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15/02/2008 - 19h50

Impressões ao dirigir: EcoSport ganhou força, mas tem falhas

Da Auto Press
Usar o termo "novo" virou praxe na indústria automobilística para batizar face-lifts e reestilizações num modelo que usa a mesma plataforma e não sofreu grandes alterações estruturais. A Ford, inclusive, adotou o slogan "Viva o novo". E com o EcoSport não foi diferente. Mas seria injusto não perceber melhoras nas arrancadas do já eficiente motor 1.6.

O encurtamento das relações das duas primeiras marchas facilitou o trabalho dos 111 cv (com álcool) do propulsor, e o modelo responde mais prontamente às investidas no pedal do acelerador. Com isso, o SUV compacto da Ford ficou mais esperto, e leva 13,7 segundos para sair da imobilidade e alcançar os 100 km/h.

A partir daí, porém, é preciso paciência para levar o modelo à máxima de 160 km/h. Nesse momento, aliás, o motor grita muito e torna explícitas as falhas do isolamento acústico. Uma sensação de flutuação também é percebida próximo da velocidade final, mas nada que desabone a estabilidade do utilitário esportivo.

Até porque o "Eco" se comporta muito bem em curvas, tanto em baixa quanto em alta velocidade. A carroceria torce pouco, apesar de se tratar de um modelo com 1,67 metro de altura. Além disso, o veículo não faz qualquer menção de adernar. Na hora das freadas bruscas, um comportamento também exemplar, com méritos para o ABS dos freios, que ajuda a segurar o SUV.

O modelo deveria ficar mais "solto" mesmo é no desempenho em giros e velocidades maiores. Se o encurtamento das primeiras marchas o deixou mais esperto nas arrancadas, nas retomadas o torque máximo tardio (só depois dos 4.250 giros) e o peso de mais de 1.200 kg do EcoSport fazem a diferença. Para pior.

Nas subidas, o modelo demora a ganhar força, e as trocas de marchas se fazem necessárias a todo instante. Nas retomadas é preciso, também, ter atenção. De 60 km/h a 100 km/h em quarta, por exemplo, são necessários 8,1 segundos. Em quinta, foram longos 9,9 segundos.

Se o consumo continua elevado (apenas 6 km/l com álcool), o acabamento evoluiu timidamente. Mais por conta da estética e da qualidade dos materiais usados no painel frontal e no revestimento de portas. No que diz respeito a encaixes e fechamentos, porém, o EcoSport continua a deixar a desejar, com várias folgas aparentes entre os materiais. As rebarbas também são percebidas em vários locais do revestimento interno.

Pelo menos, a vida a bordo é facilitada pela boa e elevada posição de dirigir, pela ergonomia eficiente e pelos ajustes do banco e do volante. O espaço para pernas é o normal para um compacto. Já a visibilidade traseira acaba prejudicada pelo estepe no porta-malas, item que está saindo de moda, tendo sido deixado de lado em projetos mais recentes de utilitários esportivos.

(por Fernando Miragaya)

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