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23/07/2008 - 07h30

GM paga R$ 3 bilhões por novos motores diesel; S10 e Blazer estão na mira

Da Reuters
A General Motors do Brasil acertou com a MWM International a compra de 420 mil motores diesel que serão entregues entre 2011 e 2018, em um contrato avaliado em cerca de R$ 3 bilhões. Os motores equiparão uma nova linha de veículos que está sendo desenvolvida pela montadora e que será lançada em 2011. A MWM International Motores foi comprada em 2005 pela norte-americana Navistar e o contrato é o maior já assinado pela GM do Brasil com um fornecedor em 84 anos de presença da montadora no país.

A nova linha pode incluir os modelos que substituirão a picape S10 e o SUV Blazer, os atuais veículos da Chevrolet -- marca da GM no Brasil -- que utilizam motorização diesel em algumas versões. A MWM International, que é fornecedora da GM do Brasil há 44 anos, entregará à montadora brasileira uma média de 60 mil motores diesel de 2.8 litros, desenvolvido pela GM do Brasil, por ano.

O presidente da GM do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, afirmou que o acordo surge para eliminar gargalos na produção de motores da GM no país, que já tem uma fábrica de propulsores em São José dos Campos (SP) e está investindo US$ 200 milhões em Joinville (SC) na construção de uma nova planta que terá capacidade para cerca de 100 mil unidades que funcionam com álcool e gasolina.

"Tínhamos gargalos na produção de motores. Não estávamos crescendo o bastante por causa disso," disse Ardila a jornalistas durante o anúncio do acordo. "Temos um plano muito agressivo de renovação de produtos até 2012 e a parceria permite uma resposta muito mais rápida a essas necessidades do que se estivéssemos fazendo isso internamente (a produção de motores diesel)", disse Ardila.

Segundo o executivo, a GM do Brasil prevê um mercado brasileiro com vendas de mais de 4 milhões unidades anuais nos próximos 3 anos. Para 2008, a expectativa da indústria é de vendas de cerca de 3 milhões de veículos. A montadora teve vendas de 287, 45 mil automóveis e comerciais leves no primeiro semestre, ficando praticamente empatada no segundo lugar da indústria do país com a Volkswagen e atrás da líder Fiat.

A MWM informou que investirá cerca de US$ 80 milhões em suas três fábricas na América do Sul -- Canoas (RS), Santo Amaro (SP) e Jesús Maria, em Córdoba, na Argentina. Atualmente a empresa fornece motores para a GM do Brasil que equipam S10 e Blazer. A MWM já produziu mais de 250 mil motores para ambos. No entanto, Ardila evitou confirmar se os novos motores a serem fornecidos pela MWM equiparão uma linha renovada de S10 e Blazer ou se vão fazer parte de outra família de produtos a diesel.

Até 2012, a GM do Brasil pretende investir US$ 2,5 bilhões em capacidade de produção e novos produtos, dos quais US$ 1 bilhão ainda precisam ser aprovados pela matriz nos Estados Unidos, afirmou Ardila. "Já tinha anunciado US$ 1,5 bilhão, mas se quisermos uma renovação dos produtos precisaremos de pelo menos mais US$ 1 bilhão," disse o executivo.

SEM EXUBERÂNCIA
Para o segundo semestre, a GM vê o mercado brasileiro caminhando dentro da previsão de vendas de cerca de 3 milhões de unidades, mas a alta nos custos, o aumento da inflação dos juros começam fazer sentir seus efeitos. "O segundo semestre é tradicionalmente melhor que o primeiro, mas nós não estamos mais vendo uma exuberância nas vendas. A velocidade de venda no varejo caiu," disse o vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, referindo-se ao tempo que um veículo permanece na concessionária à espera de comprador.

O presidente-executivo da Navistar, Jack Allen, presente no anúncio, afirmou que o acordo faz parte da estratégia da empresa de expandir a divisão de motores no mundo. "Estamos diversificando nossa produção e acreditamos que ainda há muito crescimento para acontecer no Brasil, Rússia, Índia e China do que o esperado para acontecer nos Estados Unidos."

"As vendas gerais de automóveis e veículos comerciais nos Estados Unidos têm mostrado quedas contínuas em 2008, mas isso faz parte do ciclo e esperamos que elas se recuperem nos próximos anos," afirmou o executivo.

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