UOL Carros
 
25/03/2008 - 18h37

Novo Corolla chega em busca da liderança perdida

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Toyota apresentou nesta terça-feira (25), em São Paulo, a nova geração do sedã médio Corolla, que durante cinco anos dominou o segmento, mas que em 2007 foi superado pelo arqui-rival Honda Civic. Em busca da liderança perdida, a marca japonesa sintonizou o Corolla brasileiro com os atuais modelos europeu (principalmente) e norte-americano, renovando o carro mas mantendo-o bem mais clássico que o Civic -- "acusado" de ter trocado conforto e espaço por uma suposta esportividade.

A aposta da Toyota é no bom momento da economia do Brasil. Para ela, o mercado automotivo atingirá 3 milhões de unidades em 2010. Por isso, sentiu-se à vontade para reajustar os preços do seu sedã, que se apresentam divididos do mesmo modo que a Honda faz com os valores do Civic. Na versão "de entrada" XLi, o Corolla sai por R$ 62 mil (manual) e R$ 68 mil (automático); na intermediária XEi, que deve puxar as vendas, custa R$ 68,5 mil (manual), R$ 70,4 mil (manual com bancos em couro), R$ 72,5 mil (automático) e R$ 74,5 mil (automático com couro). A versão top, a SE-G (que a Toyota vê como a futura segunda colocada em vendas do modelo), tem o preço de R$ 87,5 mil (apenas automático).
Divulgação

O novo Corolla deve estar nas lojas em abril, em três versões
VEJA MAIS FOTOS DO NOVO TOYOTA COROLLA

Os preços atuais do Civic são R$ 65.460 pelo LXS manual, R$ 70.520 pelo LXS automático e R$ 85.235 na versão EXS (automático com bancos em couro). O LXS com couro fica em R$ 67.115 e R$ 72.160 (respectivamente, manual e automático).

Para retomar a ponta do segmento, a Toyota planeja aumentar a produção do Corolla no Brasil, de 60 mil unidades/ano para 70 mil/ano (o que inclui os exemplares destinados à exportação). A maior parte desse volume será destinada ao mercado verde-amarelo. Segundo os executivos da empresa, as mudanças estruturais para acomodar esse crescimento já foram feitas. O valor total investido pela Toyota na nova geração do Corolla foi de US$ 268,3 milhões.

O carro deve chegar às lojas em abril -- serão nove meses no mercado até o final do ano. A Toyota sabe que o Corolla não vai conseguir superar o Civic nesse período. Até a metade deste mês, o sedã da Honda lidera o segmento com 12.421 unidades vendidas. O Corolla fica apenas em terceiro lugar, com 4.965. O Chevrolet Vectra é o atual vice-líder, com 5.356 (dados da Fenabrave, federação do distribuidores).

O carro
Durante a apresentação do Corolla à imprensa nesta terça, houve uma polêmica, levantada por alguns jornalistas, a respeito de sua plataforma (base estrutural do carro). Ela é mesmo diferente da nona geração do sedã, ou o carro sofreu apenas uma reestilização (ou "evolução")? A Toyota diz que sim, que é uma plataforma nova -- embora, em termos de dimensões, o carro tenha crescido apenas 1 cm no comprimento e 5,5 cm na largura. O entre-eixos ficou em 2,6 metros, 10 cm menor que o do Civic.

POR TRÁS E POR DENTRO
Divulgação
Traseira do novo Corolla; linhas são mais clássicas que as do rival Civic
Crédito
Lista de equipamentos e itens de conforto buscam ser o diferencial
De todo modo, o novo Corolla traz um visual que o alinha totalmente aos carros que completam a gama de sedãs da Toyota: o pequeno Yaris e o grande Camry (apenas o segundo é importado para o Brasil). A dianteira é praticamente a mesma nos três carros, guardadas as diferenças de tamanho. O efeito é o de uma aproximação com o modelo mais luxuoso -- o Corolla ficou com jeitão de mini-Camry. Mais "adulto", portanto, e cada vez mais distante do suposto arrojo do Civic. Mas é claro o esforço de dar mais fluidez e dinamismo às linhas do carro quando ele é visto lateralmente.

Outro apelo de vendas são os equipamentos do Corolla, especialmente na versão intermediária. Ela tem, de série, ar-condicionado digital, acendimento automático dos faróis, computador de bordo com cinco funções (cuja ausência é uma das grandes falhas do Civic), retrovisores eletrorretráteis (ou "antimotocicleta") e alguns comandos no volante. As rodas são de 16 polegadas. A versão superior SE-G, por sua vez, tem acabamento em padrão madeira e com cromados, banco do motorista com regulagem elétrica, piloto automático e sensor de estacionamento traseiro e lateral, entre outros.

Trem de força
O propulsor do Corolla segue sendo o motor 1.8 VVT-i DOHC de 16 válvulas bicombustível, "readequado" (ou seja, perdeu força) para receber um novo catalisador. Ele entrega 132 cavalos com gasolina (4 cv a menos que a geração anterior) e 136 com álcool, a 6.000 giros, e torque de 17,3 kgfm e 17,5 kgfm, respectivamente com gasolina e álcool (a queda foi de 0,2 kgfm com gasolina). O motor 1.6 ainda será produzido em pequena escala (trata-se de um produto voltado aos portadores de deficiência física).

Veja ficha técnica completa

A transmissão manual é de cinco marchas. Já a automática traz o novo sistema Super ECT (controle eletrônico de transmissão, em português), que, apesar de gerenciar apenas quatro velocidades, promete inteligência suficiente para analisar as condições de uso imediatas do carro e efetuar as trocas do modo mais conveniente.

Outras mudanças no Corolla incluem um redimensionamento de componentes da suspensão (dianteira McPherson e traseira semi-independente com eixo de torção, ambas com barra estabilizadora) e um incremento geral na vedação acústica -- nota-se que a proposta da Toyota é mesmo diferenciar-se pelo conforto.

A marca japonesa não divulga dados de desempenho e consumo de seus carros, mas garante que os indicadores da nova geração do Corolla são melhores que os da anterior.

O test-drive do carro acontece nesta quarta-feira (26), no Guarujá, litoral de São Paulo. À noite, UOL Carros publica suas impressões sobre o modelo.

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES