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26/03/2008 - 11h11

Magnata indiano coloca Jaguar e Land Rover no bolso

Das agências
A montadora norte-americana Ford confirmou a venda de suas marcas de carros de luxo Jaguar e Land Rover para a indiana Tata Motors, famosa por ter desenvolvido o carro mais barato do mundo, o Nano, vendido ao equivalente a US$ 2,5 mil na Índia. A Tata pagará US$ 2,3 bilhões em dinheiro para ter as indústrias, patentes e marcas Land Rover e Jaguar.

Após o aval de órgãos reguladores, a operação deve ser concluída no segundo trimestre, quando a Ford fará uma contribuição de US$ 600 milhões para o fundo de pensão das empresas.

A Ford continuará a fornecer componentes e tecnologia à Jaguar e à Land Rover, além de suporte de engenharia e pesquisa. A financeira da empresa norte-americana também vai continuar a atender os clientes das duas marcas por um período de até um ano.

Reuters - mar.08
O império de Ratan Tata, de origem familiar, estende-se por áreas como telefonia celular, hotelaria e chás
A Ford vem se desfazendo de unidades e marcas como forma de focar suas operações e reverter os prejuízos verificados em 2006 e 2007. Em março de 2007, vendeu a subsidiária Aston Martin, também de carros de luxo, por US$ 848 milhões. A Land Rover é lucrativa, com vendas mundiais que cresceram 18% no ano passado, para 226,3 mil unidades, mas a Jaguar está no vermelho, com queda de vendas de 19%, para 60,4 mil unidades no mesmo período.

Quem é o novo dono
Ratan Tata, de 70 anos, descendente de uma dinastia industrial nascida há 140 anos, assumiu o controle da empresa que leva seu sobrenome, uma herança familiar, em 1991, tornando-a uma gigante de vários setores, entre eles, o automobilístico.

Ao adquirir a Jaguar e a Land Rover, Tata fez uma jogada de mestre no Reino Unido, onde em janeiro de 2007 comprou a siderúrgica anglo-holandesa Corus por 10,6 bilhões de euros -- a maior compra realizada no exterior por uma empresa indiana.

Com esse feito, Tata ficou conhecido como um dos empresários mais importantes da Índia, e desde 1999 usa sua influência no mundo para expandir o próprio conglomerado. Em 2000 Tata diversificou seus investimentos e adquiriu o fabricante de chá britânico Tetley Tea por US$ 407 milhões.

A imprensa, na época, insinuou que a compra representava "um contra-ataque ao império britânico das Índias", fazendo uma referência histórica à ex-potência colonial. Desde então, Tata prometeu "investir além das fronteiras da Índia" e "se sentir em casa em qualquer lugar do mundo". Ele investe, desde 2000, milhões de dólares em empresas do mundo todo, como o fabricante de café americano Eight O'Clock Coffee e o fabricante de carros sul-coreano Daewoo.

Tudo é Tata
Em sua terra natal, Tata é um gigante industrial com 96 filiais responsáveis pela construção de caminhões, passando pelos setores de siderurgia, química, telecomunicações, informática e serviços financeiros.

O grupo já faz parte do dia-a-dia dos indianos, que usam relógios Tata, bebem chá Tata, se locomovem na cidade em veículos Tata, telefonam graças ao operador móvel Tata e usufruem de hotéis de luxo Tata. O conglomerado empresarial do magnata tem faturamento anual de US$ 28,8 bilhões de dólares, e emprega mais de 259 mil pessoas. O grupo Tata é responsável por 3,2% da riqueza nacional da Índia.

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