UOL Carros
 
27/02/2008 - 19h31

A3 Sportback com câmbio S tronic vira carro 'duplo'

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
Atualizada às 13h44 de 28/02

Depois que deixou de ser fabricado no Brasil, em agosto de 2006, o Audi A3 virou uma porta de entrada para o mundo dos carros importados de fora do eixo Mercosul-México. Ficou bem mais caro que o nacional, que era produzido no Paraná, mas ainda dispõe de uma versão "popular" com motorização 1.6 e tem carroceria hatchback de porte pequeno-médio. À exceção do Série 1 da BMW, não encontra similares na trinca de marcas alemãs (completada pela Mercedes-Benz) que, para nossos padrões, entregam luxo e desempenho de sobra.

Agora o A3 vem da Alemanha e tem o design da segunda geração do modelo, lançada em 2003 no país de origem. Na versão Sportback, que possui motorização 1.6 ou 2.0, o destaque é para a traseira, que ficou mais alta, massuda, e ganhou lanternas de corte irregular. Isso espantou a relativa placidez do modelo anterior, e ficou sob medida para a versão mais atrevida do carro.
Roberto Assunção/UOL

A versão Sportback com motor 2.0 turbo e câmbio S tronic
custa R$ 145.500; carro vem da Alemanha desde agosto de 2006
MAIS FOTOS EXCLUSIVAS DO AUDI SPORTBACK


O Sportback que realmente importa -- e o que mais vende -- é o de motor de 2 litros, quatro cilindros e 16 válvulas, que ostenta o "sobrenome" T FSI: "T" de turbo e "FSI" de "fuel stratified injection" (injeção estratificada de combustível, ou, simplesmente, injeção direta). Sua potência é de 200 cavalos. O trem de força pode completar-se com transmissão automática (ou automatizada, como preferem alguns) S tronic -- como no exemplar experimentado por UOL Carros -- ou manual de cinco marchas.

Embora possua quatro portas e equivalha, em tamanho, aos hatches médios nacionais (o comprimento é de 4,28 metros), por dentro o A3 Sportback busca o espírito de um cupê esportivo. Até há bom espaço para duas pessoas no assento traseiro, mas o interior parece mesmo pensado para levar só motorista e passageiro. É sintomático que o ar-condicionado permita regulagens diferentes para ambos, mas ignore quem vai atrás. Essa sensação se intensifica com os bancos dianteiros (de couro e muito confortáveis), que seguram o corpo quase como num carro de competição.

Na lista de mimos oferecidos pelo A3 Sportback estão, entre outros, o sistema de som Audi Symphony para seis CDs e adaptador para iPod, com o detalhe "cult" de possuir toca-fitas; diversos comandos instalados no volante; computador de bordo bem completo e com opção de velocímetro digital; faróis de xênon com acendimento automático; e sensor de chuva. Teto solar panorâmico (duplo) e sensor de estacionamento são opcionais.

Quanto à segurança, o carro possui freios com sistema antitravamento (ABS), airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro, além do controle eletrônico de estabilidade (ESP). Reforçando a vocação de "carro para dois", os airbags traseiros são opcionais.

TRÊS ÂNGULOS DO A3
Roberto Assunção/UOL
A traseira ganhou massa e, com lanternas recortadas, agressividade
Roberto Assunção/UOL
O propulsor TFSI de 2 litros gera
200 cv; torque tem larga faixa
Roberto Assunção/UOL
Os bancos dianteiros aconchegam e seguram motorista e passageiro
MAIS FOTOS DO A3 SPORTBACK
Motor ligado
Ao virar a chave, o motorista precisa saber de antemão que o A3 Sportback tem dupla personalidade. Se a pisada no acelador for comedida, ele vai rodar macio e silencioso. Pressionando o pedal com agressividade, a resposta vem na mesma moeda -- o turbocompressor desperta, e o A3 parece capaz de levantar vôo.

Os números de fábrica são impressionantes para um carro do segmento -- e totalmente críveis, a julgar pelo seu comportamento depois que o propulsor acorda. A Audi afirma que o carro vai de zero a 100 km/h em cerca de 7 segundos; uma retomada de 60 km/h para 120 km/h (dado relevante para a segurança) ocorre em 5,4 segundos. A velocidade máxima é de 236 km/h.

