UOL Carros
 
09/05/2008 - 22h40

Citroën mostra Grand C4 Picasso tecnológico e panorâmico

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
Atualizada às 16h19 de 10/5

A Citroën do Brasil apresentou nesta sexta-feira (9) à imprensa a minivan Grand C4 Picasso, que chega importada da unidade da montadora francesa em Vigo, na Espanha. Com sete lugares e uma quantidade de tecnologia rara de ser ver em carros disponíveis no país, ela custa R$ 89.800. Com o único opcional disponível, o teto solar panorâmico, vai a R$ 93.800.

O carro da Citroën vai disputar espaço com outros monovolumes de porte médio-grande recém-chegados ao mercado, como a Chrysler Town&Country (na faixa de R$ 190 mil) e a Renault Grand Scénic (cerca de R$ 88 mil). A expectativa da montadora é vender 500 unidades do modelo por mês.

O Grand C4 Picasso chega com o mesmo motor 2.0 a gasolina do C4 Pallas, capaz de entregar 143 cavalos de potência. Na verdade, todo o trem de força é igual ao do sedã: a transmissão é a mesma, automática de quatro velocidades (com opção de trocas manuais em borboletas atrás do volante).

Um dos destaques do veículo é o pára-brisa aumentado, batizado de Space Vision. Segundo a Citroën, ele amplia em 100% o ângulo de visão do motorista. Para permitir esse efeito (que é realmente impressionante), os para-sóis são retráteis. Com o teto solar, quase toda a cobertura do Grand C4 Picasso fica translúcida. Haja protetor fator 30 e óculos escuros...

Há muitos outros mimos: um compartimento refrigerado no painel faz as vezes de frigobar; luzes no porta-objetos das portas acendem-se com a aproximação das mãos; o ar-condicionado é quadrizone (há regulagem autônoma para quatro saídas) e, segundo a Citroën, deixa a poluição do lado de fora; há porta-objetos nos lugares mais inesperados (como no topo do painel); as mesinhas tipo avião para os passageiros de trás tem luz de leitura; o display digital, semelhante ao do Pallas e VTR, pode mudar de branco para vários tons de azul (exclusividade do Grand C4 Picasso). O volante possui miolo fixo.

OTIMISMO À FRANCESA
A apresentação do Grand C4 Picasso à imprensa também serviu para a Citroën marcar o início da despedida de seu atual presidente, Sergio Habib, que deve deixar o cargo em junho, e a chegada ao poder do francês Jean-Louis Orphelin, 61 anos. Dono de mais de 30 concessionárias da marca e pioneiro em sua importação para o Brasil, Habib deverá continuar como "assessor informal" da empresa.
Mesmo mais comedido em suas declarações que o executivo brasileiro, Orphelin parece partilhar do entusiasmo com o mecado automotivo do país. "Na Europa, um crescimento de 5% da indústria é considerado bom. Aqui, hoje, se crescer 15% vão achar pouco". Em particular, ele afirma admirar a tecnologia bicombustível desenvolvida e produzida aqui pelas montadoras (inclusive pela Citroën em parte de sua gama).
E até na contramão do uso do álcool Orphelin vê boas perspectivas para o país: sobre a recente descoberta de grandes reservas petrolíferas, disse: "O Brasil sempre se estruturou sem ser produtor de petróleo, sem basear sua economia nisso. E agora descobre esses campos. É um 'algo a mais' para o país".
Orphelin tem 61 anos e está na Citroën desde 1971. Chefiou a empresa em suas filiais na Áustria e na Itália. Desde 2002 ocupa o cargo de diretor de comércio internacional para a América Latina e Central.
Fora isso, o carro oferece um auxiliar de estacionamento (que mede a vaga e avisa se há espaço para parar nela), sensor de obstáculos envolvente (não apenas na trasera), sete airbags (até para os joelhos do motorista) e um punhado de sistemas de segurança na frenagem que inclui ABS (antitravamento), ESP (controle de estabilidade), ASR (antiderrapagem), AFU (auxiliar nas frenagens de emergência) e REF (repartidor eletrônico).

UOL Carros participou de um rápido test-drive do carro, dirigindo num trecho de estrada entre Campinas e São Paulo -- mas, como aconteceu com milhões de outros motoristas nesta sexta, sofreu os efeitos do congestionamento recorde de 266 km na capital (no caso, quando ainda estava na rodovia Anhangüera). Por isso, deixa para depois a avaliação completa do Grand C4 Picasso. Ela deve ser publicada nas próximas semanas.

Próximos passos
Durante o lançamento do Grand C4 Picasso, uma palestra do atual presidente da Citroën no Brasil, Sergio Habib, e uma conversa informal com o próximo, Jean-Louis Orphelin (mais sobre ele no box), deixaram claro que a marca pretende continuar apostando em veículos "premium" em cada segmento do mercado. Habib, por exemplo, lembrou que o valor médio dos carros comprados no Brasil hoje é de R$ 50 mil, contra R$ 43 mil dois anos atrás. "O espaço do carro popular [de entrada] está diminuindo", disse. Tanto ele quanto Orphelin lembraram que, apesar do trânsito infernal, as ruas das grandes cidades do país comportam carros de maior porte (e, portanto, mais caros), e há mais vagas de estacionamento. "Na Europa isso não existe", afirmou o executivo francês.

Assim, a vinda ao Brasil de novos modelos compactos da Citroën, como o C1 e o C2, parece descartada. Se importados, ambos acabariam desembarcando por aqui mais caros que o C3, hatch compacto que responde por 60% das vendas da marca. Isso geraria um mau posicionamento de preço e ainda arriscaria uma "canibalização" do modelo mais bem-sucedido da Citroën no país.

Mas é certo que o C3 passará por uma reestilização, provavelmente ainda este ano, talvez para exibição no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro. Será a primeira desde que foi lançado, em 2003. Outra novidade: o C3 terá versão com transmissão automática -- o que o colocará em rota de colisão com o Honda Fit com câmbio CVT e o Peugeot 206 automático. Também vem por aí o C4 hatchback, até o final do ano ou no começo de 2009. Sua briga será com modelos como Volkswagen Golf e o renovado Ford Focus.

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES