UOL Carros
 
20/08/2008 - 16h23

Entenda a eletrônica que aumenta segurança de carros e muda até o jeito de dirigirmos

Da Auto Press

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias

Os automóveis modernos alteraram a lógica tradicional de que o homem controla o carro. Dependendo do grau de sofisticação, hoje em dia quem se mantém firme na pista são os próprios veículos. Cada vez mais comuns e numerosos, os recursos eletrônicos -- como os controles de estabilidade e de tração -- explicitam a evolução da indústria automobilística. Inspirados em soluções criadas para carros de competição, tais sistemas atuam de forma independente nos veículos, através de sensores que monitoram o comportamento de freios, rodas, pneus, suspensão, motor e carroceria. Em milésimos de segundos, essas unidades de comando entram em ação modificando, por exemplo, o ajuste da suspensão ou a distribuição da força despejada pelo motor em cada uma das quatro rodas. Tudo para aumentar o conforto, a segurança e a precisão das manobras.

VEJA O FUNCIONAMENTO DO DPC

ABC...
São diversos os nomes dados a esses sistemas, sempre representados por siglas que se proliferaram nos últimos dez anos. As mais "populares" são ABS (Anti-lock Brake System), sistema antitravamento dos freios; EBD (Electronic Brake Force Distribution) de distribuidor de força de frenagem; TCS (Traction Control System), o mesmo que sistema de controle de tração; e ESP (Electronic Stability Program), programa eletrônico de estabilidade. Esses são os quatro sistemas mais instalados em automóveis e utilitários.

"A unidade eletrônica monitora e entende o que está acontecendo com o veículo. E, de acordo com o que registra, o sistema toma o controle do condutor e atua nos freios, no câmbio, na direção ou no motor", explica Evandro Maciel, diretor do comitê de veículos de passeio da SAE Brasil.

Mas há muitos outros recursos. Entre eles, os sofisticados ARM (Active Roll Mitigation), controle ativo de rolagem, e ACC (Active Cruise Control) ou controle de cruzeiro ativo. Este último ainda incluí o HDC (Hill Descent Control), controle automático de descidas, e o Colision Warming ou advertência contra colisões -- por meio de sensores instalados atrás da grade frontal, o sistema monitora a aproximação em relação a um veículo ou obstáculo à frente, dispara um alarme e prepara o sistema de freios para uma parada de emergência.

"O recurso faz uma pré-aproximação das pastilhas que vão atuar nos discos e o pré-tensionamento do pedal do freio para reduzir o intervalo de tempo da frenagem", detalha Leandro Oliveira, assessor técnico da Volvo.

Divulgação 
Recursos eletrônicos permitem que o motorista mantenha o controle do veículo em situações extremas

COMO TUDO FUNCIONA
O ABS é o recurso eletrônico mais conhecido pelos brasileiros e o mais usado no mundo. Seu princípio é bastante simples. Quatro sensores medem a velocidade de cada roda e enviam as informações à unidade de comando. Então, durante uma frenagem repentina e intensa a uma velocidade igual ou superior a 60 km/h, quando normalmente as rodas tendem a travar e o carro derrapa, o recurso faz com que o sistema aumente e reduza continuamente a pressão dos freios, possibilitando ao condutor realizar uma manobra de emergência.

PRINCIPAIS SIGLAS
ABS: Anti-lock Brake System, sistema antitravamento dos freios.
ACC: Active Cruise Control, controle de cruzeiro ativo.
ARM: Active Roll Mitigation, controle ativo de rolagem.
BAS: Brake Assist System, assistência à frenagem.
CBC: Cornering Brake Control, controle de frenagem em curvas.
Colision Warming: sistema de monitoramento de aproximação e advertência contra colisões.
DPC: Dynamic Performance Control, Dynamic Drive e Dynamic Response, sistemas que compensa a inclinação da carroceria em curvas.
EBD: Electronic Brake Force Distribution, distribuidor de força de frenagem.
ESP: Electronic Stability Program, programa eletrônico de estabilidade.
HDC: Hill Descent Control, controle automático de descidas.
TCS: Traction Control System, sistema de controle de tração.
"A unidade calcula o coeficiente de escorregamento entre pneus e superfície, detectando qualquer tendência de travamento das rodas nas frenagens", completa Bernd Schemer, vice-presidente de sistemas de controles de chassis da Robert Bosch.

O ABS de última geração, da série 8.1, incorpora ainda o distribuidor de força de frenagem EBD. O recurso distribui a pressão de frenagem nas rodas do veículo, de acordo com a necessidade de cada uma. A unidade de comando do ABS, chamada de ECU (Electronic Control Unit), pode receber outros recursos, como o controle eletrônico de estabilidade ou ESP. Ou o de freios em curva, mais conhecido por CBC (Cornering Brake Control). E ainda o de assistência à frenagem, o BAS (Brake Assist System), que antecipa a ação do ABS nas situações de extrema urgência. E, finalmente, o já citado TCS.

"A calibração desses módulos é a parte mais complexa. É preciso simular a velocidade em que um modelo derrapa nas curvas, o momento em que é preciso acionar os freios ou a hora de cortar a ação do acelerador para reduzir o torque do motor", explica Marcos Tamura, engenheiro e gerente de pós-vendas da Honda.

Em termos de sofisticação, porém, são os sistemas disponíveis nos carros de alto luxo que mais impressionam. Criado pela BMW e disponível no sedã topo de linha Série 7 ou no extravagante X6, o Dynamic Drive (também chamado de Dynamic Performance Control, DPC, e que pode ser visto em vídeo explicativo aqui) é um dos recursos mais modernos da atualidade. Dois pequenos motores, um em cada eixo da suspensão, distribuem a tração individualmente entre as rodas traseiras para compensar a inclinação da carroceria nas curvas e evitar o desvio de trajetória, mantendo o veículo grudado no chão. É quase o mesmo princípio do Dynamic Response, sistema da Land Rover que controla a rigidez das barras estabilizadoras para evitar o rolamento da carroceria nas curvas acentuadas. Com um benefício extra: o Dynamic Response permite desativar as barras estabilizadoras durante situações severas de "off-road", para aumentar o curso da suspensão e permitir um desempenho fora-de-estrada ainda mais radical.

ACELERADAS
- A Bosch lançou seu primeiro ESP em 1995. De acordo com estudos de entidades européias e norte-americanas, o controle eletrônico de estabilidade reduz em 30% a 50% os acidentes fatais de veículos.
- O BAS (Brake Assist System) também é chamado de EBA (sigla de Emergency Brake Assist); já para as francesas Citroën e Peugeot, ele é o AFU, de Assistance Au Freinage d'Urgence ou assistente de frenagem de urgência.
- O primeiro sistema anti-travamento de freios ABS foi desenvolvido nos anos 70, mas só surgiu no Brasil no início da década de 90, inicialmente em modelos importados. No fim de 1992, o recurso foi incorporado em modelos médios-grandes e de grandes luxo, como Volkswagen Santana e Chevrolet Omega.
- A linha Fiat Palio foi a primeira entre os veículos compactos nacionais a oferecer, em 1996, como opcional, o sistema anti-travamento de freios ABS com o EBD. Mas até hoje o equipamento é pago à parte.
- O sistema de controle de tração chegou ao mercado automobilístico mundial em 1987. O sedã médio Chevrolet Vectra foi o primeiro carro nacional a oferecer o recurso, em 1996.

"São tantos os recursos disponíveis que é possível configurar tudo, desde a suspensão ao comportamento do câmbio e do motor. Um BMW tem hoje cerca de 1.500 sistemas e subsistemas de segurança. Não à toa surgem modelos cada vez mais velozes", resume Luiz Estrozi, gerente de treinamento técnico da BMW.

E POR AQUI?
O "boom" de novidades entre os recursos eletrônicos disponíveis nos veículos nos últimos anos impressiona. Hoje é possível controlar motor, câmbio e até a suspensão por meio de botões. Já há testes com sistemas de monitoramento dos olhos do motorista, para evitar um perigoso cochilo ao volante. Mas ao mesmo tempo em que os carros evoluem nesse sentido, o mercado brasileiro sofre de um atraso significativo. Embora já seja comum modelos compactos virem de fábrica com recursos antes impensáveis, como computador de bordo e câmbio automático, ainda são raros os veículos mais básicos que ofereçam sistemas como o ABS ou controles eletrônicos de estabilidade e tração.

No geral, quando disponíveis, esses sofisticados equipamentos são opcionais e costumam custar muito caro. De série, são encontrados somente nos modelos médios e, ainda assim, em suas versões topo de linha -- segmento cujos preços partem de R$ 75 mil, em média.

"Cabe ao mercado se interessar em instalar esses recursos nos carros. Nossa parte é oferecer esses equipamentos e isso nós fazemos", esquiva-se Carlos Henrique, engenheiro e assessor técnico da Fiat.

"Existe hoje uma disponibilidade restrita desses recursos, sobretudo nos automóveis compactos. Diversos modelos não têm o ABS nem como opcional e muitas vezes o sistema é oferecido em pacotes fechados, cujo preço final é elevado", sintetiza José Antônio Oka, coordenador de segurança viária do CESVI Brasil.
(por Diogo de Oliveira)

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES