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04/09/2008 - 14h45

Greve em montadoras prossegue no Sul, e ABC pode parar também

Da Reuters
As fábricas de veículos da Volkswagen e da Renault e Nissan no Paraná continuam paradas pelo quarto dia consecutivo depois que metalúrgicos rejeitaram nova proposta salarial feita pelas empresas na noite de quarta-feira (3). No ABC paulista, trabalhadores decidiram cruzar os braços nos turnos extras de finais de semana enquanto a negociação salarial prosseguir.

A paralisação no Sul, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, afeta cerca de 9 mil trabalhadores -- 4,5 mil da Volkswagen e o restante da Renault e Nissan -- e causou a perda de produção total de 6,6 mil veículos.

As montadoras não comentam o assunto, mas realizam nesta quinta-feira (4) reunião com a categoria que pode decidir, em assembléias na sexta-feira se continua ou não de braços cruzados. Os metalúrgicos do Paraná exigem reajuste de cerca de 13% (7,6% de reposição da inflação mais 5% de reajuste real) e abono de R$ 1,5 mil.

A proposta das montadoras discutida na noite de quarta-feira foi de 10% de aumento (2,5% de reajuste real mais a inflação acumulada nos últimos 12 meses) e o abono de R$ 1,5 mil. O problema para os metalúrgicos do Paraná é que a oferta das empresas foi do índice de reajuste ser aplicado a partir de novembro, no caso da Volkswagen, e dezembro (Renault). Os trabalhadores exigem que o aumento seja aplicado já a partir deste mês, data-base da categoria.

ABC PARADO
Na região do ABC paulista, grande pólo produtor de veículos do país, trabalhadores decidiram nesta quinta-feira (4) que não haverá atividade nas montadoras de São Bernardo do Campo nos turnos extras de sábado e domingo, enquanto houver negociação salarial. Entre as empresas afetadas estão Volkswagen, Ford e Scania.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, as montadoras se reúnem com representantes dos trabalhadores nesta tarde e no sábado assembléias decidirão se a categoria pára a partir da segunda-feira, dependendo da proposta das empresas. O sindicato não divulga detalhes de sua reivindicação perante as montadoras, mas afirma que o índice de reajuste exigido é de "pelo menos dois dígitos". A última proposta feita pelas montadoras foi de 1,25% de aumento real mais inflação.

"Os trabalhadores têm esperança de chegar a um acordo, ninguém gosta de greve, mas não podemos abrir mão do nosso quinhão nesse bom momento que as empresas estão vivendo", disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

No interior de São Paulo, quatro montadoras (General Motors, Honda, Toyota e Mercedes-Benz) ficaram paradas na quarta-feira, em greve de 24 horas decidida em protesto contra proposta das empresas. Na região, os metalúrgicos querem reajuste de 18,83% (composto de aumento real mais inflação) além de garantia de gatilho salarial toda a vez que a inflação atingir 3%.

VENDAS RECUAM EM AGOSTO
A discussão salarial ocorre em um momento em que as vendas de veículos mostram sinais de desaceleração. A associação que representa as montadoras instaladas no país, Anfavea, informou nesta quinta que as vendas em agosto caíram 15,1% em relação a agosto, tendo subido apenas 4% ante mesmo mês do ano passado.

  • Veja também os números da Fenabrave

    O presidente da entidade, Jackson Schneider, afirmou que a indústria está "absolutamente aberta" ao diálogo com os trabalhadores, mas que negocia pensando no longo prazo. Segundo o dirigente, "vamos chegar a um ponto em comum, mas visando garantir a competitividade da indústria".

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