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24/07/2008 - 12h37

Ford anuncia mudança de rumo após perder R$ 13,7 bilhões no 2º trimestre do ano nos EUA

Da Redação, com agências internacionais
Atualizada às 18h44

A montadora Ford confirmou, nesta quinta-feira, que irá operar uma mudança radical na condução de seus negócios e que apostará seu futuro em carros pequenos de estilo europeu para o mercado automobilístico nos Estados Unidos. A guinada, já anunciada, foi reforçada no mesmo dia em que a empresa anunciou a perda de US$ 8,7 bilhões (cerca de R$ 13,7 bilhões) no segundo trimestre do ano. O número é a maior perda trimestral desde a fundação da fabricante, que estes dias celebra o 100º aniversário do lançamento do famoso Modelo T, que iniciou a popularização do automóvel.

Os executivos da empresa consideram que a crise no setor de automóvel nos Estados Unidos modificou o perfil do consumidor e que a reestruturação é a chave para reavivar seus negócios no país.

PELO MUNDO

Além da Ford, a Hyundai também anunciou perda de lucro líquido de 10,6% no 2º trimestre, apesar do aumento de 12,8% nas vendas, possivelmente por conta da desvalorização da moeda sul-coreana em relação ao dólar e ao euro.
Na Europa, a Renault divulgou lucro de de R$ 3,6 bi em 2008, mas afirmou que vai demitir 5.000 pessoas para cortar outros R$ 2 bi em dois anos

A queda nos números da montadora inclui US$ 8 bilhões em gastos extraordinários, dos quais US$ 5,3 bilhões (R$ 8,3 bi) correspondem às operações da Ford na América do Norte e US$ 2,1 bilhões (R$ 3,3 bi) à Ford Motor Credit, o braço financeiro da empresa. Além disso, a companhia registrou perdas de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,6 bi) em operações, que só devem ser recuperadas em dois anos.

De toda forma, a fabricante garantiu ter reduzido seus custos em US$ 1 bilhão durante o período (dos quais US$ 600 milhões, ou R$ 947 milhões, procedem da América do Norte) e que mantém suas previsões de terminar o ano com uma redução de custos de US$ 5 bilhões (quase R$ 8 bi), comparados com 2005.

O plano para contornar a crise que trará para o mercado dos EUA modelos desenhados para Europa e Ásia, segundo o executivo-chefe Alan Mulally, incluirá veículos como o novo Fiesta. Mulally, que chegou à Ford procedente da Boeing para reestruturar a empresa, acredita que a prática -- estimulada pelas grandes perdas, pela crise econômica nos EUA e pelos elevados preços da gasolina -- será adotada também pelos dois outros grandes fabricantes americanos, General Motors e Chrysler.

"O que é realmente diferente agora em relação ao passado é o fato de que os preços da gasolina nos EUA subiram tanto que os consumidores realmente valorizam veículos menores e eficientes", afirmou Mulally em coletiva de imprensa, que de toda forma tentou conter o nível de otimismo ao prever que "a economia americana não começará a se recuperar no ano 2009, mas em princípios de 2010".

PEQUENOS CONTRA A CRISE
Assim, a Ford confirma seus planos para vender nos EUA e no Canadá seis pequenos carros europeus. Três montadoras de jipes nos EUA serão transformadas para produzirem estes veículos.

As fábricas afetadas por esta mudança são a do estado de Wayne (EUA), que atualmente produz os carros Ford Expedition e Lincoln Navigator, a montadora mexicana de Cuautitlán, que começará a produzir o Fiesta no início de 2010, e a da cidade americana de Louisville, no Kentukcy.

A companhia também quer duplicar em 2009 a produção de veículos híbridos, um dos segmentos que mais cresceram nos dois últimos anos.

Para 2011, duplicará a capacidade de produção na América do Norte de motores de quatro cilindros. Até agora, o mercado americano tinha preferido motores de seis e oito cilindros, mas a rápida alta dos preços da gasolina mudou as preferências do consumidor.

Os planos incluem a aceleração de um novo motor que a Ford denominou EcoBoost, que, segundo a companhia, reduz em 20% o consumo em relação aos motores convencionais.

O presidente da Ford no continente americano, Mark Fields, reconheceu que as vendas de grandes caminhonetes, que até agora tinham sido a principal fonte de receita para Detroit, "vai se recuperar embora não voltará aos níveis que tivemos no passado".

Já Mulally garantiu que continua tomando ações rápidas e decisivas para implementar o plano e responder às velozes mudanças da situação empresarial. "A Ford está atuando de forma agressiva para introduzir veículos menores na América do Norte", disse.

Segundo os resultados da Ford, as operações na América do Norte registraram US$ 1,3 bilhão (R$ 2,05 BI) em perdas, frente a US$ 270 milhões (R$ 426 milhões) no mesmo período do ano passado. A receita foi de US$ 14,2 bilhões (R$ 22,4 bi), frente a US$ 19 bilhões (R$ 30 bi) em 2007.

FORA DOS EUA, BONS NÚMEROS
A chave para a Ford norte-americana parece estar mesmo em seus braços mundiais. "Nossas operações na Europa e na América do Sul são fortes e rentáveis. Temos impulso na Ásia e estamos em uma posição única para aproveitar nossos ativos mundiais e a força global da marca Ford para trazer à América do Norte veículos menores", afirmou Mulally.

Na América do Sul, a companhia ganhou US$ 388 milhões (R$ 612 milhões) -- acima dos US$ 255 milhões (R$ 402 milhões) de 2007 -- com receita de US$ 2,4 bilhões (R$ 3,78 bi).

Na Europa, o lucro foi de US$ 582 milhões (R$ 919 milhões) contra US$ 262 milhões (R$ 413 milhões) há um ano, com a entrada de US$ 11,5 bilhões (R$ 18,1 bi) contra US$ 9,2 bilhões (R$ 14,5 bi) em 2007.

Nos países da Ásia e do Pacífico e na África, os lucro ultrapassaram os US$ 50 milhões (cerca de R$ 79 milhões), comparados aos US$ 26 milhões (R$ 41 milhões) em 2007, com renda de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 2,7 bi).

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