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05/08/2008 - 21h53

Sedãs de extremo luxo impressionam pela sofisticação e entregam o ápice do requinte

Da Auto Press
Longe da sofisticação dos robôs das linhas de montagem das fábricas, mecânicos, engenheiros e... costureiras constroem com esmero de artesãos os carros mais requintados do planeta. O luxo é feito a mão. Em vez de tecidos padronizados ou peças feitas em série, modelos de marcas aristocráticas como Rolls-Royce, Maybach e Bentley, além dos sedãs topo de linha de Mercedes-Benz, BMW, Jaguar, Audi e Lexus, trazem revestimentos únicos, feitos um a um com materiais nobres, com absoluta delicadeza. A magnificência desses carros, que chegam a custar mais de R$ 1 milhão, está nos seus menores detalhes.

DENTRO DE UMA LIMUSINE DE US$ 1,35 MILHÃO

  • Este é o interior do Maybach Landaulet, limusine conversível à venda nos EUA

Bancos cobertos de couro especial, extraído de animais selecionados. Acabamentos em madeira nobre -- normalmente raiz de nogueira -- com cortes cirúrgicos e até 18 aplicações de verniz e a mais avançada tecnologia. Tudo pensado para satisfazer ao máximo ilustres proprietários, que acompanham e participam do processo de fabricação. O alemão Maybach 62 S, por exemplo, traz um teto solar panorâmico com sistema elétrico que controla sua transparência e a absorção de raios ultravioleta (UV). Já o rival britânico Rolls-Royce Phantom Extended Wheelbase traz centelhas de fibra ótica no teto, que simulam um céu estrelado.

Com apelo mais esportivo, por assim dizer, o inglês Bentley Continental Flying Spur tem um singelo relógio no console central, fornecido pela Breitling, uma das mais tradicionais marcas suíças de cronógrafos de alta precisão para uso na aviação. E quando o assunto é acabamento interior, a Jaguar leva a questão ao extremo. Para cobrir os assentos do sedã XJR, a marca britânica usa couro de gado criado em pastos de planície, sem árvores ou cercas de arame, pois assim desenvolvem pouco a musculatura e ficam a salvo de qualquer arranhão.

ASSIM SE ESCOLHEM OPCIONAIS
Situação semelhante ocorre com os compradores do Volkswagen Phaeton. Na tentativa de estreitar os laços com os estimados clientes, a montadora alemã permite que todo o processo de produção seja conferido de perto. Através de janelas imensas de vidro, o comprador acompanha o passo-a-passo da montagem do seu veículo, opinando e escolhendo itens opcionais. Entre os inúmeros detalhes, tanto Jaguar XJR quanto Volks Phaeton contam com uma dezena de cores e combinações possíveis para o revestimento, três ou mais tons para a madeira, diferentes tipos de tecido -- há até carpetes de cashmere --, além de uma infinidade de equipamentos.

Fotos: Divulgação

Mercerdes S600 Guard Pullman é feita para presidentes, reis e altos executivos; este é o seu perfil?


Modelos como BMW Série 750i, Audi A8L W12 Quattro e Lexus L600h L também costumam ter incontáveis opcionais. Mas quem adquirir um Rolls-Royce, Maybach ou Bentley pode escolher também jogos de malas no mesmo padrão do couro do habitáculo, porta-charutos, porta-canetas, relógios embutidos, bolsas estilizadas para tacos de golfe, laptops, entre outros "acessórios". Tudo feito em parceria com outras marcas de prestígio, como Rolex, Louis Vuitton e Mont Blanc.

Até blindagem pode ser aplicada. É o caso do Mercerdes S600 Guard Pullman. É tradição da marca alemã da estrela oferecer limusines de fábrica para clientes muito especiais, como chefes de Estado, monarcas e altos executivos. Daí a criação dessa versão do Classe S com entre-eixos alongado e blindagem de alta resistência, capaz de aguentar até granadas e tiros de bazucas. Detalhe: há quatro bancos atrás contrapostos, que formam uma espécie de sala de reuniões. Sob o capô, um motor 5.5 V12 biturbo de 517 cv.

BELEZA INTERIOR
Divulgação
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COMO CARREGAR TANTO LUXO
Potência, aliás, é outro detalhe importante nesses modelos. Nenhum carro de luxo que se preze tem motor com menos de 400 cv. O Maybach traz o propulsor mais forte: um 6.0 V12 biturbo de 611,8 cv. Já o Phantom Extended Wheelbase é empurrado por um 6.7 V12 com injeção direta e 459,5 cv. Sob o mesmo grupo, Volkswagen, Bentley e Audi usam o propulsor violento 6.0 com 12 cilindros em duplo V. As potências variam: 560 cv no Continental Flying Spur, 450 cv no A8L W12 Quattro e no Phaeton. As mais "mansas" ficam com BMW Série 750Li e Jaguar XJR, com os motores 4.8 V8 biturbo de 407 cv e 4.2 V8 Supercharger de 405 cv, na ordem. Único híbrido do nicho, o Lexus LS 600h L é empurrado por um propulsor 5.0 V8 de 394,4 cv, que trabalha com duas unidades elétricas e gera um total de 444 cv.

