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11/04/2008 - 21h20

Importados avançam em nichos esquecidos; veja os 20 mais vendidos

Da Auto Press
O dólar barato e as marcas nacionais sem produtos para pronta entrega. Era tudo que os importadores de automóveis queriam. Com a economia estável e o crédito farto, modelos como Nissan Tiida, Kia Picanto, Volkswagen New Beetle, Hyundai Tucson e Ford Fusion mostram que há muito espaço não-aproveitado no Mercosul.

No mundo inteiro, é comum as montadoras importarem modelos que têm pouca saída e que não justificam a produção local. A estratégia é concentrar a produção nos carros mais vendidos e trazer de fora modelos que complementem a linha.

No Brasil, nenhum importado tem surpreendido tanto quanto o Hyundai Tucson. Produzido na Coréia do Sul, o utilitário esportivo ganhou consumidores que buscavam uma opção um pouco maior e mais sofisticada que o nacional Ford EcoSport. O resultado são as 4.969 unidades emplacadas entre janeiro e março deste ano, volume que fez a marca sul-coreana crescer e aparecer no Brasil. (Veja, após o final do texto, quadro com os 20 importados mais vendidos)

"O objetivo é maximizar as produções em outros países e cobrir os 'gaps' nas linhas locais, para ganhar participação no mercado interno", afirma Annuar Ali, vice-presidente do grupo Caoa, importador oficial da Hyundai no Brasil.

Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

O Nissan Sentra, trazido do México com taxa zero, é o 3º mais vendido no Brasil
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Quem também ganhou presença foi a Kia Motors, que lá fora pertence ao grupo Hyundai, mas no Brasil atua de forma independente. O principal modelo da marca sul-coreana hoje no país é o utilitário esportivo Sportage, feito na Coréia sobre a mesma plataforma do Tucson. Ele já acumula 1.290 unidades em 2008.

Mas o modelo Kia que vem surpreendendo mesmo é o Picanto. Com 1.621 unidades vendidas no ano passado, o hatch pequeno já teve 809 emplacamentos só até março de 2008.

Apesar da boa performance coreana, é do México -- país que possui acordo de comércio bilateral com o Brasil -- que chega a maior parte dos veículos que vêm de fora do Mercosul para o mercado nacional. "A aceitação do Fusion tem excedido nossas projeções. Quando planejamos seu lançamento, imaginávamos uma saída de 300 a 400 unidades mensais", recorda Marcos de Oliveira, presidente da Ford no Brasil e no Mercosul. Só até março, o sedã já soma 2.113 unidades no ano, média superior a 700 vendas mensais.

De colecionador para consumidor
Além do vice-líder Fusion, andam em alta por aqui os mexicanos Nissan Sentra, terceiro colocado no ranking dos importados com 1.884 unidades, Nissan Tiida, Chrysler PT Cruiser e o Volkswagen New Beetle, que custa R$ 58.080 e soma 1.044 emplacamentos no primeiro trimestre -- 56,4% a mais que as 589 unidades emplacadas nos três primeiros meses de 2007.

ARGENTINA É AQUI AO LADO
Hoje, mais de 75% dos veículos importados vendidos no Brasil vêm da Argentina. Mas, em termos de mercado, não chegam a ser considerados exatamente como importados. Por uma razão simples: a indústria automotiva do país vizinho funciona, muitas vezes, de forma complementar à brasileira.
Ou seja, o uso das plantas argentinas, assim como o das fábricas brasileiras, são parte de um planejamento das montadoras não só para um país, mas para todo o Mercosul. "As estratégias para Brasil e Argentina praticamente se confundem. Por isso os projetos hoje têm de atender aos dois países", diz Fabrício Biondo, gerente executivo de planejamento de marketing da Volkswagen.
A perua Volkswagen SpaceFox é a campeã de vendas entre os modelos argentinos vendidos no Brasil neste início de ano, com 5.221 unidades emplacadas de janeiro a março.
Também são fabricados no país vizinho o sedã médio Citroën C4 Pallas, as versões hatch e sedã do Ford Focus, a linha Peugeot 307 (nas configurações hatch, sedã e perua) e as picapes médias Ford Ranger e Toyota Hilux. E da Argentina podem vir em breve modelos inéditos, como as picapes médias de Volkswagen e Fiat, com lançamento em 2009.
"Antigamente, o Beetle era quase um carro de colecionador, com preço acima de R$ 100 mil. Hoje, com a queda do dólar, as vendas decolaram", festeja Fabrício Biondo, gerente executivo de planejamento de marketing da Volkswagen.

Mas a conta não pára por aí: os recém-lançados Volks Jetta Variant e Honda CR-V também vêm de plantas mexicanas. Ambos têm preços próximos de R$ 90 mil e entram em segmentos ainda carentes no mercado brasileiro. "O CR-V vem exatamente para ganhar no nicho complementar onde o Hyundai Tucson já ganha", afirma Alberto Pescumo, gerente-geral comercial da Honda, que espera vender cerca de 9.000 unidades do crossover este ano.

Por conta da desvalorização do dólar, o cenário hoje é animador até para veículos que não gozam da isenção de alíquota de importação e pagam 35% a mais de imposto. Casos do sedã grande australiano Chevrolet Omega, que custa R$ 147.500 e soma 256 unidades no primeiro trimestre, e do hatch médio sueco Volvo C30, que custa R$ 89.933 e já vendeu 165 unidades até março.

Há crescimento mesmo no segmento de alto luxo, que não tem produtos feitos no Brasil. O sofisticado utilitário esportivo alemão Porsche Cayenne, por exemplo, vendeu 94 unidades no primeiro trimestre, contra um único exemplar emplacado no mesmo período de 2007. O modelo custa US$ 144 mil, o equivalente a R$ 246 mil.

"Nossa participação no mercado brasileiro de veículos vem experimentando taxas de crescimento expressivas", confirma Jörg Henning Dornbush, o recém-empossado presidente da Abeiva (Associação Brasileiras das Empresas Importadoras de Veículos Automotores). (por Diogo de Oliveira)

OS 20 IMPORTADOS MAIS VENDIDOS NO 1º TRIMESTRE DE 2008
Hyundai Tucson - É um fenômeno de vendas da marca sul-coreana desde 2007. Com preço inicial de R$ 84.500, o grupo CAOA, importador oficial da Hyundai, já vendeu 4.969 unidades do Tucson no primeiro trimestre de 2008.
Ford Fusion - Fabricado no México, o sedã médio-grande teve 2.113 unidades vendidas até março, volume próximo ao de modelos médios fabricados no país, como o Renault Mégane, que somou 2.207 unidades. Seu preço parte de R$ 83.620.
Nissan Sentra - A marca japonesa aproveitou o acordo comercial entre Brasil e México para trazer o sedã médio no início de 2007. E lucra bastante com isso: até aqui vendeu 1.884 unidades do Sentra. Fabricado na planta de Aguascalientes, o modelo custa R$ 58.695.
Kia Sportage - É o carro mais vendido da marca sul-coreana no momento. Já emplacou 1.269 unidades em 2008. Feito sobre a mesma plataforma do Hyundai Tucson, o SUV compacto começa em R$ 74.400.
Volkswagen New Beetle - É produzido na fábrica de Puebla, no México, sobre a mesma plataforma da quarta geração do Golf -- igual à do hatch médio nacional. É vendido no Brasil a partir de R$ 58.080 e já somou até março 1.044 unidades.
Hyundai Santa Fé - É mais um modelo da Hyundai a surpreender. O SUV médio parte dos R$ 129.900 e tem tamanho e recheio para rivalizar com Jeep Grand Cherokee e Land Rover Discovery, vendidos a R$ 159 mil e R$ 175 mil. Até março foram 923 unidades.
Kia Picanto - O hatch pequeno da marca coreana finalmente consegue vender bem no país, após sofrer plástica no fim do ano passado. Já foram 809 unidades vendidas do Picanto, que é fabricado na planta sul-coreana de Seosan. A versão básica custa R$ 34.900.
Volkswagen Jetta - O sedã médio da marca alemã vem do México, onde é produzido na fábrica de Puebla. Até março teve 754 unidades vendidas, número considerável para um modelo que parte de R$ 86.260 mil.
Nissan Tiida - O hatch médio produzido na fábrica de Aguascalientes, no México, foi lançado no Brasil em julho do ano passado. Vendido a R$ 52.490, o modelo já soma 721 unidades este ano.
10ºHyundai Azera - É o sedã grande mais vendido no país neste início de 2008. Lançado no final do ano passado, o Azera é fabricado na Coréia do Sul e já vendeu até agora 583 unidades. Seu preço inicial é de R$ 93.900.
11ºLand Rover Freelander - Fabricado na Inglaterra, o SUV compacto é o modelo de entrada da requintada marca britânica. Custa a partir de R$ 132 mil e soma 561 unidades em 2008.
12ºMitsubishi Airtrek - O SUV médio da montadora japonesa já tem até o sucessor Outlander à venda no país. Mas seu preço de R$ 96.990, sem dúvida, contribui no emplacamento de 521 unidades entre janeiro e março.
13ºHyundai Vera Cruz - Assim como o SUV médio Santa Fé, o utilitário-esportivo grande tem o preço de R$ 175 mil como o principal atributo na briga com modelos mais caros, como Mitsubishi Pajero Full e Toyota Land Cruiser Prado. Emplacou 491 unidades no ano.
14ºChrysler PT Cruiser - É atualmente o modelo da marca americana mais vendido no país, com 405 unidades no trimestre. Feito na fábrica da Chrysler no México, o PT Cruiser tem como diferencial o visual retrô. O preço começa em R$ 68.900.
15ºVolkswagen Bora - Produzido na planta de Puebla, a mesma em que são feitos Jetta e New Beetle, o sedã médio da Volks custa R$ 60.390 na versão 2.0 com câmbio manual e soma 404 unidades vendidas em 2008.
16ºToyota RAV4 - Fabricado no Japão, o SUV compacto da marca japonesa tem 327 unidades emplacadas no ano. Até o mês de janeiro, seu principal rival era o Honda CR-V, que agora vem do México e custa menos de R$ 100 mil, preço baixo para os R$ 129 mil do RAV4.
17ºKia Cerato - Já foram 266 unidades vendidas em 2008 do sedã médio produzido na Coréia do Sul. O Cerato custa por aqui R$ 49.900,­ preço altamente competitivo em relação a rivais como Honda Civic e Citroën C4 Pallas, ambos com preços acima de R$ 65 mil.
18ºMercedes-Benz Classe C200 - O sedã compacto de entrada da marca alemã tem 259 unidades, bom desempenho para os seus R$ 162.500. Fabricado na Alemanha, o modelo atual é de última geração, lançada no início de 2007.
19ºChevrolet Omega - O sedã grande é importado da Austrália e fabricado pela Holden, divisão local da General Motors. No Brasil, já emplacou este ano 256 unidades. Seu preço é de R$ 147.500 e só há uma versão disponível.
20ºVolkswagen Passat - Com 254 unidades, o sedã médio-grande da Volks vem da Alemanha e é o carro de passeio mais caro da marca no país. A versão básica sai a R$ 121.760 e a top, como motor 3.2 litros V6, é vendida por R$ 168.820.

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