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19/02/2008 - 19h03

Sandero quer pintar a Renault de verde e amarelo

Da Auto Press
A Renault luta exaustivamente para deixar de ser vista como marca importada no Brasil. E o hatch Sandero, feito na planta da montadora em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba (PR), tem uma função estratégica neste objetivo da fabricante francesa. Afinal, o médio-compacto é um projeto desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro e latino-americano -- e o primeiro projeto da marca realizado e estreado fora da Europa.
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

Sandero busca vocação nacional para Reanult, com espaço e design


No visual, o Sandero já se destaca. Está longe de ter arroubos de ousadia estética, mas os grandes faróis angulosos conferem um certo arrojo ao modelo e acabam contrastando com a comportada grade bipartida dividida pelo losango característico da marca.

O capô traz dois vincos suaves nas extremidades que acompanham o desenho do conjunto ótico, e um discreto vinco em forma de trapézio, que contorna os esguichos de água do pára-brisa. A traseira é bem mais harmoniosa, com lanternas gigantes, envolventes, que acompanham a linha de abertura da tampa do porta-malas e sobem pela coluna traseira.

A versão Privilège tem uma lista de equipamentos um tanto reduzida. Por ser a versão top, carrega previsíveis ar-condicionado, direção hidráulica, rádio/CD/MP3, computador de bordo, trio elétrico, alarme e faróis de neblina. O banco do motorista tem regulagem de altura, mas a coluna de direção é desprovida de ajuste. O assento traseiro é bipartido, e o modelo conta com travamento automático das portas.

RÁPIDAS
A fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, onde é feito o Sandero, também produz os compactos Clio, Clio sedã e Logan, e os médios Scénic, Mégane e Mégane Grand Tour, além da van Master. Em breve, a marca inicia produção do Mégane hatch.
Sobre a mesma plataforma do Logan, a Renault ainda deve fabricar mais um modelo até 2009. Um dos mais cotados é a versão crossover do Logan, que já roda na Europa sob a alcunha MCV. Isso sem contar um compacto que a Nissan também deve fazer sobre o mesmo chassi.
Na planta paranaense também são fabricados modelos da Nissan - marca japonesa que faz parte do Grupo Renault - como a picape média Frontier e sua derivação SUV XTerra. Em março, começa a fabricação da Frontier SEL, nova geração do utilitário.
A Renault diz que investiu 373 milhões de euros nos projetos do Logan e do Sandero no Mercosul.
O desenvolvimento do compacto envolveu 50 profissionais do Technocentre, em Guyancourt, principal centro de tecnologia da fabricante.
Como recurso estético, o hatch ainda oferece rodas de liga leve aro 15, pára-choques e carcaças dos retrovisores na cor do veículo. Por dentro, para dar um ar mais sofisticado, as molduras dos instrumentos são cromadas, e há detalhe em alumínio na manopla do câmbio.

Nessa demonstração de brasilidade, a versão Privilège 1.6 8V Hi-Torque é bem completa e equipada para atacar o subsegmento top dos compactos-médios. Por R$ 41.190, fica competitivo junto aos seus adversários Volkswagen Polo 1.6, Citroën C3 GLX 1.6 16V e Fiat Punto HLX 1.8. Porém, peca por oferecer airbag duplo apenas como opcional, o que eleva o preço para R$ 42.690 -- ABS só é oferecido na Privilège 1.6 16V.

E peca também por ter um jeito bem mais despojado que seus concorrentes diretos, principalmente no acabamento interno. Plásticos com pintura metalizada, que lembram vagamente aço escovado e alumínio, são encontrados no console central e nas portas.

De qualquer forma, o Sandero Privilège é mais barato que os rivais. O Volkswagen Polo 1.6 parte de R$ 41.680. Com equipamentos semelhantes aos dessa versão do Sandero, chega aos R$ 46.005, com a vantagem de ter ABS. O Citroën C3 GLX 1.6 16V parte dos R$ 46.530, só com ABS -- não oferece airbag --, e o Fiat Punto HLX 1.8 sai por R$ 45.470 e alcança os R$ 48.429 no pacote com airbag duplo e ABS.