Mais que propulsão ou sofisticação, porém, no fim das contas o que vale mesmo é o status que cada modelo oferece. Não por acaso, a Volks, marcada pela popularidade desde suas origens, não conseguiu emplacar o Phaeton. Já a Maybach, mal apresentou a versão conceitual do 62 S conversível, batizada de Landaulet, no Salão de Genebra, em março, e choveram encomendas. Com a grande procura, o fabricante decidiu colocar a 'versátil' limusine à venda nos Estados Unidos, com preço sugerido em US$ 1,35 milhão (o equivalente no câmbio direto, sem contar qualquer taxas, a R$ 2,3 milhões). Ou seja, para ser um automóvel de extremo luxo não basta requinte. É preciso um escudo que lhe dê status. Como a estatueta da mulher alada -- o cobiçado "Espírito do Êxtase" --, símbolo dos Rolls-Royce.

A BUSCA PELO GLAMOUR
Longe de terem o glamour de marcas britânicas ou alemãs, como Jaguar, BMW e Mercedes-Benz, as montadoras japonesas conquistaram nas últimas décadas uma forte tradição em confiabilidade. Donos de uma engenharia respeitada e, sobretudo, de resistência, modelos de marcas como Toyota, Honda e Nissan têm mais prestígio pela robustez e durabilidade que pelo requinte. Só que a indústria automotiva moderna vive de imagem. E as três marcas nipônicas tiveram de buscar glamour para se desvencilhar da fama de racionais. Cada uma delas criou uma divisão de luxo: a Toyota fundou a Lexus, a Honda inventou a Acura e a Nissan abriu a Infinity.

Nas três bandeiras japonesas de luxo, criadas inicialmente para o mercado norte-americano, o princípio é o mesmo: injetar sofisticação nos veículos das marcas "titulares". Até porque tanto na Lexus, quanto na Acura e Infinity, as plataformas e motores usados são herdados de modelos das "marcas-mães". Quer dizer, a diferença mesmo é o acabamento interno e os níveis de eletrônica e segurança embarcados. Nos três casos, a lista de série é marcada pela fartura de itens, grande parte deles opcionais ou sequer oferecidos em modelos das "matrizes".

Carros como os sedãs topo de linha Lexus LS 600h L e o Infiniti M45X trazem tudo o que um automóvel de luxo requer. Estão lá bancos dianteiros e traseiros com regulagem elétrica, aquecimento e massageador, sistema de DVD com telas individuais e fones para os bancos traseiros, forração em couro com detalhes em madeira e aço escovado, sensores de obstáculos, de pressão dos pneus, de chuva e de luminosidade, faróis bixênon autodirecionais, freios com ABS, EBD e vasta quantidade de airbags, entre outros. Ou seja, assim como marcas de maior prestígio, esses modelos esbanjam glamour.
(por Diogo de Oliveira)

LUXO EXTREMO TEM SEU PREÇO
- Das marcas de extremo luxo, apenas a Rolls-Royce tem modelos disponíveis para compra no Brasil. Suas vendas são intermediadas pela BMW, que controla a marca britânica. O preço do Phantom aqui parte de R$ 1,8 milhão, com frete e taxas incluídas.
- O Jaguar XJR tem uma versão especial, feita pela divisão de alto luxo da marca britânica, a Jaguar Daimler Heritage Trust. Chamada de Daimler Super Eight, a configuração "top" do sedã inglês tem acabamento interno da Daimler e parte de 104 mil euros, ou R$ 254.243 sem impostos e frete.
- Lincoln e Cadillac são as duas principais marcas de luxo americanas da atualidade. As arqui-rivais são controladas por Ford e General Motors, respectivamente. No segmento de sedãs de luxo estão os modelos Lincoln Town Car e Cadillac STS.
- A alemã Daimler, que controla a Mercedes-Benz, ressuscitou a Maybach em 2002, após 60 anos desde o encerramento das atividades.
- A alemã BMW adquiriu o controle da britânica Rolls Royce em 2003, após anos de impasse diante da compra da Rolls-Royce e da Bentley, sua divisão esportiva, pelo grupo Volkswagen, em 1998.
- A Rolls Royce apresentou no Salão de Genebra, na Suíça, em março, o Phantom Coupé, versão esportiva do sedã grande de luxo. Limitada em 200 unidades, a série especial surpreendentemente foi vendida em apenas uma semana. O preço partiu de US$ 400 mil, ou cerca de R$ 650 mil.

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