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12/09/2008 - 17h25

Jetta convence pelo estilo e pela força do motor

Claudio de Souza
Do UOL, em São Paulo (SP)

Este texto começou a ser escrito alguns minutos após a Volkswagen anunciar que o sedã derivado do novo Gol vai se chamar Voyage, como o carro dos anos 1980. Com o novo modelo, a montadora quer disputar espaço num segmento do qual está ausente desde o fim do Voyage original: o dos três-volumes pequenos, hoje dominado pelos Chevrolet Prisma e Classic e pelo Fiat Siena.

No entanto, em termos de sedã a Volks também vai mal das rodas no segmento dos médios, onde possui dois modelos, ambos ruins de loja e importados do México (onde têm os nomes invertidos): o Bora, derivado do Golf, e o Jetta, maior e mais caro, que UOL Carros acaba de testar. Neste ano, até o final de agosto foram emplacados 2.963 Jetta e 1.848 Bora em todo o Brasil. Mesmo Nissan Sentra e Peugeot 307 vendem mais que eles; o líder Honda Civic já emplaca 14 vezes mais unidades que o Jetta.
 

Murilo Góes/UOL

De linhas massudas, o Jetta agrada pela dianteira agressiva e fica bem com as rodas de 17"


No caso deste, o problema pode ser o preço. Como motor a gasolina 2.5 de cinco cilindros, 20 válvulas (uma configuração pouco usual no mercado brasileiro), agora capaz de entregar convincentes 170 cavalos, o Jetta que sai hoje das lojas custa em torno de R$ 90 mil. Se completo, pode ir a quase R$ 105 mil -- como a unidade que testamos. Nessa diferença de R$ 15 mil, o principal item é o teto solar, mas os bancos de couro (com aquecimento), as rodas de aro 17" e os faróis de xênon também são opcionais. Entre os sedãs médios, o Jetta já começa um pouco mais caro que a versão top do Corolla, a SE-G. E supera de longe o Ford Fusion.
 

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MOTOR E EQUIPAMENTOS
O propulsor de 2,5 litros do Jetta, um de seus diferenciais, é também o principal fator de encarecimento, já que o imposto é mais alto para os motores acima de dois litros -- Civic e Corolla, por exemplo, usam motor 1.8. O nível de equipamentos do Jetta "básico" é bom, mas não justificaria um preço tão elevado. Entre outros itens de conforto, o carro traz de série dez alto-falantes, apoio lombar dianteiro, ar-condicionado dualzone, retrovisores externos rebatíveis e aquecíveis, sistema de som duplo DIN, volante multifuncional, piloto automático e rodas de liga aro 16; no quesito segurança, oferece seis airbags, controle eletrônico de estabilidade (ESP), freios com sistema antitravamento (ABS), bloqueio eletrônico do diferencial (EDS) e controle de tração (ASR).

Irrita um pouco, no entanto, notar que o preço de R$ 90 mil não inclui sensor de estacionamento (custa menos de R$ 700 num Polo), retrovisor interno fotocrômico (nem como opcional) e, citamos uma vez mais, bancos de couro. No nicho que o Jetta ocupa, deveriam ser itens de série.

Antes de dar a partida no Jetta, uma olhada no seu exterior: é um carro bonito. A grade em U da Volks, sublinhada pelo acabamento cromado, é complementada por um conjunto óptico grande, distante da atual tendência da marca alemã de "ondular" os faróis de seus carros (como os do novo Gol). O efeito é bem agressivo. Já as linhas laterais são ascedentes e limpas, com um único vinco perto da soleira. Na traseira alta (que garante um excelente porta-malas de 538 litros), o Jetta tem elementos redondos nas lanternas e um escape com dois canos.
 

FICHA TÉCNICA
Motor
2,5 litros (2.480 cm³), cinco cilindros em linha, 20 válvulas, a gasolina; potência de 170 cv a 5.000 rpm
Câmbio
Transmissão automática Tiptronic de seis velocidades, com opção de trocas seqüenciais
Velocidade máxima
205 km/h
0 a 100 km/h
8,9 segundos
Porta-malas
538 litros
Dimensões
1,459 m (altura); 1,78 m (largura); 2,575 m (entre-eixos); 4,55 m (comprimento)
Peso
1.431 kg
Pneus
205/55 R16 (de série)
Tanque
55 litros

RODAS NA ESTRADA
Rodando com o Jetta, comprovamos a eficácia do propulsor de 2,5 litros, cujos 170 cavalos surgem aos 5.000 giros. A aceleração ocorre de forma natural e ágil, e nas retomadas a sensação foi de confiança. A Volks declara máxima de 205 km/h; numa faixa entre 120 km/h e 130 km/h, o carro deixa claro que tem apetite para muito mais. A ressalva: durante um longo trecho de estrada, o Jetta oscilou lateralmente com alguma insistência -- a ponto de aliviarmos o pé no acelerador. Pode ter sido alguma ação específica do vento, mas incomodou enquanto durou.

O entrosamento do câmbio Tiptronic de seis velocidades com o motor é bem razoável. Foram raros os momentos de susto com a marcha selecionada pela transmissão -- por exemplo, aquela reduzida desnecessária que faz o motor "gritar". E a disponibilidade de troca manual é sempre bem-vinda num carro de motor relativamente grande. De resto, o Jetta se mostrou bom de curva, só escorregando (e saindo mais de lado que de traseira) em situações de abuso. No geral, o carro entrega um comportamento mais ousado que o dos colegas de segmento.

Já a suspensão tem um acerto mais esportivo -- o que, se ajuda a grudar o Jetta no chão, acaba resultando também em alguma pancadaria para os ocupantes quando o terreno não é amigável, situação agravada pelos pneus de perfil baixo calçando rodas de 17 polegadas (opcionais). Quanto ao consumo, o Jetta entregou uma média bem fraquinha, de 7,5 km/l, rodando 50% em estrada e 50% na cidade (foram, ao todo, 695 km de test-drive).

A conclusão é que a dirigibilidade e o estilo são os pontos altos do Volkswagen Jetta, diferenciando-o da massa dos sedãs médios por uma certa jovialidade nas linhas e na performance do trem de força. Pelo preço, pode acabar sendo acessível apenas a "tiozões" que já ganharam algum dinheiro na vida. Mas esses são os "tiozões" que gostam de dirigir.

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