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30/06/2008 - 14h54

No lançamento do Gol, Lula relembra "choradeira" das montadoras

Da Reuters, em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu os biocombustíveis na noite de domingo (29), durante o lançamento do novo Gol, na fábrica de Volkswagen em São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Acompanhado por políticos, sindicalistas e executivos da montadora, Lula lembrou que, em 2003, recebeu representantes da indústria automotiva em Brasília, os quais reclamavam da crise que o setor atravessava.

O presidente afirmou que, na época, dizia aos empresários para terem paciência: "Era uma choradeira que parecia criança na hora de mamar. E eu dizia que vocês têm de ter paciência, porque as coisas vão acontecer neste país." O ano de 2003 foi considerado um dos piores da história da indústria automotiva brasileira, quando o setor amargou índices de capacidade ociosa de cerca de 50%. Na época, montadoras reivindicavam junto ao governo um plano que estimulasse um desenvolvimento de longo prazo para o setor, que encerrou aquele ano com vendas de 1,3 milhão de automóveis e comerciais leves.

Desde então a situação se inverteu, e atualmente montadoras como a Volkswagen operam à plena capacidade, motivadas por forte crescimento do mercado interno. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima vendas recordes de 3,06 milhões de veículos no Brasil em 2008, alta de 24% sobre 2007, que já tinha registrado expansão acima dos 20%.

EM DEFESA DO ÁLCOOL
Lula também lembrou que no mesmo ano de 2003, na própria Volkswagen, participou do lançamento da versão flex do Gol, primeiro carro do país capaz de rodar com gasolina, álcool e a mistura de ambos os combustíveis. Hoje, a tecnologia de motores bicombustíveis está presente em mais de 80% dos veículos vendidos no país, movimentando a indústria alcooleira e atraindo críticas de nações desenvolvidas, que mostram preocupação com a inflação e a escassez de alimentos.

"Haverá o momento em que o mundo irá se curvar aos combustíveis renováveis, e aí o Brasil irá poder vender muito mais carros produzidos no país", afirmou Lula a uma platéia de cerca de 10 mil pessoas -- funcionários e concessionários da Volkswagen em sua maioria --, que se reuniram em uma arena montada pela empresa.

INVEJA DOS OUTROS
O presidente Lula elogiou muito o novo modelo da Volks. "O novo Gol será motivo de inveja para muitos países que pensam que são mais desenvolvidos que o Brasil. Eles vão perceber, e a Volkswagen graças a Deus percebeu, que a criatividade do povo brasileiro não é apenas no futebol ou no samba", afirmou Lula, acompanhado pelo ministro da Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

A Volkswagen, que contratou a supermodelo Gisele Bündchen e o astro de Hollywood Sylvester Stalone para estrelarem comerciais do novo Gol, não revela quanto gastou na campanha de lançamento do carro -- cuja família de modelos (até o final do ano chega a versão sedã) tem missão de ajudar a empresa a superar a Fiat na liderança do mercado brasileiro. O investimento total no desenvolvimento do novo Gol é de R$ 1,2 bilhão. Segundo a Volks, o carro é 100% nacional, do projeto à fabricação.

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