UOL Carros
 
16/09/2008 - 22h40

'Traduzida', picape Nissan Frontier mostra-se fluente em todas as situações

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Florianópolis (SC)

A Nissan tratou de 'traduzir' sua Frontier, que desde novembro de 2007 vinha sendo importada da Tailândia, com o objetivo de dialogar melhor com o consumidor brasileiro de picapes grandes e médias e melhorar as vendas do modelo, conforme noticiado na segunda-feira (15). Se o assunto é estética, a nacionalização da produção do modelo, feita com manutenção de 75% dos componentes, traços e características do modelo asiático, pode soar tímida ou até mesmo ultrapassada. Porém, quando se fala especificamente em conforto e dirigibilidade, o discurso passa a fazer sentido, uma vez que a Frontier 2009 mantém o bom desempenho tanto em situações urbanas, quanto em trechos off-road.
 

Foto: Eugênio Augusto Brito/UOL

Nacionalizada, Frontier manteve versatilidade para todos os terrenos do modelo tailandês


Nesta terça-feira (16), UOL Carros testou duas variações da Frontier topo de gama, a LE, uma delas equipada com transmissão automática de cinco marchas com overdrive e pacote completo de opcionais (Luxury Pack), enquanto a outra contava com câmbio manual de seis velocidades, mas não trazia opcionais. O roteiro montado incluiu três tipos de circuitos instalados na região da praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis (SC), que, embora curtos, representam bem as situações que podem ser encaradas pelo proprietário de uma picape deste porte: trechos urbanos, terreno alagado e arenoso e encosta de morro.

E a Frontier demonstrou fluência em todos os terrenos, com a versatilidade representada pelo bom conjunto de suspensão -- na dianteira, independente com braços triangulares duplos, mola helicoidal e barra estabilizadora; na traseira, eixo rígido com feixes de mola --, enorme torque de 41,1 kgfm disponível logo aos 2.000 giros, tanto para retomadas em estrada, quanto para encarar trechos arenosos e subidas íngremes, e a eficiência do câmbio, seja manual ou automático, com escalonamento adequado para a maior parte das situações.
 

Foto: Eugênio Augusto Brito/UOL

FICHA TÉCNICA E DE EQUIPAMENTOS DA FRONTIER

QUALIDADES MANTIDAS
No contato inicial, percebe-se que a Frontier mantém-se atrativa para quem procura um modelo de desenho robusto e que, ao menos na aparência, dará conta de tarefas mais brutas. Seu estilo mais 'quadrado', de ângulos retos nas extremidades, pára-choques salientes, pára-lamas rígidos atrás das rodas e detalhes cromados ao longo da carroceria, como a imponente grade dianteira em V, reforçam esta impressão.

Internamente, o amplo espaço e a variedade de mimos, principalmente com a instalação do pacote de opcionais, levam a crer que o veículo tratará bem seu ocupante quando este estiver rodando pela cidade -- estão lá, acabamento em couro para bancos, apoio de braço do console central e volante, o bom posicionamento dos controles elétricos e trunfos como retrovisor eletrocrômico, que inclui uma bússola digital que 'fala' inglês, e controle de velocidade de cruzeiro (Cruise Control) com acionamento por meio de três teclas no raio direito do volante.

Ao dar-se a partida e encarar o trajeto urbano a bordo da unidade equipada com câmbio automático, a opinião que prevalece é a do conforto proporcionado pelo conjunto dos equipamentos -- direção hidráulica, comandos elétricos, ar-condicionado, sistemas de auxílio ao freio ABS (anti-travamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem) --, que aliados ao sistema de som para até seis CDs, com entrada auxiliar, fazem a diferença para quem vai usar um veículo de 5,23 m de comprimento no trânsito caótico das grandes cidades.
 

DETALHES DA VERSÃO TOP
Divulgação
VEJA MAIS IMAGENS DA FRONTIER

Embora erguendo um pouco a traseira em situações de frenagem extremada, o modelo mostrou-se ágil e leve em conversões e mudanças de faixa, equilibrada e silenciosa ao se deparar com imperfeições do asfalto e estável em curvas.

Em um traçado mais escorregadio, realizado à beira-mar, bastou girar o comando de acionamento da tração e escolher a 4x4 (com direito a indicação eletrônica no painel) para voltar a ter controle total da ação do veículo. Em seguida, antes de atravessar atoleiros formados por areia e água, foi necessário parar o veículo e acionar a tração 4x4 reduzida para, utilizando a segunda marcha, poder enfrentar sem medo o obstáculo. No final, pode-se dizer que a aventura se mostrou tão simples quanto encarar um pequeno declive de paralelepípedos com carro de passeio.

Mais tarde, mesmo com a simplicidade do discurso indo embora na subida de uma encosta de morro, tração e bom ângulo de inclinação máxima em rampa (39º) se mostraram eficientes para ajudar a domar o terreno pedregoso e adverso. Fica apenas o alerta, feito pela própria Nissan, da troca dos pneus originais, da Bridgestone, caso o comprador seja adepto do uso 'trilheiro' do veículo. Por serem extremamente macios e adequados a ruas e avenidas, os modelos de fábrica terão pior rendimento e desgaste acelerado neste tipo de situação.

E ainda para motoristas que gostam de mais ação, fica a recomendação da versão com câmbio manual de seis velocidades. Embora um certo 'engasgo' tenha sido notado no engate de algumas marchas -- foi mais complicado achar a posição da terceira e da distante marcha à ré, bem à direita -- o equipamento permite explorar ao limite toda a disposição do motor turbo diesel eletrônico de 2.488 cm³, 16 válvulas e 172 cavalos de potência.

Viagem a convite da Nissan do Brasil

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