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29/04/2008 - 15h37

Por R$ 4 milhões, um Zonda F pode ser seu

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
O carro mais caro jamais vendido no Brasil está em território nacional e tem ao menos três potenciais compradores, dispostos a desembolsar R$ 4 milhões (isso, R$ 4 milhões) pela máquina. Trata-se do Zonda F, um superesportivo feito artesanalmente pela Pagani Automobili, de Modena, na Itália.

O Zonda F é importado pela Platinuss, empresa especializada em trazer ao Brasil carros para endinheirados que gostam de performance -- como modelos Lamborghini e Lotus. Na Europa, o Zonda F custa de 700 mil a 1 milhão de euros, o que, transposto para reais, daria um preço máximo de R$ 2,8 milhões. Cerca de R$ 1,2 milhão do valor final no Brasil refere-se a impostos, frete e, claro, ao lucro do importador.

De acordo com Natalino Bertin Junior, dono da Platinuss, quem desembolsar essa fortuna pelo Zonda F também deverá arcar com um seguro cujo prêmio está na faixa de 6% do valor do carro -- ou seja, R$ 240 mil. A apólice é feita no exterior, porque no Brasil não há seguradora que a aceite.

Este ano e no próximo, somente duas unidades do Zonda F serão vendidas no Brasil. A partir de 2010, Bertin quer trazer e comercializar dois carros a cada ano. Eventuais compradores desse "brinquedo de gente grande" (como definiu o próprio Horácio Pagani, argentino radicado na Itália e dono da marca) têm o sigilo da identidade garantido. Evidentemente, assim que um deles sair da loja a fofoca começará a correr nas colunas sociais

Como é o carro
O Zonda F é uma supermáquina. A unidade mostrada aos jornalistas nesta terça-feira (29), em São Paulo, tem o amarelo como cor predominante na carroceria de fibra de carbono. A segunda cor é um cinza mesclado com preto. Não deu para chegar muito perto, mas o interior pareceu acolhedor para duas pessoas, com bancos em couro e volante de base achatada. O motorista posiciona-se no Zonda F como num carro de competição. Nada diferente de modelos Lamborghini e Ferrari.

Cláudio de Souza/UOL

Bertin (esq.), o importador, e Horácio Pagani, o criador; traseira do superesportivo possui escape quádruplo e dois defletores de ar; motor é central
O próprio Pagani encarregou-se de fazer o motor girar lá no alto. Pisou fundo no acelerador (com o carro parado) e gerou um ruído semelhante ao que se ouve em Interlagos. O Zonda cospe seus gases por um escape de saída quádrupla, bem no meio da traseira, lembrando um canhão antiaéreo.

O propulsor -- montado na parte central do carro -- é feito sob medida pela AMG, divisão de apimentados da Mercedes-Benz. Trata-se de um V12 com 7.3 litros de capacidade, 48 válvulas, capaz de gerar apoteóticos 659 cavalos a 6.150 rpm. Devido ao peso de cerca de 1.300 kg, a relação peso/potência é de 2,04 kg/cavalo. Por isso o Zonda F pode ir de 0 a 100 km/h em apenas 3,5 segundos, e atinge 345 km/h de máxima (dados do fabricante). O trem de força é complementado por uma transmissão manual de seis marchas.

Um número interessante é o da frenagem, fornecido em unidade de tempo: o carro levaria 4,4 segundos para descer dos 200 km/h à imobilidade. Os freios a disco são da grife Brembo. Detalhe: as rodas têm tamanhos diferentes nos dois eixos. À frente, são de aro 19 polegadas e calçadas por pneus 255/35. Atrás, são maiores e mais largas: 20 polegadas, envolvidas também por pneus de perfil baixíssimo, os impressionantes 335/30 da Michelin.

Assim é esse "brinquedão", disponível no Brasil para aqueles que não têm mais onde gastar o seu rico dinheirinho. Apenas para registro: logo após deixar a entrevista de lançamento do carro de R$ 4 milhões, o repórter parou num farol numa esquina da zona oeste de São Paulo. Ali, por longos e penosos dois minutos, assistiu a um morador de rua abrindo sacos de lixo e separando seu "almoço" entre a comida jogada fora. Cena apropriada para lembrar que a vida não está melhor só porque há um Zonda F à venda na cidade.

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