UOL Carros
 
12/05/2008 - 13h01

Algumas voltas com o Audi R8, que chega em junho

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Itu (SP)
Está marcado para junho o lançamento oficial no Brasil do Audi R8, superesportivo da marca alemã que custará cerca de R$ 600 mil. Por ora, o carro pode ser visto no filme "O Homem de Ferro": é o preferido do milionário e herói Tony Stark. A expectativa da Audi é vender por aqui 20 unidades do R8 por ano -- inclusive neste 2008 --, peitando principalmente carros da Porsche.

Mostrado pelo primeira vez como carro de produção no Salão de Paris de 2006, o Audi R8 remonta ao conceito Le Mans Quattro, que estreou em Frankfurt em 2002 inspirado no carro de competição que ganhou cinco vezes a prova homônima. Desde então, o R8 tem sido a estrela do estande da Audi nos principais salões do carro -- como no de Detroit, em janeiro último.

O que mais chama a atenção nesse brinquedinho para poucos é motor central, posicionado atrás da cabine e visível do lado externo pela tampa translúcida. É um 4.2 litros com oito cilindros em V, dotado do sistema FSI (injeção estratificada de combustível) e acoplado à transmissão automática de seis velocidades R tronic ("irmã" da excelente S tronic que equipa o A3 Sportback e o TT). O propulsor é capaz de entregar 420 cavalos de potência a 7.800 rpm, e gera torque de 43,9 kgfm, disponível a partir dos 3.500 giros.

A carroceria, feita em alumínio, pesa pouco mais de 1,5 tonelada. Por isso, cada cavalo do motor precisa puxar apenas 3,71 kg. Não admira que o Audi R8 vá de zero a 100 km/h em 4,6 segundos, e de zero a 200 km/h em 14,9 segundos. A velocidade máxima, segundo a fábrica, é de 301 km/h. Isso tem um preço: no tráfego urbano (sempre segundo a Audi), o R8 bebe um litro de gasolina a cada 4,5 km rodados. Na mesma condição, despeja imorais 528 gramas de CO2 (dióxido de carbono, gás do efeito estufa) a cada km (a União Européia quer limitar as emissões a 120 g/km).

MAIS DO SUPERESPORTIVO
Divulgação
O conjunto óptico do Audi R8 traz uma linha traçada por LEDs
Crédito
O motor V8 fica montado atrás da cabine, que leva duas pessoas
Reprodução
Clique aqui para ver o R8 no filme "O Homem de Ferro", em cartaz no país
Pode-se descrever o design do R8 como "insinuante". Como sua carroceria de cupê de dois lugares é muito baixa e fica bem próxima do solo (o carro tem 1,25 m de altura e distância livre de apenas 11 cm), de alguns ângulos ele parece fazer parte da pista -- como se fosse uma suave ondulação brotando do asfalto. Embora tenha DNA de competição, o Audi R8 não parece uma caricatura; suas formas não atendem apenas à função de correr, mas também ao bom gosto. Basta observar o conjunto óptico dianteiro, uma verdadeira jóia sublinhada pela iluminação em LEDs. A traseira é um pouco menos entusiasmante, mas harmoniza bem com o conjunto, e traz a assinatura do V8: os dois escapes duplos.

UOL Carros participou de um rápido test-drive do Audi R8 nesta segunda-feira (12), num kartódromo em Itu, interior de São Paulo. A pista é limitada em termos de extensão, mas possui curvas interessantes.

Após ser acolhido no interior do R8 pelo envolvente banco esportivo (em couro), basta deslocar a alavanca do câmbio R tronic para A (de automático -- não há a posição D, de drive) e fazer o carro rodar. Pode-se deixar a transmissão trabalhar sozinha (e, aparentemente, ela sempre vai procurar o máximo de força), ou então realizar trocas seqüenciais na própria alavanca ou nas borboletas atrás do volante. Que, aliás, tem a base achatada, aumentando a sensação de estar dentro de um bólido.

Obviamente, não foi possível chegar nem ao menos a um terço do desempenho prometido pelo R8: numa pista como essa seria temerário passar muito dos 105 km/h, a velocidade máxima que pudemos desenvolver (tanto em segunda como em terceira marcha). Mas, na exígua reta, o carro mostrou uma força absurda, colando o motorista ao banco para disparar de 60 km/h a 100 km/h no que pareceram meras frações de segundo. A tração permanente nas quatro rodas e os pneus largos e de perfil baixo (295/30, calçando rodas de aro 19 na unidade pilotada) mantêm o carro absolutamente grudado na pista, dando confiança ao motorista para que ele abuse cada vez mais nos traçados sinuosos.

Foi o que fizemos. A sensação de segurança dentro do R8 é tanta, e o ronco do motor é tão hipnótico, que para UOL Carros o melhor freio não foi o do próprio veículo (que, claro, possui ABS e controle de estabilidade), e sim a repetição mental da cifra "R$ 600 mil, R$ 600 mil". E também o aviso do assessor da Audi, feito pelo rádio: "Desculpe, mas você já andou bastante. Volte para os boxes".

Apropriadamente: a ordem de largar a direção do Audi R8 tem mesmo de vir acompanhada de um pedido de desculpas.

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