UOL Carros
 
05/09/2008 - 00h12

Ford vê Focus sedã superando o hatch, que hoje vende o dobro

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial à Argentina
Atualizada às 8h34

A Ford acredita numa inversão das vendas do Focus com o lançamento do novo modelo, que acontece nesta sexta-feira (5) em Bariloche, Argentina, país em que o carro é fabricado. Atualmente, o Focus hatch vende o dobro do sedã. Em 2008, até o final de agosto foram emplacados 8.764 e 4.399 carros, respectivamente (dados da Fenabrave, associação dos distribuidores). A montadora imagina uma reviravolta: aposta que o novo sedã -- que chega às lojas em outubro -- vai vender mais que o novo hatch, talvez por larga margem.

A marca norte-americana, além de comemorar a rapidez do lançamento do novo Focus no Brasil e América Latina (apenas alguns meses depois da Europa) e a implantação de um projeto global produzido em nove fábricas com diferenças apenas pontuais, quer crescer no segmento mais efervescente do mercado automotivo brasileiro: o dos sedãs médios.

Para isso, conta com alguns trunfos -- todos eles, acredita, reunidos no novo três-volumes: design renovado e modernidade do projeto, bom pacote de equipamentos de série, câmbio automático seqüencial (com opção de trocas manuais). Mas nada disso adiantaria sem um preço interessante. A proposta é o consumidor comparar o novo Focus Ghia (topo da gama, por R$ 74.890) com os rivais mais fortes, Honda Civic e Toyota Corolla, todos com transmissão automática.

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    Se encarar respectivamente as versões top EXS e a SE-G dos japoneses, o Focus Ghia custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil a menos. Se confrontar as intermediárias LXS e XEi, sempre com câmbio automático, o carro da Ford fica cerca de R$ 2.000 mais caro. Outra opção é a versão GLX automática do Focus, que custa R$ 64.190. É uma aposta firme na crescente predileção do brasileiro pela aposentadoria da embreagem.

    MOTOR ABSTÊMIO
    Cabe lembrar que, por ora, os novos Focus virão apenas com o motor Duratec 2.0 16V de 145 cavalos a gasolina. A opção flex fica para depois, talvez daqui um ano, e provavelmente com capacidade de 1,6 litro. A Ford acredita que o consumidor de carros médios não vai se importar com a questão do combustível, já que o consumo médio com álcool nesse segmento é alto, invalidando eventuais ganhos do consumidor.

    O Focus atual, que logo será chamado de "velho" ou "antigo", vai continuar no mercado. Segue com motor 1.6 flexível e mantém as versões GL e GLX. É um caso semelhante ao das gamas de Volkswagen Gol e Fiat Palio, Siena e Strada, em que convivem a geração presente e a anterior. A conseqüência disso é clara: apesar de, pelo tamanho, posicionar-se entre os hatches médios (onde é apenas o 6º mais vendido, apanhando de Fiat Punto até Chevrolet Vectra GT), o Focus "velho", pelo preço e nível de equipamentos, vai tentar morder mercado de compactos premium como Citroën C3 e Volkswagen Polo, que hoje custam mais caro que o veículo da Ford. O Focus sedã "velho" será vendido para frotistas.

    Trocando em miúdos: o novo Focus 2.0 sedã entra em guerra com os três-volumes médios; o novo Focus 2.0 hatch (que chega como quem não quer nada) briga com os mais potentes entre os dois-volumes médios; e o "velho" Focus 1.6 hatch encara carros menores, mas de preço semelhante e boas vendas. De um desempenho sonolento em dois fronts (hoje o Focus sedã vende menos que o Nissan Sentra), a Ford quer passar ao bombardeio em três.

    O test-drive do novo Focus acontece nesta sexta-feira (5), com cobertura completa de UOL Carros, que traz suas impressões ao dirigir e fotos do modelo.

    Viagem a convite da Ford

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