Sob o capô, o Sandero usa um motor que também fica um pouco aquém dos concorrentes em termos de potência. Trata-se do 1.6 8V Hi-Torque, que gera 95 cv com álcool e 92 cv com gasolina a 5.250 giros. Todos os oponentes têm motores acima de 100 cv. O propulsor do Sandero, porém, tem o bom torque máximo de 14,1/13,7 kgfm a 2.850 rotações, que se traduz num comportamento dinâmico tão interessante quanto o dos rivais.

Estruturalmente, o novo hatch da Renault é também o mais moderno do segmento. Usa a plataforma B0, do Logan, com espaço interno generoso graças a um entre-eixos de dar inveja a muito modelo médio: 2,59 metros (o Toyota Corolla, por exemplo, tem 2,60 m).

Carta Z Notícias

Acabamento interno do Sandero é melhor que o do sedã Logan
Impressões ao dirigir
Dirigir o Sandero remete o motorista de imediato ao Logan. O espaço interno generoso, a boa posição de dirigir e o eficiente comportamento dinâmicos são as semelhanças mais palpáveis entre os dois modelos. Mas existem também diferenças. E a principal é o acabamento. Apesar de aparentar a mesma simplicidade do sedã, o novo hatch da Renault pelo menos tenta disfarçar, com revestimento mais simpático dos bancos, detalhes cromados e texturas mais agradáveis.

As diferenças na percepção visual não encontram correspondência no comportamento do motor 1.6 8V de 92 cv ou 95 cv. O propulsor assegura arrancadas eficientes e o zero a 100 km/h foi obtido em interessantes 12,3 segundos, por exemplo. O mesmo se dá nas horas de enfrentar um trecho de subida ou de fazer uma ultrapassagem. O Sandero Hi-Torque se vale dos 13,7 kgfm aos 2.750 giros, que asseguram retomadas igualmente eficientes.

Em quarta marcha, foram precisos 7,4 segundos para fazer de 60 km/h a 100 km/h. Em quinta, foram 9,8 segundos. O desempenho também não é dos melhores após os 110 km/h. É preciso pisar fundo no pedal do acelerador e ter um pouco de paciência para alcançar a velocidade final de 170 km/h.

Embora a performance do motor não chegue a ser instigante, a estabilidade é convincente. O Sandero impressiona pelo comportamento em curvas fechadas. Mesmo em velocidades pouco civilizadas, o carro não faz qualquer menção de sair de frente e a carroceria torce bem pouco. A suspensão bem calibrada e macia ajuda no comportamento dinâmico e também a absorver as buraqueiras das ruas brasileiras -- o que privilegia o conforto dos ocupantes.

Nas retas, a estabilidade se mostra mais uma vez eficiente e uma sensação de flutuação da dianteira surge só mesmo após os 160 km/h. Os aspectos negativos ficam na ergonomia: os comandos não estão todos à mão do condutor. Os dos vidros, trava e retrovisores elétricos, por exemplo, requerem o desvio de atenção do motorista. Para complicar, o quadro de instrumentos tem a visualização prejudicada pela ausência de um ajuste de altura da coluna de direção. O arco do volante encobre a parte superior dos mostradores.

Na hora de abastecer, o Sandero Privilège obteve a média de 8,5 km/l com gasolina no tanque e uso de 2/3 na cidade e o restante na estrada. Apenas regular para um motor 1.6 de 95 cv.

