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30/05/2008 - 22h30

Carros importados já têm 12,1% do mercado brasileiro

Da Auto Press
Dólar pouco valorizado frente ao real. Um mercado interno de automóveis que bate recordes atrás de recordes. Prazos de financiamento a perder de vista. O momento está mais que favorável para os carros importados. Em abril de 2006 eles respondiam por apenas 6,1% do total de licenciamentos de veículos leves no país. No mesmo mês do ano passado essa participação passou para 9,7%, e em abril último chegou a 12,1%.

No acumulado do ano, já são 111.167 unidades vendidas, 66,2% a mais que os primeiros quatro meses de 2007, quando 66.905 automóveis e comerciais leves trazidos de outros países chegaram às ruas brasileiras. Um percentual que representa mais que o dobro do crescimento do mercado geral, que avançou cerca de 30% na comparação entre os mesmos períodos. "Ainda que o dólar não desvalorize mais, a importação de automóveis continuará crescendo. O processo é cumulativo. O consumidor vai obtendo confiança e o comerciante vai cultivando o mercado", acredita o economista Julio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

RÁPIDAS
Um veículo, para ser importado, tem de passar por um processo de homologação que pode levar de três a seis meses.
  • Além dos 35% de taxa alfandegária, os modelos importados têm de pagar os mesmos impostos que um produto feito aqui: ICMS, PIS/Cofins e IPI.
  • Entre os compactos, poucos são os importados de fora do México e Mercosul. A exceção é o Kia Picanto. A Citroën chegou a pensar em trazer o C2 em 2003, mas desistiu porque o carro teria um preço pouco competitivo.
  • A Argentina tem um acordo comercial com a Bélgica. Essa é a justificativa para a Ford vender no país vizinho o sedã médio-grande Mondeo e a minivan derivada do modelo, a S-Max. No Brasil, a marca substituiu o Mondeo pelo Fusion, que é trazido do México.
  • Nesse panorama, os modelos vindos dos Estados Unidos levam uma pequena vantagem. Afinal, o dólar vem desvalorizando não só em relação ao real, mas também em relação ao euro. "São necessários menos reais para comprar os mesmos dólares. E, como a moeda está enfraquecida em relação ao euro, fica mais fácil importar em dólar", diz Dante Marchiori, diretor de importação, exportação e planejamento de vendas da Ford.

    Só que esta diferença cambial é diluída na hora da aduana. "Tudo aquilo que entra no país é convertido para dólar antes de virar real. Com o dólar nesse patamar, compensa importar", explica Mario Mizuto, gerente de vendas da Citroën.

    Sul-coreanos
    Nessa enxurrada de automóveis importados, os sul-coreanos viraram uma espécie de coqueluche no mercado brasileiro. "O baixo custo de produção e a relação custo/benefício desses modelos são diferenciais", aponta o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. Não bastasse o Hyundai Tucson, utilitário esportivo compacto que se tornou um fenômeno de vendas com mais de 1.500 unidades/mês, outros modelos fazem a festa.

    A Kia emplacou 480 modelos Picanto em abril, num mercado tão competitivo como é o dos compactos. Isso sem falar nos 167 sedãs Cerato, ultrapassando modelos como Toyota Camry e Chevrolet Omega, que dispõem de redes de concessionárias bem maiores. Até mesmo a Hyundai, com o recém-lançado Azera, já emplacou 470 unidades do sedã de luxo.

    DÓLAR CAI, PREÇO NEM TANTO
    Mesmo com o dólar em patamares cada vez menores, raros são os casos de automóveis importados que tiveram seus preços reduzidos no Brasil. Os especialistas do setor, é claro, sempre têm justificativas. Uma delas é a questão da logística para se importar um carro para o país. Além do tempo para homologá-lo, é necessário capacitar a rede de concessionárias e fazer estoque de peças.
    "O câmbio não interefere na complexidade ou na burocracia. É muto difícil importar no mercado brasileiro", garante Marcos Saade, diretor de vendas e marketing da Volvo. Além disso, há a lógica capitalista de praticar o preço que o mercado aceita. Ou seja, se posiciona o produto de acordo com o que o consumidor está disposto a pagar por ele, independentemente de ele poder custar, por exemplo, 20% a menos do que realmente se cobra por ele.
    E também há outra famosa máxima liberal, a de "recuperar o tempo perdido". "Quando o dólar chegou a R$ 3,80 em outubro de 2004, os importadores tiveram de subsidiá-lo, ou seja, tiveram de praticar preços em real como se o dólar estivesse a R$ 2,70. Agora, ou em outras épocas favoráveis, cada qual procura compensar perdas do passado", alega Jörg Henning Dornbusch, presidente da Abeiva.
    Reação das grandes
    Sempre atentas à movimentação da concorrência, as marcas mais tradicionais no mercado nacional se preparam. A Ford vai trazer o Edge, enquanto a General Motors vai importar o Captiva a partir de agosto. Ambos chegarão para brigar justamente com o Tucson. O Captiva vem com a vantagem de ser feito no México, país com o qual o Brasil tem um acordo comercial que praticamente isenta de taxas alfandegárias os produtos importados e exportados para lá (paga-se um simbólico 1%).

    Tanto que, no acumulado do ano, foram 75.641 unidades trazidas do México e dos países do Mercosul -- leia-se, principalmente, Argentina, que goza de alíquota zero. Carros vindos de outros países não incentivados somaram 29.231 unidades, segundo dados da Abeiva (Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores), que reúne atualmente seis marcas e suas representações no Brasil: as alemãs BMW e Porsche, as italianas Ferrari e Maserati, e as sul-coreanas SsangYong e Kia.

    Queixas prosseguem
    Apesar das vendas em elevação, os importadores mantêm o tom crítico. O alvo principal das lamúrias continua sendo a taxa de importação de 35% para carros vindos de outras partes do mundo fora México e Mercosul. Tanto que representantes da Abeiva devem se reunir em junho com o ministro do Desenvolvimento Econômico, da Indústria e do Comércio, Miguel Jorge. Na pauta, a redução da alíquota.

    "A Abeiva tem uma proposta de cotas tarifárias, sistema de vigorou de agosto de 1996 a dezembro de 1999. Ou seja, os importadores teriam uma cota de unidades de veículos com alíquota zero. Acima da quantidade estabelecida, os modelos seriam taxados", diz Jörg Henning Dornbusch, presidente da entidade. (por Fernando Miragaya)

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