UOL Carros
 
28/03/2008 - 19h30

Motorista fica exigente, e 'luxos' viram itens obrigatórios

Da Auto Press
É inquestionável que o consumidor brasileiro ficou mais criterioso na hora de comprar um automóvel. Apesar de ainda preterir itens de segurança em nome de aparência e de detalhes estéticos, o comprador de carros está mais exigente no que diz respeito a equipamentos.

Principalmente de conforto. Ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico, antes verdadeiros aparatos de luxo em segmentos de entrada, hoje já são bastante encontrados mesmo nos compactos. Pesquisas e clínicas de mercado orientam os departamentos de marketing das fabricantes.
Ilustração: Arionauro/Carta Z Notícias

"A preferência por equipamentos varia de acordo com o segmento. Nos carros populares agora se valoriza bastante itens como direção hidráulica e ar-condicionado, que já são obrigatórios em nichos maiores", explica Adriana Carradori, gerente de marketing da Ford.

E no segmento que mais vende carros no país, o de compactos, os itens preferidos hoje são os que só se tornaram imprescindíveis entre os modelos médios, por exemplo. Direção hidráulica e ar-condicionado encabeçam a lista, sendo que este último ainda oscila seguindo questões geográficas.

Vidros e travas elétricas são importantes também, principalmente nos modelos quatro portas -- que também predominam no mercado. Aos poucos, o consumidor passa a pedir ajuste de altura do banco do motorista, rádio com MP3 e regulagem elétrica dos retrovisores.

"O mercado sempre procurou diferenciar um produto do outro por meio de itens. Alguns viraram commodities. Hoje, qualquer veículo acima de R$ 45 mil tem de ter, no mínimo, ar, direção, trio e rádio de série", explica Alexander Greif, gerente de marketing de produto da Citroën.

ACESSÓRIAS
O Citroën C3 foi o primeiro modelo no Brasil a oferecer rádio com entrada para iPod.
No reestilizado Golf, lançado em 2007, a Volkswagen passou a equipar os modelos com navegador GPS. Como o item não emplacou no mercado, foi retirado de série.
A Ford lançou o Ka MP3, versão do modelo anterior do subcompacto com rádio com leitor de MP3.
Atualmente todos os modelos da Volkswagen no Brasil possuem regulagem de altura do banco do motorista.
Aumentou, apareceu
A maioria dos itens que começam a ser solicitados na esfera dos compactos já é realidade conforme o preço do carro aumenta. Aliás, não é preciso nem sair do segmento mais simples. Os chamados compactos premium, como o próprio nome já indica, vêm bem recheados. Na verdade, incorporaram características que hoje são obrigatórias entre sedãs médios -- como ar, trio, direção hidráulica e ajustes do volante e do banco.

Só que nem sempre foi assim entre os modelos maiores. "Depois que Honda e Toyota passaram a incluir ar, direção e airbag nos sedãs, a concorrência foi obrigada a acompanhar", diz o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.

Entre os médios, o nível de exigência é outro. Equipamentos de segurança, como airbags e freios com ABS e EBD, passaram a ser prioridade para os consumidores deste nicho. Agora, o foco do público está voltado para os controles de estabilidade e de tração, airbags adicionais e sensores de obstáculos.

O jeito, então, é apostar em tecnologia. "Serve para mostrar um diferencial em relação ao concorrente, mas o preço está incluído no final", ressalta Garbossa. "De repente, agrega-se um equipamento e o consumidor vê aquilo como um motivo de compra", aponta Greif, da Citroën, citando como exemplo o Xsara Picasso com DVD.

Conectando-se
Uma tendência se mostra comum e independente de qualquer segmento e preço: é a procura por tecnologias que aumentem a conectividade e a interação entre o consumidor e o carro. Dispositivos como o bluetooth, rádios com entradas para USB e iPod e outros sistemas que integram telefonia celular e sistema de som, por exemplo, chamam a atenção do público.

"Os jovens, principalmente, estão procurando equipamentos eletrônicos que possuam grande conectividade", observa Emerson Campos, supervisor de marketing de peças e serviços da Peugeot. "Hoje a gente tem de sair do mercado automobilístico para procurar tendências de consumo, principalmente no setor de eletrônicos", encerra Greif, da Citroën.

(por Fernando Miragaya)

NO BRASIL, ITEM DE SEGURANÇA AINDA É DESPREZADO
A popularização de equipamentos de segurança no Brasil ainda parece uma utopia. Atualmente, apenas 10% dos veículos vendidos no Brasil saem das lojas com ABS (sistema antitravamento nos freios) ou airbag. E a aplicação de tais itens se concentra em segmentos acima dos compactos, deixando à mostra uma espécie de "apartheid" da segurança veicular.
Na linha dos compactos, é possível observar bem essa discrepância. Segundo a Volkswagen, no Gol o índice de aplicação de airbag e ABS é de 4%. No "premium" Polo, esse índice já passa de 15%. "A parte de segurança começa a se tornar importante no segmento dos médios. Nos populares, mais sensíveis a preços, talvez daqui a alguns anos", arrisca Adriana Carradori, gerente de marketing da Ford.
Esse abismo, porém, tem raízes culturais na despreocupação do brasileiro com segurança e até mesmo no comportamento das fábricas de automóveis. Criou-se o hábito de vender carro pela potência e beleza. Resultado: é comum um consumidor dar mais importância a uma roda de liga leve do que a um ABS, por exemplo.
Até porque, no mercado nacional, apenas 40% dos veículos oferecem o freio antiblocante. Ou seja, mais da metade não dispõe do dispositivo -- nem como opcional. Já na Europa, a realidade é muito diferente. Mais de 95% dos modelos comercializados por lá têm ABS e airbag. (por Fernando Miragaya)

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES