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23/04/2008 - 12h25

Impressões ao dirigir: Ka 1.6, pequeno e abusado

Da Auto Press
O compacto de entrada da Ford ganhou cara nova, bem mais moderna, arrojada e comprida. O ganho de 20 cm e o aumento de 12 kg no peso, porém, são bastante discretos. O que beneficia uma das virtudes que a versão 1.6 do Ka sempre ostentou: o desempenho mais instigante.

Com menos de uma tonelada e 110 cv de potência fornecido pelo motor 1.6 Zetec, o carrinho feito em São Bernardo do Campo parece uma espoleta. As respostas às pisadas no acelerador são quase imediatas e o Ka desenvolve bem nas primeiras marchas. Para sair da inércia e alcançar os 100 km/h foram 11,6 segundos.

Com álcool no tanque, o modelo mostrou também ser bom de retomadas. Com 91% do torque disponível já em 1.500 giros, o motor enche rápido e passa segurança na hora de fazer ultrapassagens. A ascensão de 60 km/h a 100 km/h foi feita em 6,8 segundos em quarta marcha -- em quinta, foram 7,3 segundos.

Em trechos de serra, nada de esmorecer: o Ka 1.6 encara as ladeiras com desenvoltura, o que estimula o condutor a testar os limites de estabilidade do carrinho. Mas até nisso o compacto se saiu bem. Torceu pouco a carroceria nas curvas e não fez qualquer menção de jogar a traseira.

Só mesmo ao abusar da velocidade nas retas é que o Ka mostrou suas deficiência. Acima dos 150 km/h, a frente passa a flutuar de forma preocupante. Nesse nível de velocidade, o isolamento acústico também se mostra deficiente: o barulho do propulsor e outros ruídos de rodagem incomodam os ocupantes. O motor passa a vibrar bastante também, o que se reflete em trepidações no volante.

Mas sacolejos, mesmo, só indo no banco de trás e encarando buraqueiras nas grandes cidades. A suspensão firme em excesso para as ruas brasileiras acaba gerando chacoalhões incômodos no habitáculo.

Além de os ocupantes do banco de trás serem os que mais sofrem com os reflexos da pista, eles já contam com um espaço para pernas limitado típicos dos compactos. Pelo menos, o novo Ka aumentou no comprimento e a curvatura da carroceria, minimizando o problema do pouco vão para as cabeças que fazia os viajantes encostarem no teto, invariavelmente.

Já o consumo se mostrou satisfatório. O modelo avaliado obteve a média de 8,3 km/l apenas com álcool e uso dois terços na cidade e um terço na estrada. (por Fernando Miragaya)

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