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31/03/2008 - 19h22

Minivans com algo mais que espaço estão chegando

Da Auto Press
O mercado de minivans andava apático no Brasil. Mas o real valorizado mudou esse panorama. As marcas se motivaram a investir novamente no segmento, importando produtos com perfis bem diferentes dos nacionais. Maiores, com terceira fileira de assentos e mais equipamentos, importados como Citroën Grand C4 Picasso, que chega em abril, e o recém-lançado Renault Grand Scénic acabam por se posicionar acima do nicho de monovolumes médios brasileiros.

E até beliscam os sedãs de luxo. Em contrapartida, surge uma espécie de subsegmento "básico" entre as minivans, com os exemplares nacionais -- como versões de Scénic e Xsara Picasso com menos equipamentos e preços mais baixos.
Divulgação

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Outras novidades estão por vir no rastro do câmbio favorável. A Honda vai desembarcar por aqui a Odyssey ainda este ano. A Volkswagen, por sua vez, não descarta trazer a Touran. Tudo vai depender do desempenho nas vendas dos modelos já confirmados. Esse comportamento do mercado também pode selar a vinda ou não da Ford S-Max para o Brasil -- o modelo, feito na Bélgica, foi recentemente lançado na Argentina.

As minivans modernas acabam contrastando com a estagnação que tomou conta dos monovolumes feitos no Brasil, um nicho onde a letargia parece dominar. O Xsara Picasso limitou-se a ganhar uma nova grade no ano passado. A Scénic não muda desde 2003. Dois anos antes houve o lançamento da Chevrolet Zafira, que não sofreu mudanças expressivas desde então.

QUEM ESTÁ CHEGANDO
Citroën Grand C4 Picasso
Chega em abril trazida da França. Sua importação estava prevista para 2006, mas a boa receptividade do modelo na Europa fez a Citroën adiar os planos. No mercado europeu, aliás, existe o C4 Picasso, que não vai ser importado até para não conflitar com o Xsara Picasso, que continua sendo produzido em Porto Real, no interior do Rio de Janeiro. Oferece sete airbags, teto de vidro panorâmico e sensores de obstáculos dianteiro e traseiro com indicações de distâncias em metros.
Preço estimado: R$ 90 mil
Renault Grand Scénic
Também feita na França, estreou no mercado brasileiro em fevereiro e é uma versão alongada da Scénic, que na Europa está uma geração à frente da brasileira feita em São José dos Pinhais, no Paraná. Possui rebatimento elétrico dos retrovisores, rádio/CD/MP3 com comandos na coluna de direção, sensores de chuva, de luminosidade e de obstáculos dianteiro e traseiro, teto panorâmico e cortinas laterais.
Preço: R$ 87.990
Chrysler Town & Country
Feita nos Estados Unidos, é clone da Dodge Grand Caravan e impressiona pelas dimensões. Com seus 5,14 metros de comprimento, se enquadra entre as minivans grandes e oferece um acabamento mais requintado, além de trazer mais equipamentos. Tem faróis de xenon, ajustes elétricos e aquecimento dos bancos dianteiros, sensor de obstáculos traseiro com câmara de vídeo, portas laterais deslizantes com acionamento elétrico e DVD player com tela para a segunda e terceira fileiras.
Preço: R$ 180 mil
Mitsubishi Grandis
Esta minivan média-grande tem 4,76 metros de comprimento e 2,83 metros de distância entre-eixos. Mas apesar de maior, é menos equipada que os monovolumes médios franceses. Oferece apenas dois airbags e não é vendida com controles de estabilidade e tração, tampouco com sensores de obstáculos.
Preço: R$ 119.900
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O modelo da General Motors, porém, é o único que se aproxima da proposta das minivans importadas, já que trabalha apenas com motor 2.0 e oferece sete lugares. Entre os compactos, o último lançamento foi a Fiat Idea, em 2005, que chegou para brigar com a Chevrolet Meriva, de 2002. Para o ano que vem, porém, a Citroën planeja um monovolume sobre a plataforma do C3.

Para poucos
O atual investimento de algumas marcas num nicho mais caro, acima das minivans médias, não deixa de ser curioso. Afinal, trata-se de um mercado reconhecidamente tímido. A Citroën, com o C4 Picasso, por exemplo, espera vender entre 250 e 300 unidades ao mês. Isso para um veículo que vai ficar na faixa de R$ 90 mil. Mas, aparentemente, existe espaço até para minivans maiores e mais caras.

É o caso da Chrysler Town & Country, lançada em março. O modelo custa R$ 180 mil e a meta é comercializar 350 unidades este ano. Para os executivos do mercado, o nicho de minivans não está morto no país. "Brasileiro compra lançamento, não compra por segmento. O segmento de minivans só não cresceu porque houve pouquíssimos lançamentos nos últimos cinco anos", acredita Sérgio Habib, presidente da Citroën.

Todos os modelos, porém, apresentam diferenças em relação aos nacionais que vão além do preço. As minivans importadas oferecem, de cara, a terceira fila de passageiros, com reforço na flexibilidade interna que deu fama às minivans. Além disso, todas são fornidas de equipamentos de segurança. Airbags laterais e de cabeça além dos frontais, freios com ABS e EBD e controles eletrônicos de estabilidade e de tração são praticamente obrigatórios.

Isso sem falar em transmissão automática, controle de cruzeiro e mimos como sensores de chuva, luminosidade e de estacionamento. "A tecnologia embutida nesses carros geralmente é alta para o conforto da família. Deixou de ser um simples utilitário para carregar sete pessoas e virou um veículo que agrega conveniência", afirma Emilio Mazzei Paganoni, responsável pelo desenvolvimento de produto da Chrysler.

DVD e sofisticação
Nesse rastro, a Honda já homologou a Odyssey, que pode dar as caras ainda este ano. Feita sobre a plataforma do Accord, nos Estados Unidos, ela vai brigar justamente com a Town & Country. Trata-se, aliás, de um nível de minivan ainda mais sofisticado e concebido para o mercado norte-americano, apreciador de modelos avantajados.

Tanto que a terceira fila de assentos não rouba o espaço para bagagens. E os itens de entretenimento podem fazer a diferença. O modelo da Chrysler, por exemplo, oferece displays de DVD independentes para a segunda e terceira filas de bancos. "A gente enxerga espaço no mercado para Odyssey e já oficializamos sua vinda. Agora é esperar o momento exato para trazê-la", diz Alberto Pescumo, gerente de Marketing da Honda.

(por Fernando Miragaya)

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