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09/09/2008 - 18h24

No novo A4, tecnologia é mais interessante que o luxo

Claudio de Souza
Do UOL, em São Paulo (SP)

Ao longo dessa semana a Audi lança no Brasil a oitava geração do sedã médio A4, que chega com motores 3.2 de 269 cavalos e 2.0 turbo de 183 cv e 214 cv. Por alguma razão, a marca decidiu que nesta terça-feira (9) mostraria apenas o carro com motor maior, e que os de propulsor 2 litros, que devem responder por mais de 70% das vendas do modelo, ficariam "em segredo" até quinta-feira (11), dia em que começam os festejos de 15 anos de Audi no Brasil. O A4 com o motorzão V6 começa em R$ 229 mil e pode chegar a R$ 290 mil; os preços dos demais não foram revelados.

A linhagem do atual A4 começa em 1972, com o então Audi 80; o nome mudou em 1994. O auge do modelo no Brasil deu-se em 2005, quando foi responsável por 22% das vendas de carros de luxo dentro do chamado segmento B (de porte médio). Mas o sedã chega a 2008 com esse número minguado para apenas 6%. Para virar o jogo, a Audi quer emplacar 670 unidades do sedã por ano -- parece pouco, mas de janeiro até o final de agosto foram vendidos apenas 137 A4 em todo o país.
 

ÁLBUM DE FOTOS
Divulgação
MAIS IMAGENS DO A4

A oitava geração do A4 é construída sobre uma nova plataforma, a Volkswagen B8, compartilhada com o SUV Audi Q5. O carro ficou maior que o antecessor, mas o principal aumento nas medidas, o do entreeixos, foi obtido com o novo posicionamento do diferencial, agora à frente da embreagem, o que permitiu o deslocamento do eixo dianteiro para a frente. O ganho foi de 16 cm, colaborando no impressionante entreeixos de 2,81 metros, sobre um comprimento total de 4,7 metros. Outro dado curioso foi a redução de 5,34 cm na altura do porta-malas, devido à busca de uma curva do teto e do 3º volume que lembrasse um cupê -- mas a capacidade de bagagem, diz a Audi, aumentou em 20 litros, para 480.

Além da tentativa de emular um cupê, algo que sedãs como Honda Civic e Nissan Sentra já fazem, nos três casos com resultados discutíveis, o design do novo A4 tem como principal marca o conjunto óptico dianteiro sublinhado por uma fileira de 14 LEDs, detalhe já conhecido por aqui no superesportivo R8 e que, segundo a Audi, vai se tornar a assinatura visual da marca. A enorme grade negra da dianteira, a entrada de ar sob o pára-choque e a disposição dos faróis de neblina, além da posição relativamente baixa da carroceria, garantem um ar esportivo ao sedã, bastante adequado para enfrentar a Série 3 da BMW e, principalmente, a Classe C da Mercedes-Benz.

MOTORIZAÇÃO E TECNOLOGIA
O A4 com motor 3.2 V6 entrega 269 cavalos de potência e um alto torque de 33,65 kgfm, disponível a 3.500 rpm. Como de praxe nos carros alemães dessa estirpe, a velocidade máxima é limitada eletronicamente, a 250 km/h. O propulsor bebe somente gasolina e, segundo a Audi, é capaz de fazer o A4 rodar 10,7 km/l (no caso, com gasolina européia), média 10% melhor que a da geração anterior. As emissões de CO2 (dióxido de carbono), um dos gases causadores do efeito estufa, chegam a 219 gramas por quilômetro rodado. A União Européia considera como ideal 120 g/km ou menos. Gerenciando o motor, há um câmbio automático Tiptronic de seis velocidades seqüencial, com opção de trocas manuais na alavanca ou em aletas atrás do volante.

