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13/06/2008 - 22h16

Conectividade e vídeo dominam diversão dentro do carro

Da Auto Press
Equipar o carro tempos atrás significava apenas colocar um aparelho de som relativamente potente e vistosas rodas de liga leve. Mas no ritmo das novas e avançadas tecnologias, um simples rádio/CD player para automóveis já caminha a passos largos para a obsolescência. Esse mesmo equipamento até pode ter o clássico leitor de CD. Mas, se for incapaz de ler MP3 ou não possuir de entrada USB, sua atualidade já estará comprometida.

Até porque, os mais modernos aparelhos chegam ao mercado com propósitos que ultrapassam a simples reprodução musical. Conectividade com telefonia Bluetooth, interatividade com DVDs players ou um chip para aceitar um iPod já são figurinhas fáceis nos novos sistemas de entretenimento automotivo.

No ano passado, estima-se que foram vendidos 2,5 milhões de rádios automotivos em todo o país. Deste montante, cerca de 95% tinha algum tipo de conectividade -- indo desde uma entrada auxiliar até o Bluetooth. E essa busca por interatividade não segue qualquer lógica de poder aquisitivo. Mesmo quem compra um veículo de entrada quer estar "conectado". "O consumidor brasileiro já exige, mesmo num produto mais básico, facilidade de convergência. Não é mais tendência, já é realidade", acredita André Andrade, responsável pelo marketing da Pioneer.

CONECTADAS
Dentro do departamento de peças e serviços da Ford, há um grupo destacado para estudar e pesquisar novos equipamentos de conectividade.
A Renault lançou recentemente o Sandero Nokia, que já vem com sistema de viva-voz com aparelhos celulares da marca finlandesa. Um dos primeiros carros a apresentar esta tecnologia no Brasil foi o Fiat Stilo, em 2006, com a série Connect.
O Citroën Picasso teve uma configuração com DVD player de série em 2006. No ano seguinte, foi a vez da Renault apostar no aparelho com a edição limitada Kids.
O primeiro - e único até agora - veículo nacional com GPS de série é o Chevrolet Vectra GT.
Em maio, a Pioneer inaugurou uma fábrica em Manaus onde são fabricados, entre outros aparelhos, equipamentos de som automotivo.
A Volvo lançou recentemente um GPS integrado com Bluetooth da Garmin International que equipa toda a linha de veículos da marca sueca vendida no Brasil.
A Panasonic firmou parceria com a Apple. As entradas de USB dos rádios da marca japonesa possuem um chip da Apple para reconhecer o iPod.
A procura por aparelhos conectáveis está intrinsecamente relacionada com a praticidade. Afinal, é mais fácil transportar um MP3, um pendrive, um SD Card ou um iPod do que vários discos. Além de armazenar mais músicas, são dispositivos imunes a pulos ou arranhões. "Há uma grande interação com pendrive e cards. Grande parte dos CD players são produzidos com conexões. A tendência é diminuir o uso de discos e integrar toda essa mídia", afirma Wilson Calza Junior, diretor de desenvolvimento da Stetsom.

Mais dinheiro, mais conexão
Mas é lógico que, conforme cresce o poder aquisitivo, mais a conectividade fica abrangente. Tanto que vários aparelhos oferecidos no mercado trazem conexão com telefonia viva-voz Bluetooth, que usa o sistema de som do carro. Isso sem contar os DVD players, que além de entradas para videogames (que garantem a paz dos pais enquanto a criançada enfrenta vilões extraterrestres no banco de trás) também oferecem conectividade com rádio e entradas para cards de memórias. Ou seja, podem reproduzir e armazenar fotos e outros arquivos.

"A parte de estocagem tem sido muito explorada. A tendência é que os aparelhos passem a ler várias unidades, como se fosse um computador", aposta Mario Wagner Okuno, diretor geral da Mobimax

Com isso, os próprios aparelhos se tornam também organizadores de arquivos. "É possível listá-los como se fosse num navegador do PC. Fica prático. Imagina procurar música apenas com a tecla para frente num pendrive de 2 giga", pondera Ernani Takahashi, gerente de produto da linha Xplod da Sony, cuja série CDX oferece a função de organizar pastas. O próprio DVD já abriga novas mídias. Na Europa, muitos são conectados a navegadores por uma entrada comum RCA. Nessa lógica, no Brasil, a Stetsom, lançou recentemente o Car Trip 200, conhecido na Europa como GPS Box, que tenta ser uma alternativa aos navegadores portáteis.

Divulgação

Renault Sandero oferece a série Nokia, que traz em aparelho fixado no vidro, entre outras coisas, GPS e audio streaming
Vídeo dominante
E as empresas mostram que a tendência é mesmo ampliar o leque de interação. Os próprios GPS, portáteis ou não, armazenam arquivos de música e de vídeos. Isso sem falar na união do Bluetooth com rádios e outros dispositivos. Na Mobimax, por exemplo, o aparelho Car Theater 2Din reúne 18 informações: desde a pressão dos pneus até as imagens de câmaras de vídeos na parte traseira ao se engatar a ré.

E a grande tendência apontada pelas empresas do setor é mesmo a convergência para vídeo. O que inclui não apenas DVD e sistema de som, mas também TV e rádio digitais. "O que vai dominar daqui para a frente é o video. Envolve até a TV digital interagindo com GPS e câmaras de vídeo no próprio veículo com sensores de estacionamento", prevê Maurício Guarnieri, analista de produtos da Panasonic.

Preço no alto
A busca por aparelhos modernos e pela convergência de mídias dentro do carro ainda esbarra no preço. Aparelhos de DVD, navegadores GPS e sistemas de som com muitas funções agregadas ainda são para poucos porque, em média, custam mais de R$ 1.000. "Há muitas tecnologias avançadas que não chegaram ao Brasil. Tudo que se quer trazer para cá fica caro por conta dos impostos. Isso impede que o mercado seja maior", critica Okuno, da Mobimax.

Mesmo assim, os aparelhos vêm ficando mais baratos -- reflexo da queda do dólar e do aumento da concorrência. Um aparelho de GPS para carro não saía por menos de R$ 2.000 em 2006. Hoje, já se encontra navegadores por menos de R$ 1.000. O mesmo ocorreu com DVDs e até rádios com entradas auxiliares. "É uma conjunção de fatores: preço do produto mais acessível, poder de renda do brasileiro crescendo. Panorama favorável para que as pessoas consigam equipar seus carros", afirma Wilson Calza Junior, da Stetsom. (por Fernando Miragaya)

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