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28/06/2008 - 19h00

Peugeot 207 chega misturando 206 atrás e 307 à frente

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Búzios (RJ)*
A Peugeot apresentou nesta sexta-feira (27) e no sábado (28) o 207, compacto que vem substituir a maior parte das versões do 206, restando deste apenas a configuração básica. O novo carro -- e muita gente gostaria de escrever "novo" assim, entre aspas -- chega com carroceria hatch, station wagon e sedã, as duas primeiras já em agosto e a três-volumes em outubro (mês do Salão do Automóvel de São Paulo).

Fotos: divulgação

Dianteira do 207 traz 'grade-boca' (aqui, cromada), logo gigante da Peugeot e faróis salientes


Com o 207, que tem projeto e execução 100% brasileiros (segundo a marca), os franceses decidiram embarcar na tendência de gradual (e relativa) sofisticação do mercado automotivo verde-amarelo, que aos poucos vai exigindo carros mais equipados e com imagem mais marcante, distantes dos modelos de entrada básicos e "pelados". O primeiro passo da Peugeot foi o encerramento da produção de motores 1.0, em 2006. O segundo é o 207, que surge após três anos de trabalho.

  • Impressões ao dirigir: 207 com motor 1.4 já é suficiente

    O carro é produzido na mesma plataforma do 206, e não é o modelo europeu que tem o mesmo número como nome. Na versão hatch, herda praticamente inalterada a traseira do compacto anterior, excluindo a luz de neblina oblonga que ficava no centro do pára-choque e incluindo outras duas, de formato retangular, nas extremidades. Já a dianteira é uma espécie de releitura do 207 europeu "filtrada" pelo nosso 307, com a entrada de ar formando uma enorme "boca" negra (na versão XS ela é cromada) e o conjunto óptico mais afilado -- "felino", como diz a Peugeot. Nele, a cápsula plástica dos faróis ficou mais saliente que o capô do motor, provocando um efeito que dividiu opiniões entre os jornalistas.


    A station wagon da família 207 não terá mais a off-road light Escapade, ao menos por ora

    O 207 sedã ganhou o nome de Passion, e chega em outubro, à época do Salão de São Paulo
    É NOVO OU NÃO É?
    Segundo a Peugeot, o 207 tem 250 peças novas e 1.000 modificadas em relação ao 206, números relativamente pequenos diante dos milhares que formam um carro. Boa parte delas está no reforçado sistema de isolamento acústico, necessidade de mercado num veículo com aspirações a "premium". Outro punhado foi para a suspensão, recalibrada na traseira e com quatro amortecedores novos. Também contam as novas peças do câmbio, do painel, da parte externa e do acabamento.

    Tudo isso, além do uso da mesma plataforma e da extinção de quase toda a família 206, reforça o argumento de quem vê o 207 como uma espécie de "206,5". Só que, em nossa opinião, as mudanças na dianteira foram suficientemente marcantes para tornar impróprio o termo "reestilização". Quanto à traseira quase idêntica à do modelo ora agonizante, a explicação da Peugeot é quase singela: os consumidores pesquisados pela marca sempre apontaram essa parte do 206 como a mais interessante. E "não se mexe em time que está ganhando".

    PREÇOS, DADOS TÉCNICOS
    E EQUIPAMENTOS
    207 1.4
    XR 2p - R$ 37.790
    XR 4p - R$ 39.290
    XR S 2p - R$ 39.590
    XR S 4p - R$ 41.090
    207 1.6
    XS 2p - R$ 43.300
    XS 4p - R$ 44.800
    XS A - R$ 48.800
    207 SW
    1.4 XR - R$ 42.990
    1.4 XR S - R$ 44.790
    1.6 XS A - R$ 52.500
    TODAS AS FICHAS DOS 207
    TODOS OS EQUIPAMENTOS
    MOTORIZAÇÃO
    Toda a família do 207 divide os atuais propulsores 1.4 8V e 1.6 16V flexíveis, entregando respectivamente 80/82 e 110/113 cavalos de potência e torque máximo de 12,85/12,85 e 14,2/15,5 kgfm (gasolina/álcool). Uma reprogramação do chip de gerenciamento dos motores, diz a Peugeot, permitiu uma performance melhor nas arrancadas. A transmissão manual foi modificada para tornar os engates mais suaves.

    Há um punhado de versões, e dentro delas a diferenciação pelo número de portas. Os nomes em francês (que por aqui geralmente eram lidos como inglês) foram abandonados, e retomou-se uma nomenclatura parecida com a que era usada nas gamas 106, 205 e 306. A mais barata, a 1.4 XR, que já tem ar-condicionado e direção hidráulica de série, começa em R$ 37.790 com duas portas, cerca de R$ 1.500 a menos que o 206 equivalente. Com o motor 1.6, o 207 hatch ganha o apelido XS, começando em R$ 43.300, podendo acrescentar transmissão automática Tiptronic (XS A).

    A mesma lógica se aplica às carrocerias station e sedã. A 207 SW 1.4 XR custa R$ 42.990 (R$ 2.150 menos que o 206 SW equivalente). Já o motor 1.6 vem no 207 SW sempre conjugado à transmissão automática, na versão XS A, de R$ 52.500 (veja a lista de preços completa em quadro nesta página). Por sua vez, o 207 sedã, que foi batizado como 207 Passion (o descarte do "sobrenome" Sedan foi atribuído pela Peugeot à rejeição do consumidor), terá as mesmas versões que o hatch, mas nenhum preço foi divulgado.

    O 206 E O FUTURO
    E do 206, oficializado como carro de entrada da marca, restará a versão Sensation, com propulsor 1.4 e preço inicial de R$ 28.690 -- e mantendo a esdrúxula impossibilidade de conjugar os opcionais ar-condicionado e direção hidráulica. É um, ou outro.

    O lançamento do 207 vai ao encontro do plano da Peugeot de chegar à marca de 150 mil carros vendidos em 2010 (para este ano a meta é 100 mil). Tremendo salto em relação ao último dado anual fechado, de 79 mil unidades emplacadas em 2007. A expectativa é que o 207 hatch mais o 206 Sensation vendam 5.200 carros por mês, contra os atuais 3.700 de todas as versões do 206 hatch. Completa, a família 207 buscará vender 8.700 unidades, ante 4.900 da família 206.

    MAIS DO PEUGEOT 207:
  • Hatch e SW chegam em agosto
  • Um carro em crise de identidade
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  • Chegou o 206 reestilizado

    *Viagem e test-drive a convite da Peugeot do Brasil

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