHA OFICIAL LINEA 1.9
    FICHA OFICIAL LINEA T-JET
    SOB O CAPÔ, AS NOVIDADES
    A motorização do Linea é o terceiro grande apelo ao consumidor de sedãs. No caso do motor 1.9, inédito por aqui, há algumas inovações técnicas -- como o 5º bico injetor de combustível e os ajustes nas saias dos pistões --, mas a potência gerada pelo propulsor, de 130/132 cavalos (gasolina/álcool), é menor que a dos principais concorrentes, e o torque de 18,1/18,6 kgfm nada tem de excepcional. A velocidade máxima declarada é de 186 km/h (gasolina; com álcool, vai a 188 km/h). Quem sabe haja alguma graça especial em dizer que o carro possui motor com capacidade ímpar, num mercado onde quase todos são pares (1.6, 1.8, 2.0)...

    Já o propulsor 1.4 que equipa a versão T-Jet é bem mais interessante, embora seja baseado num motor conhecido, o Fire 1.4 que move outros modelos da Fiat. Com o acréscimo do turbo (com pressão de 1 bar), oferece 152 cavalos de potência (dado típico de motores acima de 2 litros) e um eloqüente torque de 21,1 kgfm, disponível na extensa faixa de 2.250 rpm a 4.500 rpm. Segundo a Fiat, a velocidade máxima do Linea T-Jet é de 203 km/h, e o carro seria capaz de ir da imobilidade aos 100 km/h em apenas 8,5 segundos. São números fortes, que prometem uma pegada esportiva e jovial a essa versão do Linea.

    Sempre de acordo com dados da Fiat, o consumo médio do motor 1.9 é de 8,1/11,5 km/l (álcool/gasolina) na cidade e 10,7/15,3 km/l (a/g) na estrada. Já o propulsor turbo, que só bebe gasolina, rodaria 11,96 km/l na cidade e 15,91 km/l na estrada.

    COM O CARRO EM CASA
    Por fim, o quarto e último argumento pró-Linea é o pós-venda. Este inclui um esquema especial de assistência ao proprietário, batizado de Clube l'Unico, que promete coisas como call-center exclusivo para donos do modelo, especialistas em Linea em todas as concessionárias, serviço de leva-e-traz para revisões e promoções culturais exclusivas. Também há a garantia de três anos sem limite de quilometragem e o espaçamento das revisões, a serem feitas a cada 15 mil km.

    Para se ter uma idéia de como a Fiat aposta alto no Linea, a festa de lançamento do carro, na noite desta quarta, em São Paulo, para a imprensa e convidados VIP, contaria com o show de Roberto Carlos e Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim e aos 50 anos da bossa nova.

    UOL Carros participa na manhã desta quinta-feira (18) do test-drive do Linea, e em seguida publica suas impressões do modelo.

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