UOL Carros
 
31/08/2008 - 09h00

C3 mantém mimos e muda sutilmente para fisgar público masculino

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em São Paulo (SP)

O que fazer para atualizar um carro que, em cinco anos de mercado, vendeu 100 mil unidades (mesmo sem ser das quatro grandes montadoras) e tem aprovação de 96% de seus compradores? Como resposta, a francesa Citroën decidiu mexer pouco em seu hatch compacto C3, lançado no Brasil em 2003 e que teve sua primeira reestilização no começo de agosto. A linha 2009 está chegando às lojas com a frente levemente alterada e preços antigos. O grosso das mudanças está no pacote de itens de conforto, que ficou mais completo. A mais esperada delas, no entanto, só chega em setembro, para reforçar as versões com motor 1,6 litro: é o câmbio automático seqüencial manual de quatro marchas, igual ao que equipa a linha Peugeot 207.

UOL Carros testou, por pouco mais de duas semanas, um C3 na versão 1.4 Flex Exclusive (a mais equipada). A princípio, foi preciso olhar o carro de perto e com atenção para notar que a grade frontal está mais larga e "separada" do restante da carroceria; que passou a ser preta em todas as versões, contrastando com a cor do veículo; e que ganhou moldura cromada e o símbolo da montadora em tamanho maior. O novo desenho aumentou a harmonia do conjunto, e leva à inevitável conclusão: o C3 já deveria ser assim antes. Logo abaixo, as entradas de ar foram realçadas, assim como o conjunto dos faróis de neblina.
 

Fotos: Murilo Góes/UOL

Após cinco anos de Brasil e 100 mil unidades no mercado, C3 mudou pouco e para ficar mais robusto


Completando uma volta em torno do C3, nota-se o novo desenho das calotas integrais, que recobrem a -- também nova -- roda de aro 15. Atrás, a única mudança para esta versão está no escapamento com ponteira cromada, de aspecto mais encorpado e esportivo. Esses pequenos implementos estéticos deixaram o C3 com aparência mais robusta, e devem servir para contrariar o senso comum de que este é um modelo feito para mulheres -- a Citroën, porém, não confirma nem a fama feminina do modelo, nem a vontade de alterá-la.
 

AUTOMAIS: C3 FAZ PRIMEIRA PLÁSTICA PARA AGRADAR TAMBÉM AOS HOMENS

Quem for até uma concessionária Citroën encontrará a mesma tabela de preços para o C3, fruto da acirrada disputa dentro do segmento de compactos "premium" (mais equipados de série), liderado pelo Fiat Punto e que conta ainda com opções como Volkswagen Polo e Renault Sandero. O C3 parte de R$ 39.900 (1.4 flex GLX) e chega R$ 48.980 (1.6 16V flex XTR, sua versão "aventureira"). A versão 1.4 flex Exclusive, testada nesta avaliação, pode ser encontrada por R$ 42.490.

BOM DE PACOTE
Outras novidades do C3 2009 estão ligadas ao conforto dos ocupantes. Um novo pacote de tecnologia (Pack Clim Auto, não presente na versão testada) inclui controle digital para o ar-condicionado, além do acionamento automático dos faróis em ambientes escuros e dos limpadores de pára-brisa com as primeiras gotas d'água. O hatch segue trazendo, de série, painel com mostradores digitais, airbags frontais para motorista e passageiros e direção com assistência elétrica.

Bancos e centro das portas ganham novas opção de tecido, mas na versão Exclusive o acabamento aveludado acumula poeira e rapidamente ganha aspecto de sujo (bancos em couro são acessórios). Na porta, a maçaneta cromada confere status, mas a estética do conjunto é quebrada pelo pegador e, no painel, por saídas de ar em plástico pintado imitando metal. O volante tem regulagem de profundidade e altura; atrás dele há uma alavanca que alterna as funções do computador de bordo e controla o rádio/CD player. Este possui entrada frontal para até seis CDs -- mas segue sem conexão para tocadores digitais de MP3.
 

