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04/04/2008 - 19h29

Recheio da Grand Scénic é arma para brigar com rivais

Da Auto Press
Especial para o UOL

A Renault vislumbrou espaço para a Grand Scénic no quieto mercado de minivans médias, tão carente de novidades no Brasil. Na configuração para sete passageiros, o modelo chega da França para brigar com as versões tops de outros monovolumes médios. Com uma série de vantagens.

Além do visual menos defasado e de ser um produto tecnologicamente mais moderno, por menos de R$ 90 mil oferece uma lista bastante interessante de itens de conforto e de segurança. Alguns, inclusive, não encontráveis em minivans como Chevrolet Zafira, Citroën Xsara Picasso e a própria Renault Scénic nacional -- ou mesmo em alguns sedãs dessa mesma faixa de preços.

Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

A Renault Grand Scénic concorre com a versão top da Chevrolet Zafira, mas é mais bem equipada; preço chega perto dos R$ 95 mil
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IMPRESSÕES AO DIRIGIR: CONFORTO E ESTABILIDADE

O recém-chegado francês acaba por brigar, prioritariamente, com a Zafira, única minivan média a dispor de terceira fila de assentos. Só que a Grand Scénic traz um visual que pode até não ser ousado, mas indiscutivelmente é mais moderno que o da rival. Os generosos faróis triangulares crescem para cima do capô e das laterais e evidenciam a inclinação da tampa do compartimento do motor, com dois discretos vincos nas extremidades. A grade bipartida frontal adota um desenho também inclinado.

No pára-choques integrado ao spoiler, uma grande entrada de ar com uma barra transversal cromada e os dois faróis de neblina redondos emprestam uma aparência risonha à minivan. Nas laterais, poucas saliências e o perfil em cunha. Na Grand Scénic, a curvatura do teto é esticada até a terceira coluna, e as últimas janelas são pouco maiores, até para abrigar a terceira fileira de assentos -- na Europa, há a Scénic para cinco passageiros, 24 cm mais curta, herdeira do modelo produzido no Brasil há nove anos.

A traseira é mais interessante. Vidro reto e tampa do porta-malas inclinada seguem um estilo já empregado em modelos da marca lá fora, como o médio Mégane hatch e o compacto Modus. Por dentro, sobriedade nas cores e texturas, principalmente no painel, onde faltam ousadias estéticas. O que mais chama a atenção mesmo é o quadro de instrumentos na parte central.
 

ESPAÇOSAS
A nova geração da Renault Scénic -- a chamada Scénic II -- surgiu em 2003 na Europa e sofreu um face-lift em 2006. A versão Grand Scénic começou a ser vendida na Argentina no fim do ano passado.
Na Europa, a Grand Scénic se posiciona entre a versão "normal" da Scénic e a minivan grande Espace.
Lá fora, o modelo conta com motores a gasolina 1.4 16V de 100 cv, 1.6 16V de 110 cv e 2.0 16V turbo de 165 cv. As opções a diesel são 1.5 de 85 cv e de 105 cv, 1.9 de 110 cv, 115 cv e 130 cv, e 2.0 de 150 cv.
No Brasil, a Grand Scénic vai ganhar um rival em breve: o C4 Grand Picasso, que a Citroën vai importar da França e começará a vender em abril.
Assim como a linha Mégane, a Grand Scénic não tem chaves. O motor é ligado através de um cartão inserido no painel e o acionamento do botão "start/stop".
O monovolume obteve a nota máxima -- 5 estrelas -- nos testes do EuroNCAP, entidade européia que avalia, através de crash-tests, o nível de segurança dos modelos vendidos no continente.

Mas o requinte da Grand Scénic se "esconde" mesmo na lista de equipamentos. Por R$ 87.990 tem-se uma minivan bem servida em termos de segurança: são seis airbags, freios com ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência, sensores de obstáculos traseiro e dianteiro e controles eletrônicos de estabilidade e de tração.

Além disso, oferece os "básicos" ar-condicionado automático, direção elétrica, trio elétrico, computador de bordo, controle de cruzeiro, freio de estacionamento eletrônico, regulagem de altura dos faróis, rádio/CD/MP3 com comandos no volante, rebatimento elétrico dos retrovisores, entre outros.

Mais graças
Procurando bem, mais algumas firulas podem ser vistas a bordo: sensores de luminosidade e de chuva, porta-luvas refrigerado, porta-objetos sob o assoalho do porta-malas e cortinas laterais para as janelas traseiras. O motor é conhecido: um 2.0 litros 16 válvulas a gasolina. Até porque é o mesmo usado no Mégane e no Scénic nacionais, o que facilita a logística de peças e a manutenção.

São 138 cv de potência a 5.500 rpm e torque máximo de 19,1 kgfm a 3.750 giros. O propulsor trabalha com uma transmissão automática de quatro velocidades.

Como opcionais, a Grand Scénic recebe teto panorâmico, bancos de couro e rede para bagagens no porta-malas. Com isso, chega a R$ 94.590. Completo ou não, o modelo se mostra bastante competitivo. Por enquanto, a rival mais próxima é a Zafira Elite, que, com quase os mesmos equipamentos do modelo francês, chega a R$ 84.948. Mas não conta com controles de tração e de estabilidade, sensores de estacionamento, chuva e luminosidade, nem com airbags de cabeça.

Curiosamente, ao mesmo tempo que a chegada da Grand Scénic expõe sua boa relação custo/benefício, deixa ainda mais em evidência a defasagem da Scénic brasileira. Lançada em 1999 e depois de uma reestilização em 2001, o modelo feito em São José dos Pinhais (PR) está uma geração atrás do similar europeu. E com a Grand Scénic nas vitrines da marca, vai sobrar para o monovolume paranaense mesmo brigar com versões de entrada de outras minivans.

