UOL Carros
 
16/05/2008 - 11h40

Honda CR-V é bom de guiar, mas traz pouco por R$ 94,5 mil

Da Redação
Murilo Góes/UOL
O crossover Honda CR-V possui modernidade nas linhas
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Ninguém quer ficar de fora da festa da indústria automotiva, que este ano deve bater todos os recordes de produção e vendas. Muito menos a Honda, que em 2007 conheceu o gostinho de liderar um segmento do mercado (sedãs médios, com o Civic). Além de trazer as novas linhas do Accord e do Fit (este no segundo semestre), a marca japonesa agora importa o crossover médio CR-V em duas versões -- uma delas, a LX, é mais "pelada" e oferece apenas tração dianteira. Concorre em preço com SUVs como o Hyundai Tucson, e já começa a cavar as trincheiras contra os vindouros Chevrolet Captiva e Ford Edge.

UOL Carros avaliou em primeira mão na mídia online o CR-V LX, cujo preço sugerido é de R$ 94,5 mil. A Honda pede R$ 110 mil pela versão EXL -- antes o crossover vinha em versão única, a EX, que custava R$ 124 mil. A linha atual é feita no México; a anterior vinha do Japão. Ficou mais barato para a empresa trazer o carro.

Tenha em mente que a meta declarada da Honda é multiplicar as vendas do CR-V por cinco: de 1.864 unidades no ano passado, quer saltar para 9.000 em 2008. Desse total, cerca de 6.470 seriam da versão básica.

À primeira vista o CR-V causa ótima impressão; na opinião de UOL Carros, é um dos veículos mais bonitos à venda no Brasil. Sua aparência consegue ser ao mesmo tempo sinuosa e robusta, com destaque para a linha de cintura alta e praticamente paralela ao solo, da qual parte a curva acentuada das janelas, demarcada por um belo friso cromado. A dianteira harmoniza a grade em dois níveis (também com barras cromadas) e o conjunto óptico como se fossem um pássaro de asas abertas -- e, vista de lado, lembra ela mesma a silhueta de uma ave agressiva. A traseira em forma de sino é delimitada por grandes lanternas afiladas e bem verticais.
 

Fotos: Murilo Góes/UOL

A versão LX tem apenas tração dianteira; o sistema 4x4 automático é reservado à EXL

Linha de cintura alta e reta, músculos e lanternas traseiras de grande porte dão charme ao CR-V

Conjunto óptico dá aparência "bicuda"ao carro; painel é elegante e inclui computador de bordo
MAIS FOTOS EXCLUSIVAS DO HONDA CR-V LX

Esse design do CR-V o afirma decididamente como um crossover (mistura de dois tipos de veículos; no caso, utilitário esportivo e minivan), já que é bem mais arredondado que o do modelo anterior, que durou até o final de 2006. A tendência é justamente que os crossovers percam a cara de jipe e ganhem uma certa elegância modernosa e urbana; o melhor exemplo é o BMW X6, quase um cupê gigante. Mas o CR-V também a traduz muito bem.

O QUE TEM E O QUE NÃO TEM
Só que não são nada modernosas algumas deficiências inexplicáveis num carro de quase R$ 95 mil. O CR-V (como outros produtos da Honda, aliás) promete um show de tecnologia, mas não oferece nem ao menos luz de cortesia nos espelhinhos dos pára-sóis. Outra ausência na versão LX que UOL Carros classifica como absurda: não há faróis de neblina (mas os orifícios no pára-choque estão lá).
 

PREÇOS CONTRA PREÇOS
HONDA CR-V
LX: R$ 94,5 mil
EXL: R$ 110 mil
HYUNDAI TUCSON
GL 2.0 2WD aut.: R$ 84,6 mil
KIA SPORTAGE
2.0 2WD aut.: R$ 84,4 mil
TABELA FIPE

O CR-V LX vem equipado com ar-condicionado, direção eletroassistida (muito boa) regulável em altura e profundidade, o computador de bordo que faz tanta falta no Civic e no Fit (mas com poucas funções) e controle de cruzeiro (ou "piloto automático") com comandos no volante. Até aí, nada mais que a obrigação. Felizmente, possui um painel de bom gosto (e não o fliperama do Civic), com dois mostradores principais redondos e um bloco central retangular -- um formato bem europeu e bem elegante. E o que agrada mesmo, especialmente a quem tem família grande, é a abundância de porta-objetos, a incrível facilidade para rebater o banco traseiro (divisível em três partes) e o bom espaço interno (o entre-eixos é de 2,6 metros).

