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22/02/2008 - 19h17

Impressões ao dirigir: 'Fusca burguês' não é só bonitinho

Da Auto Press
O New Beetle foi concebido mesmo para ser indiscreto. Afinal, é só rodar um pouco com o carrinho retrô da Volkswagen por ruas de grande movimento para perceber torcidas de pescoço, dedos apontados, bocas abertas e olhares empolgados para o "Fusquinha burguês".

É verdade que o design bastante peculiar do automóvel é o grande diferencial do modelo e acaba por sacrificar um pouco a habitabilidade e o conforto do carrinho. Afinal, o acesso aos bancos traseiros é dificultado pela existência de apenas duas portas, há pouco espaço para os ocupantes atrás, e apenas dois adultos de alturas normais viajam tranqüilamente. E isso é mais que suficiente para a proposta de "fun car" do veículo.

FUSQUINHAS
O New Beetle é fabricado na planta da Volkswagen em Puebla, no México, sobre a plataforma do médio Golf.
O New Beetle foi lançado mundialmente em janeiro de 1998. Desembarcou no Brasil exatamente dois anos depois, a um preço de US$ 30.390.
Em 2003, começou a ser produzida a versão Cabriolet do New Beetle, que não é importada para o Brasil.
Lá fora o modelo tem uma ampla gama de motores. Além do 2.0 vendida no Brasil, há propulsores gasolina 1.4 de 75 cv, 1.6 de 102 cv e 1.8 turbo de 150 cv. Há ainda duas versões turbodiesel 1.9 litro, de 90 cv e 105 cv - injeção direta.
Apesar de o New Beetle estar no mercado, especialistas apontam o Up!, conceito de compacto apresentado em Frankfurt no ano passado, como o verdadeiro sucessor do Fusca. O modelo tem motor traseiro e, segundo comentários, custaria menos de US$ 10 mil.
Mas, se o New Beetle é mesmo um carro para ególatras, pelo menos quem vai na frente se sente bem. O espaço para pernas e cabeças é bom para motorista e carona. Só que os insistentes olhares que o New Beetle atrai podem deixar despercebidas outras virtudes do carrinho em seu modelo 2008. Uma delas é a estréia do competente câmbio Tiptronic. Com seis velocidades, a transmissão automática confere um desempenho eficiente ao veículo, sem grandes delays nas passagens de marchas ou muitos trancos nas mudanças.

Para chegar aos 100 km/h foram precisos 12,5 segundos. Mas nas retomadas é que o câmbio e o motor de 116 cv se mostram mais entrosados. As respostas às investidas no pedal do acelerador são quase imediatas, graças também ao torque de 17 kgfm já fornecido na faixa de 2.400 giros.

Ao mesmo tempo, a transmissão responde bem sobre qual marcha é mais adequada para a ocasião. Resultado: retomadas eficientes e ultrapassagens seguras. De 60 km/h a 100 km/h em drive, por exemplo, foram 8,1 segundos. Para quem quer mais agilidade, basta posicionar o câmbio no modo seqüencial. Em quinta, foram 7,7 segundos para cumprir a mesma aceleração.

A partir dos 120 km/h, porém, o motor 2.0 litros 8 válvulas mostra que falta fôlego para chegar à máxima de 175 km/h. É preciso afundar o pé no pedal. A situação se complica um pouco mais a partir dos 160 km/h, quando a frente do New Beetle passa a flutuar e a comunicação do volante com as rodas perde a precisão.

Já nas curvas, mesmo as mais fechadas e em performances mais ariscas, o modelo torce bem pouco a carroceria e não faz qualquer menção que vá sair de frente. Na hora de abastecer, o New Beetle Tiptronic fez a média de 7,1 km/l de gasolina, com uso 2/3 na cidade e o restante na estrada. (por Fernando Miragaya)

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