UOL Carros
 
28/04/2008 - 20h46

Fox 'invocado' é destaque na linha 09 da VW

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Volkswagen apresentou nesta segunda-feira (28) quase todas as novidades de sua linha 2009. Esse "quase" é por conta do vindouro novo Gol, ainda um segredo muito bem guardado pela marca. As mudanças incluem novos nomes e motores, equipamentos antes inéditos e até uma série "tunada" do Fox e outra, "tecnológica", do Golf.

A nomenclatura da gama mudou. Não há mais versões City, e a Plus permanece apenas no Fox. As configurações de entrada passam a ser conhecidas por Gol 1.0, Polo 1.6, Golf 1.6 etc. A designação Sportline fica com os hatches de acabamento mais sofisticado, e Comfortline vira exclusividade dos sedãs. Fora isso, há as séries especiais.

A reforma nas versões da gama veio acompanhada de dois novos propulsores, nas tradicionais capacidades 1.0 e 1.6 litro, mas com mais torque, denominados VHT (Volkswagen High Torque). É uma clara resposta ao assédio de concorrentes como Fiat Punto e os Renault Sandero e Logan -- esses dois têm até um motor de nome semelhante. Só que o Gol ficou de fora. Continua com os propulsores "velhos" de 1.0 e 1.6 litro.

O motor EA111 VHT 1.0 entrega o mesmo torque e potência dentro de todos os modelos: 9,7/10,6 kgfm a 3.850 rpm e 72/76 cavalos a 5.250 rpm (gasolina/álcool). O acréscimo foi de 3 cv com álcool no tanque. Esses números aparecem em giro mais baixo que no propulsor anterior (torque a 4.300 e potência a 5.750). Ou seja, é feito para responder com agilidade no uso urbano.

Já o motor EA111 VHT 1.6 entrega 15,4/15,6 kgfm a (notáveis) 2.500 rpm e 101/104 cavalos a 5.250 rpm (gasolina/álcool). O ganho na potência é de apenas um cavalo com o combustível vegetal. Outra vez, o desempenho surge mais cedo (no motor anterior, torque a 3.250 giros e potência a 5.750 giros). Os novos propulsores equipam os modelos Fox (1.0 e 1.6) e CrossFox (1.6); Polo e Polo Sedan (1.6); e Golf (1.6).

Por dentro, o que a linha 2009 da Volks traz de mais interessante é a (tardia) inclusão do computador de bordo no Polo, uma falha que se tornaria absurda caso continuasse por mais um ano, e uma variedade de sistemas de som com interatividade e conectividade aumentadas -- ou seja, têm entradas USB e para SD-Card. Detalhe: o rádio mais básico, denominado Concept e disponível em Gol, Parati, Saveiro, Fox e CrossFox, simplesmente não toca CDs.

'Bravinho' chama a atenção
A Volkswagen pede R$ 38.940 pelo Fox Extreme (dotado somente do motor VHT 1.6), que ela chama de "o primeiro carro brasileiro 'tunado' de fábrica". Deixando de lado a contradição em termos, esse hatch oferece: belas rodas de aro 15 polidas; volante e alavanca do câmbio em couro (presente também em detalhes dos bancos); máscara negra no farol de dupla parábola; moldura da lanterna escurecida; grade, pára-choques e defletor traseiro em preto; e ponteira do escape esportiva. Há também a identificação da versão na soleira das portas, o logotipo da raposinha em destaque no encosto dos bancos, e dois bizarros apliques laterais, que ficam parecendo as hastes de um óculos invisível.

De acordo com a Volkswagen, o objetivo é vender cerca de 500 Fox Extreme por mês. Esse carro, voltado para o público jovem, não atrapalharia as vendas do CrossFox porque é mais barato e, segundo a empresa, porque os públicos de tuning e off-road (claro que falamos de suas diluições "oficiais") são diferentes entre si.