(por Fernando Miragaya)
 

A RENAULT GRAND SCÉNIC, DE ZERO A 100 PONTOS
Desempenho - Um carro de 1.645 kg, uma transmissão de quatro velocidades e um motor de 138 cv. O resultado dessa equação só poderia ser um desempenho comportado demais. Nada de arrancadas ligeiras e prontas respostas ao acelerador. Para sair da inércia e chegar aos 100 km/h foram precisos 12,9 segundos. O câmbio acaba por esticar demais as marchas e os buracos e delays nas passagens são constantes. O ideal mesmo é pisar leve na Grand Scénic e minimizar as imprecisões da transmissão, inevitáveis em trechos de subida. Ao mesmo tempo, o motor demora a encher e o torque máximo só está disponível em quase 4.000 giros, o que prejudica as retomadas. Leva 8,8 segundos para fazer de 60 km/h a 100 km/h em terceira. A máxima alcançada foi de 186 km/h. Nota 6
Estabilidade - Não bastasse os diversos dispositivos de segurança, a Grand Scénic conta ainda com uma suspensão bem acertada e uma plataforma moderna. O resultado é um comportamento dinâmico seguro e impecável. Apesar da altura, a carroceria pouco torce nas curvas mais fechadas e o modelo não faz qualquer menção de sair de frente -- auxiliado e muito pelos controles de estabilidade e de tração. Nas frenagens bruscas, ABS e EBD ajudam a manter o modelo na trajetória sem travar as rodas e a carroceria levanta bem pouco atrás. Mesmo na máxima de 186 km/h não há sensação de flutuação e a comunicação entre roda e volante permanece precisa. Nota 9
Interatividade - A posição alta de dirigir, a boa área envidraçada e os ajustes de altura e de profundidade do volante e do banco da Grand Scénic proporcionam uma agradável relação do motorista com o veículo. A ergonomia na minivan francesa é muito bem resolvida -- ao contrário de outros modelos Renault, como a própria Scénic nacional, cujos botões de vidros e retrovisores elétricos são mal posicionados. Os principais comandos estão ao alcance das mãos do motorista, que não precisa deslocar o corpo ou o olhar para manuseá-los. A direção elétrica precisa e os sensores de obstáculos dianteiro e traseiro minimizam eventuais dificuldades com as dimensões generosas do monovolume e se tornam grandes aliados na hora de estacionar. O quadro de instrumentos, apesar de central -- um fetiche francês --, oferece uma ótima visualização. Até por estar bem próximo da área de visão do pára-brisa. Só mesmo a manopla do câmbio automático é um pouco dura para engatar as posições. Nota 8
Consumo - Com 1/3 de estrada e 2/3 de cidade, o modelo conferiu a média de 6,9 km/l com gasolina. Apenas razoável, mesmo para um modelo pesado e automático. Nota 6
Conforto - Espaço é uma das virtudes das minivans e com a Grand Scénic essa qualidade fica ainda mais evidente, muito por conta da boa largura de 1,81 m e do entre-eixos de 2,73 m. Para os ocupantes da primeira e segunda fileiras, os vãos para cabeças e pernas são generosos e no assento central três adultos viajam sem apertos. Os banquinhos traseiros, como na maioria dos monovolumes médios, são mais recomendáveis para crianças, pois o espaço é um tanto limitado. A suspensão macia absorve bem as buraqueiras das grandes cidades e o habitáculo sacoleja bem pouco. Nota 9
Tecnologia - A Grand Scénic é um projeto moderno e conta com uma plataforma bem avançada. Além disso, possui vários dispositivos de segurança e de conforto. Só pediria um câmbio automático com mais velocidades. Nota 8
Habitabilidade - É um carro para família e foi pensado para tal. Ou seja, porta-malas com bons 550 litros, flexibilidade dos bancos e vários porta-objetos. Os acessos são facilitados pelas amplas portas. Só mesmo quem vai para a terceira fileira tem de fazer um certo esforço, mas nada sacrificante, já que os bancos têm uma modularidade eficaz e são rebatidos e dobrados com facilidade. A distribuição do ar-condicionado poderia ser melhor resolvida. Só há saídas de ar no painel dianteiro e quem está atrás demora a se refrescar. Já a iluminação interna é bem eficaz. Nota 8
Acabamento - Só mesmo os instrumentos, com mostradores digitais, transpira modernidade. No mais, materiais sóbrios com toques de requinte em detalhes cromados na manopla do câmbio e no painel. De qualquer forma, as forrações são de qualidade e encaixes e fechamentos são precisos. O modelo testado ainda conta com bancos de couro, o que reforça a sofisticação interna. Nota 8
Design - Apesar de não abusar das ousadias estéticas, segue um estilo moderno, principalmente no visual traseiro em duas seções e a linha de cintura inclinada. Mesmo assim, é difícil se livrar do que sempre dá às minivans a fama de "carro de mamãe". Nota 7.
Custo/benefício - Pode ser o grande appeal da Grand Scénic no mercado. Oferece diversos equipamentos de segurança e de conforto -- como seis airbags, controles de tração e de estabilidade, sensores de estacionamento e de chuva -- por R$ 87.990. Pouco mais que a única minivan nacional com opção de sete lugares, a Zafira 2.0 Elite automática -- R$ 84.948 --, que não conta com controles de tração e de estabilidade, nem com airbags de janela. Nota 8
Total - A Renault Grand Scénic somou 77 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,7

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