É verdade que o motorista brasileiro terá pouca (ou nenhuma) chance de levar o motor 2.0 T FSI ao limite -- coisa que os alemães podem fazer em suas rodovias. Mas o trem de força do A3 não oferece apenas desempenho. Há muito prazer em dirigir o carro. O "segredo" disso é a transmissão S tronic de seis velocidades. Ela age em sintonia com o piloto do carro, como se interpretasse o que ele espera do A3 a cada momento.

No modo D (drive, automático), por exemplo, as mudanças ocorrem rapidamente. Antes dos 80 km/h o A3 já vai estar em sexta marcha, bem solto, mas nunca fraco -- tipicamente, o conta-giros vai mostrar 2.000 rpm, valor dentro da faixa de torque máximo (28,5 kgmf), que fica disponível entre 1.800 e 5.000 giros. Não há trancos ou buracos incômodos entre as marchas.

Nessa situação, o A3 parece programado para oferecer conforto e comodidade como prioridades. Impressão reforçada pela suspensão (dianteira tipo McPherson e traseira four link) nem dura nem mole; e, apesar de passar uma sensação de leveza, o carro também é sempre muito estável -- segundo a Audi, devido à tecnologia que permite aplicar espessuras diferentes a uma mesma chapa de aço do monobloco (estrutura) do carro, evitando emendas e dando maior rigidez à carroceria.

Ordem de força
Voltando àqueles 80 km/h descritos acima: se o piloto calcar o pé no acelerador, o câmbio S tronic interpreta que precisa providenciar mais força -- e rápido. Imediatamente ele reduz de sexta para quarta, os giros explodem, e o A3 deixa todo mundo para trás. Efeito semelhante é obtido com o câmbio na posição S (de sport). De novo a 80 km/h, basta deslocar a alavanca para que os giros subam 50% (a 3.000) e o câmbio reduza para quarta, à espera da ordem para "decolar". O carro vai sempre trabalhar no limite de cada velocidade, bem nervoso.

Caso o motorista queira dar mais personalidade à condução, pode optar pelo modo seqüencial, cujas trocas são feitas na alavanca ou em borboletas atrás do volante. Mesmo em D é possível antecipar uma ascensão ou reduzida de marcha.

O entendimento quase perfeito entre motor e câmbio é garantido pela embreagem dupla -- uma para as marchas pares, outra para as ímpares. Na prática, o S tronic pré-engata a marcha seguinte à atual, antecipando a troca e evitando perda de força entre uma velocidade e outra.

A conclusão é só uma: o câmbio S tronic é o grande trunfo do A3 Sportback. Talvez nenhum outro modelo ganhe tanto ao substituir a transmissão manual pela automática. E o equipamento, dentro da gama Audi, está disponível apenas no TT, além do A3 -- sendo que o TT custa cerca de R$ 230 mil.

PREÇO SOBE, MAS ESTÁ NA FAIXA DOS RIVAIS
Vindo da Alemanha, o A3 deixou de ser um carro razoavelmente acessível. Com duas portas e motor 1.6 8V de 102 cavalos, tem preço inicial de R$ 99.850. O Sportback 1.6 mecânico começa em R$ 110.900.
Já os dotados de motor 2.0 TFSI custam R$ 138.650 (manual) e R$ 145.500 (S tronic). Os preços foram divulgados pela Audi.
O exemplar avaliado encara como principais rivais importados o BMW 130i (motor 3.0 24V e 265 cavalos), que sai por R$ 198 mil; e o Volvo C30 (motor 2.5 e 220 cv), por R$ 136.475. Entre os nacionais, só pode ser comparado ao VW Golf GTI turbo, que custa R$ 106 mil, e ao Honda Civic Si, cotado a R$ 95.480 (mas este é um sedã). Os preços são da tabela Fipe.
Vale a pena? Bem, quem pode gastar cerca de R$ 145 mil num carro não fará mau negócio se o escolhido for o Sportback 2.0 S tronic. É difícil querer mais de um trem de força. Mas a despesa é permanente: por exemplo, o carro não marcou mais do que 7 km/l de média de consumo, rodando 55% na cidade e 45% na estrada.
E saiba o comprador brasileiro que, nos Estados Unidos, um A3 igual ao testado por UOL Carros sai por US$ 25.930, ou cerca de R$ 44 mil (antes de qualquer imposto e taxa). Em sua terra natal, ele custa 30.400 euros, ou R$ 76.800.

O veículo foi cedido para avaliação pela Audi do Brasil

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