Por sua vez, o acabamento é simples demais, abusa dos plásticos e tem um dos puxadores de porta mais feios que já vimos (parece uma manivelona de janela). Os bancos em tecido são compreensíveis, já que na Honda o couro é um diferencial entre as versões -- mas o material empregado no LX poderia ser mais firme. Reconheça-se: a posição de dirigir é excelente (a melhor da marca).

RODANDO
Boa parte dessas restrições pode se dissipar ao girar a chave e soltar o freio de estacionamento (no pé, como em picapes) do CR-V. Mostrando que não tem (mais) nada a ver com o "terrão", o carro roda bem em ambiente urbano, muito por causa de uma suspensão que parece ter sido feita sob encomenda para o asfalto meia-boca das nossas cidades: é firme (ou seja, inadequada para o off-road, percurso que nem testamos, devido à ausência de tração 4x4), mas não é dura. Em estradas de boa qualidade o conforto é total.

Apesar de volumoso e "altinho", o CR-V é ágil no trânsito. O volante obtém respostas rápidas das rodas, o que permite guiar quase como se fosse um hatch -- mas com o bônus da posição elevada de dirigir e a sensação geral de segurança que um carro maior garante. Só não se entusiasme muito nas curvas: basta entrar um pouco forte e ter de segurar o carro no braço para que os pneus comecem a cantar. Solicitados, os freios respondem rápido, e as beliscadas no pedal indicando que o ABS (antitravamento) está em ação surgem mesmo em frenagens aparentemente tranqüilas. Melhor assim. Há também o sistema EBD (distribuição eletrônica da frenagem). Os itens de segurança da versão LX encerram-se com dois solitários airbags frontais.
 

ESPECIFICAÇÕES


MOTOR: liga de alumínio, 4 cilindros em linha, 1.997 cm³
TRANSMISSÃO: tração dianteira (2WD), câmbio automático com 5 velocidades e overdrive
DIMENSÕES: entre-eixos 2,62 metros; comprimento 4,52 metros; peso 1.595 kg
VEJA A FICHA COMPLETA

TREM DE FORÇA
O motor i-VTEC de quatro cilindros, 16 válvulas com comando simples, 2.0 litros, que gera potência de 150 cavalos a 6.200 rpm e obtém torque de 19,4 kgfm a 4.200 rpm, não opera milagres (e isso vale para as duas versões do carro, já que o motor é o mesmo). O CR-V custa um pouco para acordar, e mesmo quando está em velocidades mais altas o câmbio automático de cinco marchas (com primeira e segunda acionáveis manualmente, além do botão D3 para manter o carro em terceira) não arrisca: reduz a marcha a qualquer pisada mais decidida no acelerador, buscando força extra. É um efeito do sistema Grade Logic Control, que gerencia as marchas de acordo com a situação de rodagem. Na estrada, com o CR-V já embalado, pode-se usar o controle de cruzeiro para manter a velocidade no limite permitido. E não se preocupe: ao ver a "cara" desse crossover no retrovisor, todo mundo sai da frente.

A Honda tem o mau hábito de não divulgar dados de velocidade e consumo de seus produtos. Bem, se pudermos confiar no computador de bordo... obtivemos gasto médio de gasolina de 7,8 km/l, rodando 50% em estrada e 50% na cidade. Não é um resultado ruim, mas ele significa que o CR-V não percorrerá muito mais de 400 km com o tanque de 58 litros do derivado de petróleo. Já o velocímetro vai a 220 km/h. Claro que é um exagero e que nem tentamos chegar perto disso, mas o CR-V comporta-se com naturalidade na faixa dos 150 km/h.

VALE OU NÃO VALE?
O Honda CR-V é um carro bom de guiar, espaçoso e confortável, e garante visibilidade a quem vai dentro. Especialmente na cor preta, atrai olhares pelas ruas. Resta calcular quanto isso representa nos R$ 94,5 mil do preço final da versão LX. Há opções mais completas no mercado, mas para quem gosta da marca Honda e sente afinidade com o modelo, é uma compra defensável -- porque é emocional.

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