UOL Carros
 
24/04/2008 - 15h44

Nissan lança versão 'simples' do Pathfinder

Claudio de Souza
Do UOL, em São Paulo (SP)

Está virando prática: para ficar ainda mais ao alcance de consumidores que nunca acreditaram que um dia poderiam comprá-los, alguns veículos importados vêm ganhando bons descontos no preço (Mercedes-Benz Classe C) ou versões "de entrada" (Volvo V50). Mesmo entre os nacionais mais caros isso já ocorre -- vide o Vectra Elite com motor 2.0. É no segundo caso que se encaixa a versão SE do SUV (utilitário esportivo) Pathfinder, da Nissan. Anunciada em janeiro, ela chega com preço sugerido de R$ 162.440 (gasolina), R$ 16.410 a menos que a versão LE, topo da gama e até então a única disponível no Brasil.

Para obter essa redução no preço, a Nissan optou por manter intocados o trem de força (motor e transmissão) e o sistema de tração do Pathfinder; em compensação, despiu o SUV de alguns equipamentos. Foi assim com itens de conforto: os bancos dianteiros têm regulagem manual (elétrica, com memória, na LE); os retrovisores externos perderam o aquecimento e o interno é convencional (eletrocrômico na LE); os controles do rádio saíram do volante e não há teto solar.

Também houve depenação nos itens de segurança, o que é mais grave. A versão SE não possui airbags laterais nem para motorista e passageiro. A LE os oferece, e ainda protege a 2ª e 3ª fileiras de bancos com bolsas de cortina. O Pathfinder SE também perdeu o lavador de faróis (que, no off-road, não é luxo). Detalhe: nenhuma das versões possui sensor de estacionamento (isso num carro de 4,74 metros por 1,86 metro de altura).

Mesmo assim, na versão SE sobrevive um pacote razoável de equipamentos. Ele inclui, no conforto, o ar-condicionado digital dual-zone com precisão de meio grau e ajuste traseiro independente, e na segurança os freios com antitravamento (ABS) e distribuição eletrônica de frenagem (EBD), além de apoios de cabeça ativos e repetidores das setas de direção nos retrovisores.
 

ÁLBUM DE FOTOS
Murilo Góes/UOL
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A versão SE mantém o design atual do Pathfinder, que não o difere muito dos outros SUVs de porte médio-grande. Há várias marcas de robustez e destemor, como estribos laterais e traseiro, reforços visíveis na parte inferior da carroceria, pára-barro rígido nas quatro rodas, rack no teto (com o nome do modelo estampado nos dois lados), rodas 17" de respeito calçadas com pneus de uso misto (225/65), grade frontal preta e conjunto óptico miúdo. As linhas são assumidamente retas.

Estribo e alça fixa ajudam a abordar o Pathfinder (não é preciso segurar-se no volante). Após colocá-lo para rodar, a primeira coisa que chama a atenção é o relativo silêncio no habitáculo, sem rangidos ou bateções. É verdade que o exemplar testado por UOL Carros tinha percorrido menos de 700 km, mas logo se percebe quando o veículo é mal-resolvido nesse aspecto. A Nissan atribui esse bom resultado, ao menos em parte, à estrutura "body and frame", um tipo de carroceria e chassi (comum em utilitários), em vez do monobloco (peça única) usual em carros de passeio e presente nas gerações anteriores do Pathfinder.

E vale anotar que o motorzão 4.0 V6 a gasolina, capaz de gerar 269 cavalos de potência (a 5.600 rpm) e 39,3 kgfm de torque (a 4.000 rpm), tambem é discreto quanto ao ruído quando em velocidade de cruzeiro ou tocado suavemente. Tudo em conformidade com o novo imperativo mercadológico de oferecer um acolhimento de sedã no corpo de um utilitário.

Na configuração normal, o habitáculo do Pathfinder SE leva quatro passageiros com alto conforto e cinco com algum aperto atrás. A terceira fileira, com dois assentos, fica embutida no assoalho do porta-malas. A operação para armá-la pareceu simples e inofensiva (repórter e fotógrafo continuam com os dez dedos inteiros), mas seus dois lugares são para levar adolescentes, ou adultos em trajetos curtos. O acesso não é dos mais cômodos, porque é preciso passar por cima do encosto rebaixado da segunda fileira. A porta traseira com abertura de 85º e o estribo ajudam.
 