Para registro: UOL Carros abriu o porta-malas do Fox Extreme e deu de cara com um adesivo no banco traseiro. Dizia ele: "Não rebater o banco sem antes consultar o manual do proprietário". Rente ao assoalho fica o novo mecanismo, de metal (uma espécie de haste, larga e articulada), que move o banco para ampliar a capacidade do porta-malas. É ele que tem a missão de evitar acidentes como os que levaram ao mega-recall de quase 500 mil Fox. E a pergunta que fica é: por que não fizeram assim antes?

A outra nova série da Volks para 2009 é o Golf Tech, dotado de equipamentos como piloto automático, navegador GPS com bluetooth, sensor de chuva e sistema de som interativo.

OS CARROS QUE GUIAMOS
Divulgação
FOX ROUTE 1.0
Divulgação
POLO SPORTLINE 1.6
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POLO SEDAN COMFORTLINE 1.6
Divulgação
GOLF TECH 1.6
Divulgação
GOLF SPORTLINE 1.6
Impressões ao dirigir
Rodamos com a linha 2009 da Volkswagen num kartódromo em Itu, interior de São Paulo, bom lugar para sentir a força dos novos propulsores VHT e experimentar os veículos nas curvas, mas inútil para simular situações de estrada, já que é impossível passar dos 90 km/h e da terceira marcha. Mas UOL Carros ainda teve a chance de conduzir um Golf Sportline de Itu até a zona sul de São Paulo.

O que achamos, deixando o Extreme para o final:

Fox Route 1.0 (R$ 34.740)
O compacto é bem-acabadinho e oferece rodar macio. Direção (regulável na altura e profundidade) e câmbio formam um conjunto gostoso de operar. Só que um motor 1.0 é sempre um motor 1.0. Solicitado, não mostrou força.

Polo Sportline 1.6 (R$ 49.940)
O compacto premium da Volks, finalmente dotado de computador de bordo, roda preso ao chão. Respondeu bem nas curvas e mostrou-se forte na retomada -- já era assim com o motor 1.6 anterior, continuou com o VHT. O acabamento está acima da média dos carros do segmento.

Polo Comfortline Sedan 1.6 (R$ 54.080)
O desempenho e o padrão de acabamento são semelhantes aos do hatch. A óbvia diferença de possuir um volume a mais não foi sentida na pista, devido às velocidades relativamente baixas. É nítida a sensação de que ele é mais "tiozão" que o irmão destraseirado, mas ainda assim é um carro divertido.

Golf Sportline 1.6 (R$ 56.010) e Golf Tech (R$ 61.115)
Rodando na pista do kartódromo, o hatch médio da Volks mostrou-se grudado no chão. A direção é leve -- parece até eletroassistida -- e a posição de dirigir é ajudada pelos bancos bem acolhedores e firmes. Na estrada e num curto trecho urbano com o Sportline, a suspensão foi destaque: é firme, mas não é dura. Ajuda no baixo ruído interno e na sensação de que não cansa dirigir o Golf. O motor trabalha sem reclamar na produção de velocidades na casa dos 150 km/h. E há piloto automático para nos segurar nos regulamentares 120 km/h.

Fox Extreme 1.6 (R$ 38.940)
Com o motor VHT maior o Fox fica bem mais interessante que sua versão 1.0, e isso se faz sentir no Extreme. O carro é nervosinho. Por ser alto, agrega "emoção" às curvas (lembre-se: estamos falando de um percurso em pista de corrida, onde é possível exagerar). Direção e câmbio são amigáveis, e a posição de dirigir é elevada -- mas a coluna A é grossa e atrapalha um pouco a visibilidade. O acabamento é correto e os detalhes esportivos agradam (como a raposinha nos bancos), mas o painel é pavoroso (mal de família). Por fora, os faróis de dupla parábola escurecidos e as rodas são bem enfezados, mas o aplique lateral é infeliz.

Em suma: o Fox Extreme é um bom carro, mira um público afluente e crescente (jovens com grana para gastar quase R$ 40 mil), e deve achar o seu lugar no mercado. Só que, num dia em que dirigimos também dois Polo e -- principalmente -- dois excelentes Golf, não dá para se impressionar com ele.

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