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20/06/2008 - 20h02

Novo Honda Accord quer ser forte, bonito e luxuoso

Da AutoPress
Especial para o UOL

Quem compra sedãs grandes costuma exigir "algo mais". Se entre os automóveis médios o nível de exigência já é grande, acima deles torna-se vital ser elegante, potente e ter doses generosas de luxo. No caso da oitava geração do Accord, que chegou às concessionárias brasileiras em abril, a Honda buscou valorizar os três aspectos, só que com o toque da minuciosa engenharia japonesa.

Não bastasse o porte imponente, o interior espaçoso e a fartura de itens de segurança e conforto, o três-volumes traz sistemas bem modernos, como o ACE e o VCM2. O primeiro é o Advanced Compatibility Engineering, que distribui o impacto de colisões pela carroceria. O outro é um sistema de gerenciamento variável dos cilindros de segunda geração, que, quando possível, desativa dois ou três cilindros do motor 3.5 V6 de 278 cv (exclusivo da versão top, a EX).
 

ÁLBUM DE FOTOS
Diogo de Oliveira/Carta Z Notícias
MAIS IMAGENS DO ACCORD

Modernidades necessárias ou meras firulas tecnológicas, o fato é que esses e outros recursos emprestam ao Accord a sofisticação que a Honda buscava para reerguer seu sedã no segmento. E estão funcionando. Mal chegou ao Brasil, a nova geração do Accord já dá sinais claros de evolução nas vendas. Só em maio, primeiro mês cheio no mercado, somou 244 unidades, quase sete vezes mais que a média de 37 unidades/mês do modelo antigo no primeiro trimestre do ano.
 

FICHA TÉCNICA
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 3.471 cc, com seis cilindros em "V", 24 válvulas e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto seqüencial.
Transmissão: Câmbio automático de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração na versão EX.
Potência máxima: 278 cv a 6.200 rpm.
Torque máximo: 34,6 kgfm a 5.000 rpm.
Diâmetro e curso: 89mm x 93mm. Taxa de compressão: 10.5:1
Suspensão: Dianteira independente com braços duplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira do tipo Multi-link, com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade na versão EX.
Freios: Dianteiros e traseiros a discos ventilados. Tem ABS com distribuição eletrônica EBD de série na versão EX.
Carroceria: Sedã grande em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,93 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,47 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. Oferece duplo airbag frontal de duplo estágio, lateral e do tipo cortina.
Peso: 1.635 kg.
Porta-malas: 453 litros.
Tanque: 70 litros.
Honda Accord EX 3.5 V6

O desempenho de vendas deixou para trás rivais diretos. Passou por Volkswagen Passat e pelo arqui-rival Toyota Camry, ambos com médias de 83 unidades/mês. À frente do modelo Honda está apenas o fenômeno Hyundai Azera, primeiro colocado com nada menos 1.529 unidades nos primeiros cinco meses do ano -- ou 306 unidades mensais. O nicho ainda tem Peugeot 407 e Citroën C5, bem mais afastados da briga, com 122 e 14 unidades vendidas de janeiro a maio, respectivamente.

DEU CERTO
A Honda, no entanto, acertou a mão com o Accord. Por fora, embora não seja visualmente ousada, a oitava geração do sedã tem contornos mais agressivos, principalmente na dianteira. Os faróis, antes largos e angulosos, agora são compridos e afilados e têm cortes secos e leve inclinação na diagonal, que deixam o sedã de 1,84 metro de largura com aspecto enfezado. Nas laterais, dois vincos (um em cada lado) surgem próximos dos pára-lamas dianteiros e se esticam até as lanternas, reforçando a fluidez dos 4,93 metros de comprimento. Já o perfil baixo, com 1,47 metro de altura, explicita a silhueta esportiva.

O desempenho mais apimentado fica por conta da versão topo de linha EX. Sob seu capô há um vigoroso motor 3.5 litros V6 com 24 válvulas, 278 cv de potência a 6.200 rpm e um generoso torque máximo de 34,6 kgfm aos 5.000 giros. São 38 cv a mais que os 240 cv gerados pela unidade de força 3.0 V6, que empurrava a geração anterior. Para suportá-los, o Accord traz uma suspensão com braços duplos sobrepostos na dianteira e múltiplos na traseira.

Na base da linha Accord há ainda o propulsor 2.0 de quatro cilindros em linha e 16 válvulas da versão LX, com 19,3 kgfm de torque aos 4.300 rpm e 156 cv de potência a 6.300 rpm (6 cv a mais que no modelo anterior). Mas como o Accord é um sedã que prima mais pelo conforto que propriamente pelo desempenho, a versão básica, vendida a R$ 99.800, já sai bem completa de fábrica. Vem com airbags frontais de duplo estágio, faróis de xênon, direção hidráulica progressiva, ar-condicionado, trio, rádio/CD com MP3 e entrada auxiliar, volante multifunção, controle de cruzeiro, além de sensor de luminosidade e o painel blackout, permanentemente aceso.

2.000 NUM ANO
Com pacote ainda mais farto, a configuração EX V6 é vendida a R$ 144.500 e tem a missão de oferecer o glamour inerente ao maior poder de fogo. Na parte de segurança, a configuração adiciona airbags laterais e do tipo cortina, apoios de cabeças dianteiros ativos e controles eletrônicos de estabilidade e tração, além de retrovisor interno eletrocrômico. Já entre os itens de conforto, o Accord top traz ar digital de duas zonas, bancos, volante e manopla do câmbio em couro, ajustes elétricos nos assentos dianteiros, sensor de chuva, disqueteira, subwoofer e teto solar.