PRESTE ATENÇÃO AOS DETALHES
Murilo Góes/UOL
VEJA MAIS IMAGENS DO C3

A alavanca de câmbio ganhou acabamento em aço escovado no pomo e na base, o que aumenta a sensação masculinizada de esportividade, mas gera um pequeno desconforto em dias ou locais de temperaturas muito quentes ou frias. E a comentada fragilidade do acabamento do C3 surgiu durante o teste: a grade do alto-falante da porta esquerda se soltou. Foi preciso usar a famosa "batidinha" para recolocá-la no lugar. O mesmo ocorreu com parte do painel plástico que fica abaixo do volante, imediatamente acima dos joelhos do motorista.

Uma falha que poderia ter sido corrigida, mas que persistiu, é a posição do controle dos vidros traseiros, que continuam entre os bancos dianteiros, atrás da alavanca do freio de estacionamento. Estão ali para atender a quem vai à frente e atrás, mas um carro premium poderia ter mais controles disponíveis para isso.
 

PREÇOS E VERSÕES DO C3
Linha C3 mantém preço antigo
1.4i Flex GLX - R$ 39.990
1.4i Flex Exclusive - R$ 42.990
1.4i Flex XTR - 44.290
1.6i 16V Flex GLX - 43.490
1.6i 16V Flex Exclusive -
R$ 45.990
1.6i 16V Flex XTR - R$ 43.490
FICHA TÉCNICA DO C3

RODANDO COM O C3
A novidade após ligar o motor e conduzir o novo C3 pelas ruas e estradas está no ajuste da suspensão. Ela foi recalibrada e está mais próxima da realidade de nossas pistas. Menos macia e barulhenta, responde melhor às imperfeições do terreno e traz maior estabilidade e segurança em curvas e manobras. Mesmo assim, o C3 ainda trepida um pouco em ondulações e lombadas. Já o nível de ruídos que chega ao habitáculo é baixo, o que mostra qualidade no isolamento acústico do motor.

O desempenho do C3, porém, é controverso. O propulsor 1.4 de quatro cilindros, oito válvulas, bicombustível, capaz de gerar 80/82 cavalos de potência (gasolina/álcool a 5.250 rpm) e torque máximo de 12,5 kgfm (a 3.250 rpm) sofre em retomadas e situações de baixa rotação. O sucesso ao subir ladeiras, freqüentes em cidades como São Paulo, depende muito de um fator: chegar a elas embalado. Do contrário, é praticamente obrigatório reduzir para segunda marcha. Em ultrapassagens, muitas vezes é preciso fazer o motor "esgoelar-se".

Ou seja, se você gosta do C3 e preza agilidade, a versão com motor 1.6, com potência bem maior (110/113 cv), pode ser uma opção mais interessante.

O nível de consumo de combustível se mostrou um pouco alto no começo, registrando 5,5 km/l nos primeiros dias do teste, mas chegando a uma média de 9,5 km/l em seu final (rodamos 60% na cidade, 40% em estrada, com álcool). Deve-se levar em conta que o motor da unidade testada ainda não estava amaciado (o que ocorre após os 3.000 km, segundo o manual do proprietário). Até lá, o carro é esperadamente mais beberrão. Outro problema aparece na hora de estacionar o C3 ou de manobrá-lo em espaços apertados. O diâmetro de giro é muito grande e o esterçamento fica limitado, e acaba sendo necessário fazer um esforço a mais em balizas.

De toda forma, o C3 não decepciona em sua vocação urbana. Compacto, aproveita bem o espaço cada vez mais restrito do tráfego pesado de nossos dias. E, como parte do conceito "premium", dá ao motorista uma posição mais elevada para dirigir e o presenteia com mimos de série que podem fazem a diferença em percursos forçadamente longos e estressantes.

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