UOL Carros
 
14/03/2008 - 16h14

Honda divide CR-V por dois para multiplicar vendas por cinco

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Honda do Brasil apresentou nesta sexta-feira (14), em São Paulo, a linha 2008 do importado CR-V. A marca japonesa corre atrás do sucesso do Hyundai Tucson e já se arma para a chegada de concorrentes como Ford Edge, Chevrolet Captiva e Dodge Journey, todos no sub-segmento dos crossovers (que misturam dois ou mais tipos de veículos, como utilitário e minivan).

Para encarar os inimigos, o CR-V passou a ter duas versões: a LX (tração dianteira) e a EXL (tração automática nas quatro rodas), ambas importadas do México, onde são produzidas desde setembro de 2007. Antes, o carro vinha do Japão em versão única, a EX (somente com tração integral). Os custos para trazer o CR-V são menores agora, já que o México é mais perto e a taxa de importação é simbólica. Por isso, a versão "de entrada" LX tem preço sugerido de R$ 94,5 mil, e a top EXL deve ser vendida a R$ 110 mil. A EX saía por cerca de R$ 124 mil.
Divulgação

Versão EXL do Honda CR-V, que tem preço sugerido de R$ 110 mil


Com isso, a Honda pretende multiplicar as vendas do CR-V por cinco, saltando das 1.864 unidades entregues no ano passado para 9.000 até dezembro deste ano. A aposta maior é na versão LX, que, embora nem tão mais barata -- a diferença é de R$ 15,5 mil --, é bem mais "pelada" que a top. A Honda chegou a precisar quantos exemplares espera vender de cada versão: 6.472 da LX e 2.528 da EXL (não precisa somar: dá 9.000 mesmo). As concessionárias já estão faturando o carro.

Essa política de preços coloca o CR-V LX acima do Tucson GL, que começa em R$ 77 mil na versão manual e R$ 83,7 mil na automática -- e é esta a verdadeira concorrente do CR-V, já que o crossover da Honda possui transmissão automática de série em ambas as versões. Até o final de fevereiro, foram vendidos 2.778 Tucson em todo o país, segundo a Fenabrave (federação dos distribuidores). O CR-V vendeu apenas 22 -- o que se explica pela fase de atualização do modelo da Honda.

A MAIS, A MENOS
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Dispositivo desliza cadeira de bebê para perto de quem vai à frente
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Não adianta procurar: versão LX
vem sem os faróis de neblina
A ver como o mercado reagirá. Contra a avalanche publicitária da Hyundai (basta comprar um jornal de domingo para ser soterrado), a Honda aposta na excelente imagem que tem junto aos proprietários de seus carros, na garantia de três anos sem limite de quilometragem (a Hyundai, porém, dá cinco) e, claro, no design do CR-V, bem mais moderno que o do Tucson (mas "desafiável" pelo Edge e pelo Captiva). Detalhe: antes de a Honda divulgar os valores oficiais, os jornalistas presentes apostavam num preço de R$ 80 mil para a versão LX.

Equipamentos e motor
A versão top do CR-V 2008 traz teto solar elétrico, ar-condicionado digital dual zone, sistema de som para seis CDs com subwoofer e tweeters, bancos de couro e faróis de neblina (inexplicavelmente tratados como luxo pela Honda). Já a versão LX oferece ar-condicionado analógico, CD-player comum e bancos em tecido. Ambas podem ter os três assentos do banco traseiro rebatidos e contam com um interessante sistema de acoplamento para cadeira de bebê, deslizável à frente, para a criança ser alcançada facilmente pelo motorista ou passageiro.

O CR-V EXL possui airbags frontais, laterais e de cortina, enquanto o LX tem apenas os frontais. Os freios com ABS (antitravamento) e EBD (controle eletrônico de frenagem) é comum às duas versões. O assistente de estabilidade (VSA) é exclusivo da EXL.

Ambas as versões do CR-V possuem o motor i-VTEC de 2 litros e 16 válvulas, a gasolina, com potência de 150 cavalos e torque de 19,4 kgfm. A transmissão é de cinco velocidades (com a quinta de sobremarcha). Aliás, esses dados técnicos (próximos aos próprio Honda Civic, com o qual o CR-V compartilha a plataforma), somados ao abandono da tração integral na versão LX, mostram que o CR-V foi feito mesmo para rodar na cidade, transportando famílias. Decupando o conceito de crossover, está mais para minivan do que para utilitário.

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