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18/08/2008 - 19h22

Chevrolet lança Captiva em busca de mercado e 'imagem'

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a San José del Cabo (México)*
A Chevrolet lança para o mercado brasileiro nesta terça-feira (19) o crossover compacto Captiva Sport, produto sem similar na gama da marca no país, e também ainda sem rivais nas outras três líderes de mercado -- Fiat, Volkswagen e Ford. Apenas esta última deve fechar o ano com um produto semelhante: o Edge, que será apresentado nas próximas semanas. Além de brigarem entre si, ambos tentarão abocanhar um pouco do mercado hoje dominado com folga pelo SUV Tucson, da sul-coreana Hyundai.

Fazendo valer a origem do Captiva, a General Motors preparou um megalançamento no balneário "chique" de Los Cabos, no México, país onde o carro é fabricado. Devido ao acordo tarifário entre os mexicanos e o Brasil, a taxa de importação é simbólica. Por ora, falar em preço é chute (nem as revistas especializadas, que já testaram o modelo, receberam essa informação). Mas, devido ao motor de 3.6 litros (260 cavalos de potência) e ao nível dos equipamentos, qualquer valor abaixo de R$ 80 mil será uma surpresa. Como o Tucson começa nessa faixa, dificilmente o carro da Chevrolet ultrapassará os R$ 100 mil. Não custa observar que, com esse propulsor 3.6, câmbio automático de seis velocidades, controle de tração e de estabilidade, além de suspensão independente nas quatro rodas, no mercado mexicano o Captiva começa custando o equivalente a R$ 52 mil e vai até R$ 55 mil, sem incluir impostos locais, e usando-se na conta o dólar a R$ 1,80.

Pelo menos por enquanto, o crossover será o único carro inédito da Chevrolet em 2008 no Brasil. Esta é outra razão para a montadora investir tanto em seu lançamento: ela precisa recolocar sua marca na mídia, depois de alguns meses em que só se falou no novo Volkswagen Gol, a Peugeot "matou" a bem-sucedida linha 206 e pôs o polêmico 207 em seu lugar, e a Fiat emplacou uma novidade técnica (o diferencial blocante) e reestilizações agressivas nas versões Adventure de Palio Weekend, Strada, Idea e Dobló.

A chegada do Captiva ao Brasil também é interessante porque o crossover é parente de modelos da Chevrolet que ainda são inéditos no país. Por exemplo, o design da grade dianteira, em forma de escudo e seccionada transversalmente por uma barra ornada pela gravatinha da Chevrolet, o alinha ao sedã grande Malibu, que pode ser importado em 2009 -- e, de um modo mais geral, ao restante da gama da marca nos Estados Unidos, como o compacto Aveo e o sedã Cobalt.

MODA QUE PEGA
A importação do Captiva, somada à futura vinda do Edge e ao recém-anunciado Dodge Journey (R$ 98.900), mostra que a moda dos SUVs (utilitários esportivos) e crossovers (carros que misturam características com porte de jipão, espaço de minivan e dirigibilidade de sedã, entre outras) está se consolidando no Brasil -- na contramão de seu mercado mais tradicional, os Estados Unidos, onde as vendas da categoria estão em queda e alguns modelos estão sofrendo cortes na produção, em favor de carros compactos -- que gastam menos combustível e também poluem menos.

A busca por uma posição de dirigir mais alta (o Captiva tem 1,70 metro; seu comprimento é de 4,57 metros) e pela sensação geral de segurança de estar a bordo de um veículo maior explicam, em parte, essa nova tendência no Brasil. Não são razões necessariamente iguais às dos norte-americanos quando o assunto é (ou era) a escolha de um SUV ou crossover. Mas há outra razão, que une verde-amarelos e ianques: a quase obrigação de deslocar-se de carro em diversas grandes cidades dos dois países, desprovidas de uma rede de transporte público eficiente. Se é para passar uma boa parte do dia dentro de um carro, quem tem poder aquisitivo para tanto acaba partindo atrás de tamanho e conforto na hora de decidir a compra. No caso do Brasil, o mau estado de nossas vias -- menos sentido num carro de grande porte -- é outro fator importante. Nada é à toa, como se sabe.

Nesta terça e quarta, UOL Carros publica tudo sobre o Chevrolet Captiva Sport, inclusive preços, álbum de fotos, data exata do lançamento e as primeiras impressões ao dirigir o crossover, a serem colhidas em test-drive nos arredores de Los Cabos, que une cenários de praia e de quase-deserto.

*Viagem a convite da General Motors do Brasil

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