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12/07/2008 - 22h19

Procura recorde por caminhões gera filas e euforia entre montadoras

Da Auto Press
Nem mesmo a recente ameaça de aumento da inflação e das taxas de juros parece capaz de inibir o mercado de caminhões em 2008. O último balanço da Anfavea (Associação Nacional da Fabricantes de Veículos Automotores) aponta um crescimento de 29% nas vendas nos primeiros seis meses do ano, com destaque para o setor de pesados, que avançou 43,2% nos emplacamentos em relação ao mesmo período de 2007. Trata-se do maior volume de vendas da história da indústria nacional de veículos cargueiros. Foram 57.961 unidades comercializadas de janeiro a junho, ante as 44.384 unidades do primeiro semestre do ano passado.

Ilustração: Afonso Carlos / Carta Z Notícias

Demanda bruta: volume de vendas é o maior da história da indústria nacional de cargueiros


"Hoje ainda temos filas de espera um pouco maiores do que gostaríamos. Mas praticamente dobramos o mercado em dois anos. Todas as montadoras estão se adequando. Em breve, vamos nos estabilizar", promete Bernardo Fedalto Júnior, gerente de vendas da linha de pesados F da Volvo Caminhões.

A Mercedes-Benz confirmou sua liderança no setor neste primeiro semestre. A marca acumulou 19.246 emplacamentos no período, 31,9% a mais que os 14.589 caminhões comercializados nos seis primeiros meses do ano passado. Entre os modelos com maior procura, os caminhões pesados -- com mais de 45 toneladas de PBTC (Peso Bruto Total Combinado) -- mantiveram a supremacia registrada na primeira metade de 2007, quando as vendas cresceram 50%. Os principais fatores que impulsionaram a expansão deste ano foram os agronegócios, com grande parcela dos veículos destinados à colheita de grãos, o setor sucroalcooleiro, com 25 mil caminhões aplicados na colheita da cana-de-açúcar e transporte do álcool combustível, além do setor de construção civil.

SETOR ACELERADO
Divulgação
- A Iveco, do grupo Fiat, foi a montadora que mais cresceu em 2008. Foram 4.736 unidades comercializadas entre janeiro e junho, 131% a mais que as 2.050 somadas no mesmo período do ano passado
- 2007 registrou o maior volume de vendas
da indústria de caminhões em sua história. Foram 100 mil unidades entre janeiro e dezembro, 10,8% mais que as 90.147 unidades vendidas em 1977, no
chamado "milagre econômico"
- Para 2009 e os anos seguintes, as montadoras projetam um mercado estável
em torno de 125 mil emplacamentos/ano
- A Ford ampliou sua capacidade produtiva no início de junho para dar conta da demanda. A linha de semipesados Cargo saltou de 80 para 95 unidades/dia. A partir de janeiro de 2009, a planta de São Bernardo do Campo (SP) inicia o segundo turno, com previsão de entrega de 172 unidades/dia
DESPREVENIDOS
"Não fomos capazes de acompanhar o crescimento. Por mais otimistas que tenhamos sido no planejamento, o aumento da demanda surpreendeu", reconhece Roberto Leoncini, diretor de Vendas da Scania.

Se o crescimento forte pegou desprevenidos a Scania e a arqui-rival Volvo, duas montadoras especializadas no segmento de pesados, a surpresa foi ainda maior para as marcas "novatas". Com o lançamento dos caminhões 19.370 e 25.370 da linha Constellation, em 2007, a Volkswagen, que até então não atuava no segmento de pesados acima de 53 toneladas de PBTC, deu um salto. De janeiro a junho, comercializou 3.598 unidades e obteve crescimento de expressivos 141,3% nas vendas do nicho em relação a 2007, quando emplacou 1.491 unidades no primeiro semestre. "O segmento de pesados é muito tradicional e os clientes não costumam trocar de marca. Por isso, fomos conservadores também na produção e acabamos surpreendidos pela demanda", admite Ricardo Alouche, diretor de Vendas da Volkswagen Caminhões Ônibus.

Mas a maior expansão registrada até agora foi da Iveco. A marca italiana cresceu nada menos que 151,8% no segmento de pesados e incríveis 253,8% entre os semipesados. Nos dois casos, há uma explicação razoável para a ascensão: com a demanda no limite e filas de espera enormes em marcas como Volvo e Scania, Volkswagen e Iveco absorveram boa parte dos consumidores. "Investimos na fábrica, na expansão da capacidade produtiva e temos veículos para entregar no mercado", pondera Alcides Cavalcanti, diretor comercial da Iveco.

DEMANDA DEVE PROSSEGUIR
Há um consenso entre as montadoras de que o ritmo acelerado de crescimento vá se manter no segundo semestre, com estabilização das vendas a partir de 2009. Este, ao menos, é o tempo estimado pela própria indústria para equilibrar demanda e produção. "O setor de caminhões é muito sensível às condições econômicas e a atual situação de estabilidade faz com que a demanda cresça fortemente", avalia Leoncini, da Scania. "O Brasil tem um potencial muito interessante, por conta de segmentos como a agricultura. Temos também um longo caminho a percorrer na nossa infra-estrutura, o que demandará mais caminhões", observa Cláudio Terciano, gerente nacional de vendas, marketing e serviços da Ford Caminhões.
(por Diogo de Oliveira)

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