Murilo Góes/UOL


O Nissan Pathfinder tem tração nas quatro rodas comandada por seletor no console (abaixo, à esq.); consumo de gasolina do potente (269 cavalos) motorzão 4.0 V6 é de precários 4,5 km/l

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Impressões ao dirigir
Em situação urbana, a condução do Pathfinder é extremamente prazerosa. Apesar do tamanho, é um veículo ágil. A suspensão independente nas quatro rodas, concebida para encarar o off-road, agradece a barbada de trabalhar no asfalto e retribui com uma sensação bem equilibrada de firmeza e maciez -- por pior que seja a buraqueira. Em estrada boa, então, o SUV da Nissan é um avião em céu de brigadeiro. A direção, de tão leve e firme, parece eletroassistida, mas é apenas hidráulica.

É bom o motorista ficar atento. O propulsor 4.0 custa um pouco para embalar os 2.190 kg do Pathfinder -- mas, quando o faz, o ponteiro do velocímetro ascende com facilidade a velocidades temerárias. E também porque o Pathfinder não é bom de curva. Ele tende a inclinar caso haja exagero na abordagem. No primeiro caso, é recomendável aproveitar o piloto automático, evitando riscos e o sempre desagradável recebimento de cartinhas da autoridade de trânsito local. No segundo, basta pisar no freio na hora certa.
 

MEDIDAS OFF E ON-ROAD
Ângulo de ataque - 33 graus
Ângulo de saída - 26 graus
Distância mínima do solo - 25,4 cm
Raio mínimo de giro - 11,9 metros
Reboque com freio - 3.000 kg
Reboque sem freio - 750 kg
Largura - 1,85 metro
Comprimento - 4,74 metros
Altura - 1,86 metro
Entre-eixos - 2,85 metros
Peso - 2.190 kg (motor a gasolina)
Pneus - 225/65 R17

A única coisa chata do trem de força do Pathfinder é o funcionamento um tanto atabalhoado do câmbio automático de cinco marchas nas retomadas em modo Drive -- por exemplo, ao buscar os 120 km/h quando se está a 80 km/h. Numa situação como essa, típica de uma ultrapassagem, a transmissão pode compensar o peso do veículo engatando até mesmo a segunda marcha. É um excesso de zelo que aumenta o consumo e o ruído, quando uma terceira resolveria a questão. Já no modo seqüencial não há trancos nem sustos, pois a troca é sempre para a marcha seguinte, sem delay.

Longe do asfalto
No off-road, em estradas de terra na Grande São Paulo, experimentamos a tração automática, que gerencia a distribuição do torque entre as rodas de acordo com o terreno (e que nos pareceu suficiente para trilhas de baixa dificuldade), e a reduzida nas quatro rodas. Com esta última, que deve ser engatada com o carro parado e o câmbio em N (de neutro), o Pathfinder desceu com segurança rampas de até 50º (estimados, já que não há inclinômetro). O seletor de tração (2WD, Auto, 4H e 4L) fica no console e precisa ser, além de girado, pressionado para acionar as duas opções 4x4, o que impede equívocos. O painel avisa a tração em uso, e um adesivo no pára-brisa explica as funções de cada opção.

Devido ao clima seco, não foi possível brincar muito na lama propriamente dita -- mas, nas porções do terreno em que ela foi encontrada, inclusive escondendo alguns buracos traiçoeiros, o Pathfinder entrou e saiu na boa (veja as medidas off-road em quadro nesta página).

Quem compra
De modo geral, o Pathfinder SE agrada bastante. Serve para quem quer status e/ou um carrão grande para a família -- e também para a (minoria) que, de fato, vai enfiá-lo em trilhas e usar as opções de tração. Cabe ao interessado decidir se os R$ 16 mil poupados nessa versão valem os cortes em relação à LE, mencionados acima. Mas a diferença deve ser suficiente para tirar o veículo da relativa letargia nas vendas (68 unidades até a metade de abril; 157 no ano inteiro de 2007) e da poeira que come dos rivais de Toyota, Land Rover e Jeep.

Para encerrar: com o propulsor a gasolina (há a opção 2.5 a diesel, de 4 cilindros), o consumo do Pathfinder só poderia mesmo ser um ponto fraco. Rodando 50% em cidade, 35% na estrada e 15% em off-road, o SUV entregou a complicada marca de 4,5 km/l. Encher o tanque de 80 litros com gasolina comum custa, pelo menos, R$ 200. Assim, o dono do Pathfinder deixa, em média, R$ 800 por mês na bomba de combustível. São quase R$ 10 mil por ano; ao cabo de três anos, terá colocado um Celta zero no tanque do seu SUV.

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