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08/08/2008 - 21h12

Seguradoras fazem "guerra" de serviços para atrair o consumidor

Da Auto Press
O mercado de automóveis em franco crescimento no Brasil provoca inúmeras reações. Seja na geração de empregos, no faturamento de outros personagens da indústria ou até no aquecimento de setores com os quais tem uma ligação indireta. Com o segmento de seguros, o reflexo é imediato, embora não proporcional. As vendas de automóveis novos, que cresceram 30% em relação ao ano passado, não se reproduziram no número de apólices vendidas pelas seguradoras, que ficou 10% maior. Em parte, essa diferença existe porque muitos seguros de carros usados são transferidos para automóveis novos.

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias



"O mercado é movimentado tanto pelos novos entrantes como pelos carros usados. Mas, entre os usados, houve uma redução, pela facilidade de crédito que motiva o cliente a partir para o carro zero", analisa Pedro Pimenta, superintendente para seguros automotivos da Allianz Seguros.

AS DEZ MAIORES*
1º Porto Seguro - 20,6%
2º Bradesco - 12,8%
3º Sul América - 9,4%
4º Mafre Vera Cruz - 8,4%
5º Liberty - 6,5%
6º Itaú - 6,3%
7º Brasil Veículos - 6,2%
8º HDI - 5,4%
9º Tokio Marine - 5,4%
10º Allianz - 4,2%
*em carteiras de seguros de automóveis
De olho no mercado crescente, a concorrência, é claro, se torna acirrada, principalmente no melhor filão, que é o segmento de automóveis zero. São, pelo menos, 30 companhias vinculadas à Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que regula o setor. Com tantos oferecendo o mesmo tipo de produto, obviamente, a alternativa para as empresas é buscar a diferenciação através de serviços. Ofertas de reboque e mecânico já são quase lugar-comum em todas as companhias. A Bradesco lançou recentemente o Smart Seg, um sistema de socorro que promete mais agilidade por conta do Segway -- aquele veículo que mais parece um patinete com duas rodas paralelas e guidão, usado pelos correios americanos.

"A idéia se encaixa em nossa proposta de oferecer uma opção ágil de atendimento", valoriza Carlos Eduardo Corrêa do Lago, da Bradesco Auto/RE.

A Generali, por sua vez, optou por fornecer um rastreador aos seus segurados. Um "agrado", que, além de um marketing simpático, ajuda a minimizar os riscos da companhia. A Allianz começou a oferecer carro reserva para o cliente não só em casos de sinistros, mas também por razões de pane no veículo. Algumas extrapolam o universo de serviços automotivos, como a Porto Seguro, que lançou recentemente um plano de "help desk" de socorro não para o carro, e sim para o computador do segurado de automóveis.

ACELERADAS
- No primeiro semestre de 2008, o mercado de seguros automotivos registrou uma receita de R$ 6 bilhões de valores segurados, 10% maior do que o registrado nos primeiros seis meses do ano passado.
- Por causa da "Lei Seca", a Porto Seguro está oferecendo um serviço de reboque para clientes movidos a álcool. O carro vai na plataforma e o motorista na cabiine do caminhão.
- A maioria das empresas só faz seguros de carros acima de
R$ 80 mil se os veículos forem equipados com rastreadores e bloqueadores. Segundo estudos das próprias companhias, os carros equipados com esses dispositivos têm um índice de recuperação de 80%.
- Cerca de 70% dos veículos segurados na Tokio Marine têm até cinco anos de uso.
- Em 2006, a Bradesco Auto lançou o Seguro Auto Mulher, focado no público feminino. Dois anos depois, a participação das mulheres na carteira de automóveis de passeio da empresa cresceu 50%.
- Na maioria dos países europeus, o proprietário de um veículo é obrigado a fazer um seguro para terceiros, independentemente se seu carro for segurado ou não.
"Os preços dos seguros estão muito similares e a questão de serviços se tornou um diferencial muito grande. E o cliente busca muito mais informação hoje em dia", admite Marco André Carvalho, diretor comercial da Generali Seguros.

Os preço das apólices segue, ainda, fatores de riscos, principalmente em relação à cobertura para roubo. Cidades e bairros, a existência de garagem para o veículo e o modelo de automóvel segurado são itens de
variação no valor do seguro. Mas outros fatores pesam a favor do consumidor, como o histórico de sinistros, faixa etária e sexo do principal condutor. Isso sem falar no índice de reparabilidade elaborado pelo Cesvi Brasil, que calcula o custo para reparação dos carros vendido no país. E até mesmo a "Lei Seca" -- que proíbe motoristas de conduzirem seus veículos após ingerirem qualquer quantidade de bebida alcoólica -- pode acarretar em prêmios até 10% mais baratas.

"Observa-se uma tendência de redução nos acidentes e é possível que o preço reduza. Mas, por prudência, as companhias ainda devem esperar pelo menos uns seis meses", pondera Marcelo Goldman, diretor de produtos massificados da Tokio Marine.

Um projeto, ainda embrionário, é o chamado seguro popular. Trata-se de uma apólice para atrair a parcela de proprietários de veículos que não têm como arcar com uma cobertura padrão. Um dos principais pontos dessa
proposta é quanto às peças. As seguradoras são obrigadas a fornecer componentes originais do veículo, enquanto no seguro popular seria permitido o uso de peças genéricas ou usadas certificadas. Outra possibilidade é fazer uma apólice que cobre uma porcentagem do sinistro.

"É um seguro voltado para veículos mais antigos, onde as companhias vão dar opção para o cliente regular a quantia do sinistro", explica Luiz Vicente Lapenta, gerente da área de seguro automotivo da Unibanco/AIG.

DUAS RODAS
Até pouco tempo atrás, seguro de veículos era quase exclusividade de automóveis e utilitários esportivos. Cobertura para motocicletas era impensável e inexistente para a maioria das companhias seguradoras. Com o crescimento significativo do mercado sobre duas rodas e a entrada de novas marcas e de motos mais possantes -- e caras --, o panorama mudou. Hoje, diversas empresas já oferecem apólices para motos. Mas, ainda há limites e restrições, obviamente. "As coberturas são para motos acima de 400 cc, de maior valor. Geralmente são o segundo veículo do cliente, uma opção de lazer, em que não há uma utilização constante como com os modelos de 125 cc e de 150 cc", ressalta Pedro Pimenta, superintendente da Allianz.

A companhia lançou o seguro para motocicletas no fim do ano passado e hoje já tem 10 mil segurados só para este tipo de produto. Um fato curioso é que a apólice da Allianz cobre, além do veículo, capacete, luvas e jaqueta do segurado. Outras companhias também já crescem o olho para este segmento.

"As motos de alta cilindrada possuem um risco bom. Melhor que as de baixa cilindrada, pois elas têm uma exposição muito grande ao roubo e a danos a terceiros. Estamos estudando a médio prazo implantar um produto deste tipo", admite Lapenta.
(por Fernando Miragaya)

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