Com os dois modelos, a Honda espera vender 2.000 unidades até o fim de 2008, com média mensal 222 unidades. O número é modesto perto dos 306 emplacamentos/mês do Hyundai Azera. Mas os japoneses costumam mesmo ser comedidos, independentemente do produto que vendem.
(por Diogo de Oliveira)
 

DE ZERO A 100 PONTOS, O HONDA ACCORD EX
Desempenho - As primeiras investidas no pedal do acelerador já evidenciam a desenvoltura da versão "top" EX do Honda Accord. Para ir de zero a 100 km/h são necessários 7,5 segundos, com recuperação de fôlego de 60 km/h a 100 km/h em curtos 5,3 segundos com o câmbio posicionado em Drive. A máxima obtida no teste foi de 221 km/h. Mas a impressão é de que o sedã pode ir além. Equipado com um sistema eletrônico que monitora a posição do pedal do acelerador, a caixa automática de cinco velocidade é ágil e faz as trocas no tempo certo, sem delays ou esticadas desnecessárias. Além disso, nas acelerações impressiona a homogeneidade com que o motor sobe os giros. Nota 9
Estabilidade - O Accord impressiona pelo equilíbrio e precisão entre rodas e volante. Mesmo ao levar o veículo à velocidade máxima não há o menor sinal de flutuação, permanecendo nas mãos do condutor. Nas curvas em alta velocidade, mesmo as mais fechadas, não há qualquer menção DE desgrudar os eixos dianteiro ou traseiro. A postura segura diante do asfalto é tanta que induz a investidas maiores no acelerador. Já nas frenagens, o modelo preserva o equilíbrio mesmo em emergências. Nota 9
Interatividade - O Accord é um carro muito bem projetado. O interior foi construído de maneira a evitar que o condutor e passageiros tenham de se esticar para acionar qualquer comando. No caso da versão EX, há ainda ajustes elétricos para os bancos dianteiros, volante multifunção, disqueteira para seis CDs no painel e sensores de chuva, itens que tornam ainda mais simples e prazerosos os passeios a bordo do modelo. Com o ajuste de altura e profundidade do banco do motorista e do volante é possível achar a melhor posição de dirigir. Já o painel do tipo blackout, aceso permanentemente, facilita a leitura das informações. Inexplicável é a ausência do computador de bordo com mais funções -- só informa consumo instantâneo. Nota 7
Consumo - A Honda não informa consumo médio, o que prejudica a avaliação. Sem nota
Conforto - Independentemente do motor, o Accord foi pensado para oferecer um grau mais elevado de conforto que os sedãs médios e compactos. E é bem-sucedido em sua proposta, sobretudo na versão EX. Além dos generosos 2,8 metros de entre-eixos, com sobras para pernas e cabeça, o modelo tem bancos largos cobertos de couro e uma suspensão com braços duplos na frente e múltiplos atrás, que conferem comportamento macio mesmo em pisos muito castigados pela buraqueira. O isolamento acústico, que já era bom, foi reforçado. E para evitar vibrações excessivas do motor V6, quando trabalha com 3 ou 4 cilindros graças à ação do gerenciamento variável de cilindros (VCM2), há um eficiente sistema que ajusta os coxins para rebaterem a vibração, reduzindo o nível de ruído. Nota 9
Tecnologia - Nesse aspecto, o Accord é generoso. Na mecânica da versão EX, o motor V6 traz a tecnologia VCM2, que identifica a necessidade de utilização dos seis cilindros, reduzindo para três ou quatro cilindros de acordo com a situação de rodagem. Assim, embora opte por não dar provas disso, a Honda garante que o consumo é menor. Na estrutura de monobloco, o novo Accord traz o ACE, que distribui o impacto pela carroceria em caso de colisões, similar ao da Volvo. Há ainda apoios de cabeça ativos nos bancos dianteiros, airbags de duplo estágio frontais, além de bolsas laterais e do tipo cortina, freios com ABS e EBD, controles eletrônicos de estabilidade e tração, controle de cruzeiro, entrada auxiliar para tocadores de MP3, entre outros. Nota 9
Habitabilidade - Por sua altura, o Accord requer alguma flexibilidade para acessar a cabine. Mas é só. Uma vez no interior, há tudo o que se pode desejar num sedã desse porte: vasto número de porta-objetos, iluminação total da cabine, acessos amplos, tampas precisas e cintos verticalizados para os cinco passageiros. O porta-malas leva bons 453 litros. Nota 8
Acabamento - A qualidade dos materiais usados no Accord é excelente. Embora tenha muito plástico e pouco tecido na forração para um modelo de R$ 145 mil, não há rebarbas e as peças se encaixam com precisão cirúrgica. de modo geral o interior agrada aos olhos e ao tato. Nota 8
Design - O Accord não chega a ser ousado, mas também não deixa de lado sua veia esportiva. Traz linhas autênticas, com cortes secos nos faróis, visual bruto e postura desbravadora sobre o solo. É o mesmo sedã vendido nos Estados Unidos e no Japão. Nota 7
Custo/benefício - O Accord EX é o típico carro daqueles que desejam status e um motor mais potente que o encontrado em carros médios. No espaço interno, o sedã da Honda vendido a R$ 144.500 é caro em relação a modelos como o mexicano Ford Fusion, que custa R$ 86 mil. Para tentar compensar, traz o motor V6 de 278 cv, que o credencia a brigar, nesse quesito, no topo do segmento com Volkswagen Passat, Hyundai Azera e o arqui-rival Toyota Camry. Nota 6
TOTAL - O Honda Accord EX 3.5 V6 somou 72 pontos em 90 possíveis. NOTA FINAL: 8

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