UOL Carros
 
30/06/2008 - 22h03

Novo Gol, feito 'ao gosto do cliente', abusa dos opcionais

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Volkswagen apresentou nesta segunda-feira (30), em São Paulo, o novo Gol, que passou pela maior reformulação em seus quase 30 anos de vida, dos quais 21 na liderança de vendas. Quase 4,8 milhões de Gol estão ou estiveram nas garagens dos brasileiros desde 1980. O novo carro, cujo projeto e execução demandaram investimento de R$ 1,2 bilhão, tem a tarefa de manter a aura de vencedor num momento em que o consumidor automotivo é cada vez mais exigente com imagem, conteúdo e performance.



Executivos da Volks afirmaram na apresentação do novo Gol que o carro foi concebido a partir dos desejos dos clientes Volkswagen, pesquisados nas chamadas "clínicas", espécie de dinâmicas de grupo em que produtos são avaliados e debatidos por pessoas comuns. Nelas (foram seis para o Gol), a Volks ficou sabendo que os três valores mais importantes para agregar ao novo carro seriam "modernidade", "beleza" e "design". E correu atrás disso.

Difícil duvidar de que o novo Gol seja um carro mais moderno. Um exemplo: a suspensão dianteira e a barra da direção (que agora pode ter ajuste de altura e profundidade) foram buscadas na plataforma do Seat Ibiza, e chegam primeiro ao nosso Gol que ao Polo europeu. Outro detalhe é a diminuição das folgas entre as peças, atingindo -- segundo a Volks -- um ínfimo 0,5 mm na junção da lanterna traseira com a chapa da lateral, aproximando o carro da utopia de ter um corpo-de-uma-peça-só.

Quanto ao design, o novo Gol mostra claramente que a Volks olhou para os segmentos superiores ao concebê-lo. O carro tem: linhas fortemente ascendentes, que dão a agressividade e o dinamismo ausentes nos carros "básicos"; algumas soluções inesperadas, como as maçanetas fora do vinco lateral; personalidade própria na dianteira, a qual cita vários carros (Tiguan, Passat, e até mesmo o Fox e carros de outras marcas, como o Celta antigo) sem copiar nenhum deles; e uma traseira que lembra o lindo BMW Série 1 e que, à noite, destaca-se pelo quadrilátero vazado e iluminado no centro das lanternas. Ou seja: design é o que não falta. Quanto à beleza, cada um que julgue (UOL Carros aprovou).

ALGUMAS JOGADAS DO NOVO GOL

Linha de cintura ascendente e traseira de carro chique são dois trunfos do design do novo Gol

Painel 1: simples, sem conta-giros e com um desenhinho tapa-buraco, este é o da versão 1.0

Painel 2: é possível ter um deste, parecido com o do Polo, pagando a mais pelo I-System

Tudo que está nessa foto é opcional em todas as versões: comandos no volante e airbag

O simpático brutamontes Stallone e a gata Gisele Bündchen protagonizam o comercial de TV
O NORTE É O POLO
Dentro da gama Volkswagen, o Gol deu um passo em direção ao "primo" Polo e, de certa forma, alinhou-se ao Fox, talvez até ultrapassando-o em charme. A plataforma e os motores flexíveis dos três carros agora são os mesmos (ressalvando que o Polo não tem propulsor 1.0). Por isso o Gol deu uma crescidinha em altura, de 3,7 cm (na largura foi um mero 0,5 cm). Com a troca de posição do motor, que de longitudinal (disposto ao longo do comprimento do carro) passou a transversal, o Gol pôde até ser encurtado em 3,2 cm, com entre-eixos de apertados 2,46 metros.

  • Fichas técnicas do novo Gol

    Mas houve ganhos (pequenos, aliás) no espaço interno. O maior foi de 4,4 cm para os joelhos de quem vai atrás. O menor foi de 0,7 cm para a cabeça de quem vai à frente. O ponto H (onde estão os quadris dos ocupantes, em relação à carroceria) subiu 2,9 cm à frente e 1,1 cm atrás. Como se vê, em carro compacto a conquista de cada milímetro merece uma festa.

    Houve também uma preocupação da Volks em equipar melhor o Gol, além de oferecer um acabamento de qualidade mais evidente. Por isso a empresa fez questão de gabar-se do aço com textura acetinada dos controles do ar-condicionado (semelhante ao usado em carros da Audi) e de louvar a chave-canivete, que o dono do Gol vai poder jogar sobre a mesa do bar para dar a impressão de que tem um carrão -- essa hipotética cena foi descrita pelos próprios executivos da Volks durante a apresentação à imprensa.

    O novo Gol foi dividido em três versões, duas delas com uma espécie de subdivisão. Assim, temos o Gol 1.0 (R$ 28.890), o Gol 1.6 (R$ 32.290) e o Gol Power (R$ 36.420), que usa o motor 1.6. As duas primeiras versões podem incluir o módulo de opcionais Trend, o maior entre os oferecidos pela Volks -- a R$ 29.825 (1.0) e R$ 33.235 (1.6). O Gol Geração 4 (R$ 27.120) permanece vivo na versão de duas portas com motor 1.0, para encarar os Fiat Palio básico e Mille, além do Ford Ka 1.0.

    QUER MAIS? PAGUE
    Mas há um problema aí: quase tudo que a nova gama do Gol oferece de "plus" e de interessante é opcional. Ar-condicionado, computador de bordo, display multifunções (I-System), regulagem de altura do volante, a própria chave-canivete: tudo isso é pago à parte. Nem mesmo a versão Power dispõe de aquecedor e vidros e trava elétricos de série. Ou seja, os preços publicados acima são irreais. Será preciso pagar mais para tirar da loja o carro realmente desejado pelo comprador.

    Qualquer dúvida, basta consultar a lista de equipamentos e opcionais -- para o Gol 1.0 há nada menos que 25 módulos (ou pacotes) disponíveis. Os preços deles não foram divulgados. E a Volks se diz orgulhosa de oferecer airbag e ABS (antitravamento dos freios) como opcionais em todas as versões do Gol. Mas, convenhamos, essa é apenas uma maneira enviesada de dizer que nenhuma delas possui esses dois cruciais itens de segurança incluídos no preço.

    Enfim. Começou uma nova fase na já longa vida do Gol: ele passa a atacar seus concorrentes com armas mais sofisticadas, como o visual uns dez anos à frente do Fiat Palio, seu grande rival e aparentemente eterno vice-campeão de vendas no Brasil. Mas nesse bombardeio podem sobrar fragmentos para carros da própria Volks, como o Fox e até o Polo, já que o Gol Power com o mesmo nível de equipamentos vai passar facilmente dos R$ 40 mil.

    UOL Carros vai publicar nesta terça-feira (1º) as impressões ao dirigir o novo Gol

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