Em termos técnicos, o que o Audi A4 traz de mais interessante é o sistema Drive Selection (ADS), que faz o ajuste eletrônico dos parâmetros de direção/assistência, amortecedores, acelerador e transmissão, modificando a "tocada" do carro. São três modos: Comfort (para dirigir suavemente), Dynamic (esportivo) e Automatic (grosso modo, um meio-termo dos anteriores). Custa R$ 16 mil e vem conjugado às rodas de aro 18 (nos carros sem o ADS o aro é de 17 polegadas).

A tração integral quattro, que atua nos dois eixos com uma divisão de torque padrão de 40% no dianteiro e 60% no traseiro, é de série, assim como um punhado de equipamentos de segurança, como airbags (seis), ESP e EBD (controles de estabilidade e distribuição de frenagem), entre outros. Também é de série o Infotainment System (AIS), que centraliza o gerenciamento de algumas funções de entretenimento e condução do carro numa tela LCD de 6,5 polegadas -- como, por exemplo, o sistema de auxílio ao estacionamento, que gera gráficos nesse display (e que é opcional).
 



FAZ CURVA QUE É UMA BELEZA
tração quattro, que age nos dois eixos e pode bloquear o diferencial, garante a estabilidade do A4


IMPRESSÕES AO DIRIGIR
UOL Carros participou de um test-drive do novo Audi A4, de cerca de 100 km/h em trânsito urbano, em estrada de pista dupla e em pistas únicas sinuosas, um itinerário sob medida para aproveitar a tração quattro e os ajustes do ADS.

Embora no Brasil a Audi seja uma marca premium, e seus modelos considerados "de luxo", a cabine do A4 não chega a impressionar. Ela é funcional e tem acabamento de bom gosto (emborrachado, em couro e com detalhes em metal), mas com um aspecto geral mais jovial do que sofisticado. Em nossa opinião, isso não é um problema, é um estilo -- até porque o A4 nem tenta disfarçar sua busca de esportividade, a começar pela tentativa de assemelhar-se a um cupê... A posição de dirigir é excelente, garantida pelo múltiplo ajustamento do banco dianteiro e pela regulagem do volante. O generoso entreeixos oferece espaço bom para cinco pessoas (mas é ideal para quatro).
 

FICHA TÉCNICA E EQUIPAMENTOS
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Motor V6 do Audi A4 entrega 269 cv
DADOS TÉCNICOS OFICIAIS
ITENS DE SÉRIE E OPCIONAIS

Rodando, o A4 entrega o que se espera de um carro V6 com quase 270 cavalos e um respeitável torque acima dos 33 kgfm. Segundo a Audi, ele vai de 0 a 100 km/h em apenas 6,4 segundos -- mas dá a nítida impressão de que é capaz de baixar essa marca. A receita é simples: o propulsor V6 entrega força, o aço mais leve usado na carroceria entrega (relativa) leveza -- e a notável tração quattro está lá para segurar o carro no traçado.

Testamos exaustivamente o sistema ADS, alternando principalmente entre os modos Confort e Dynamic. A diferença é muito nítida. No primeiro, os parâmetros são ajustados para maior suavidade ao guiar: a suspensão fica mais macia, e o volante, bem mais leve e mais solto. O câmbio Tiptronic faz as trocas em giros médios e opera com seis velocidades. É a configuração ideal para a cidade e para os mais "tiozões".

Já no modo Dynamic (que normalmente se chamaria "Sport"), a suspensão e a direção enrijecem, o que deixa o A4 bem mais "na mão" quando se trata de fazer curvas complicadas e de experimentar velocidades mais elevadas. O câmbio reage ao novo ajuste fazendo menos trocas e liberando os giros mais altos, além de cortar o overdrive e trabalhar somente até a quinta marcha. Outra vez, o motorista não tem a menor dúvida de que o sistema realmente funciona.

Enfim, nos parece claro que a essência do novo Audi A4 é oferecer a experiência de dirigir um carro repleto de tecnologias criadas para amplificar o prazer, a diversão e a segurança do motorista. É em grande parte por isso que, com o ADS, o carro custa R$ 245 mil. Não tem nada a ver com o eventual luxo do modelo.

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