(por Fernando Miragaya)

DE ZERO A 100 PONTOS, O SANDERO PRIVILEGE 1.6 8V
Desempenho - O motor oito válvulas da Renault oferece uma performance comedida, mas interessante ao Sandero. As acelerações são razoáveis e o motor de 92 cv (com gasolina) até responde bem às investidas no pedal do acelerador. O torque de 13,7 kgfm disponível antes dos 3.000 giros garante retomadas eficientes, mas é preciso uma dose de paciência para alcançar a velocidade máxima de 170 km/h. Nota 7

Estabilidade - O modelo tem um bom comportamento, principalmente em curvas. A rigidez torcional faz a carroceria rolar bem pouco mesmo nas curvas feitas em velocidades mais altas, apesar da altura generosa, de 1,53 metro. A barra estabilizadora traseira na suspensão bem calibrada aprimora o comportamento dinâmico do Sandero. Nas retas, a estabilidade também é louvável, e a comunicação entre roda e volante só fica comprometida após os 160 km/h, quando surge uma discreta sensação de flutuação. Nas frenagens bruscas, o modelo não desvia a trajetória. Nota 9
Interatividade - Os carros da Renault têm alguns problemas crônicos de ergonomia. No caso do Sandero, o comando do espelho retrovisor elétrico é emblemático. Seu acionamento é difícil, já que o botão fica no console central, abaixo do freio de estacionamento. Os comandos dos vidros elétricos e da trava, no painel central, também requerem o desvio do olhar do motorista. O computador de bordo num pequeno display no quadro de instrumentos é de difícil visualização. A percepção do próprio quadro de instrumentos é prejudicada pela ausência de uma regulagem de altura do volante. Um motorista com 1,75 m de altura, por exemplo, tem a visão superior dos mostradores coberta pelo arco do volante. O câmbio tem engates macios, mas pouco precisos e com curso longo demais. A manobrabilidade é facilitada pelas janelas amplas e apenas a coluna lateral atrapalha na hora de enfrentar um cruzamento. Nota 6
Consumo - O modelo testado fez a média de 8,5 km/l com gasolina com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 6
Conforto - A suspensão bem calibrada do Sandero absorver com eficiência as irregularidades da pista. O ótimo entre-eixos proporciona um bom espaço para as pernas, inclusive para os ocupantes de trás. O vão para cabeças também é facilitado pela boa altura do modelo e pela curvatura do teto. O isolamento acústico é eficiente. Nota 9
Tecnologia - A plataforma B0 é a mais moderna entre os compactos existentes no país. O modelo tem boa rigidez torcional, dispõe do eficiente motor 1.6 8V e conta com itens de conforto esperados em um carro de mais de R$ 40 mil. Os equipamentos de segurança, porém, deixam a desejar, já que airbag só como opcional. ABS, nem assim, apesar de a Privilège ser versão top do Sandero. Nota 8
Habitabilidade - Os porta-objetos do Sandero estão em número razoável, mas são rasos e estreitos. Em compensação, o porta-malas é generoso para o segmento - 320 litros - e os acessos são facilitados pelas portas e pela boa altura do modelo. Nota 8
Acabamento - A qualidade dos materiais usados no Sandero parece superior que os aplicados no Logan, principalmente nos detalhes em plástico, que lembram aço escovado e apliques cromados na manopla do câmbio e na moldura do quadro de instrumentos. Mas apesar de ser agradável ao toque e aos olhos, o acabamento é simplório. Ao menos encaixes e fechamentos estão de acordo, e não há sinais de rebarbas. Nota 6
Design - O Sandero tem um design comportado, embora com toques arrojados. O conjunto óptico remete aos carros da marca. O estilo interior, por sua vez, é mais sóbrio. Trata-se de um projeto que estréia no Brasil. Nota 7
Custo/benefício - A versão top do modelo custa mais de R$ 42 mil e não oferece itens como ABS e regulagem de altura do volante. Mesmo assim, está próximo dos rivais - mas merecia um pouco mais de requinte no acabamento interno e na lista de itens de série. Nota 7
Total - O Sandero Privilège somou 73 pontos. NOTA FINAL: 7,3

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