UOL Carros
 
12/02/2008 - 20h54

Vectra Elite 'encolhe' motor para custar R$ 5.205 a menos

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros,
em Indaiatuba (SP)*
Atualizada às 11h23 de 13/2

A General Motors apresentou nesta terça-feira, no campo de provas de Indaiatuba (SP), o Vectra Elite com motor Flexpower 2.0 de oito válvulas. Trata-se de uma subdivisão da versão de luxo do sedã médio da marca, que antes só possuía motorização 2.4. Com a litragem menor, o carro paga menos IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A alíquota do 2.4 é de 18%, e a do 2.0 fica em 11%.

Desse modo, o Elite 2.0 pode começar em R$ 76.527, enquanto o 2.4 -- que não vai sair de linha -- tem como primeiro preço R$ 81.372. A diferença é de R$ 5.205. O valor inicial do 2.0 é praticamente o mesmo de um fictício 2.4 que recolhesse 11% de IPI.

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O Vectra Elite 2.0 é uma movimentação da GM no segmento dos sedãs médios com valor acima de R$ 75 mil, dominado pelo Ford Fusion
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Parece um bom negócio, mas cabe lembrar que o 2.0 oferece menos 400 cm³ de cilindrada, menos oito válvulas (o 2.4 é 16V) e -- com gasolina -- menos 25 cavalos de potência (121 cv do 2.0 contra 146 cv do 2.4). Esse débito no trem de força não se refletiu no preço. Em "compensação", a versão Elite passa a contar com GPS de série, igual ao que equipa o Vectra GT.

A criação do Vectra Elite 2.0 é mais um lance no jogo de xadrez dos sedãs médios, segmento que vem ganhando força especial com o crescimento da produção e vendas da indústria automotiva. Foram cerca de 160 mil unidades vendidas em 2007, contra 108 mil em 2006 -- um aumento de 48%. No ano passado, venderam-se cerca de 30,5 mil Vectra, que deteve 20% do segmento e ficou em terceiro lugar, atrás de Honda Civic e Toyota Corolla.

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O motor bicombustível do Vectra Elite 2.0 entrega 121 cavalos
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Antena em forma de barbatana é um dos diferenciais do Vectra
VECTRA ELITE NO INTERPRESS
VECTRA ELITE NO CARSALE
Tal jogo recebeu em 2007 alguns novos players, como o Nissan Sentra e o Citroën C4 Pallas -- e logo mais terá a reestilização do Corolla e a chegada do Fiat Linea.

Por ora, a reação da GM é apostar no "andar de cima" dos sedãs médios, aqueles que custam entre R$ 75 mil e R$ 90 mil -- território dominado pelo Ford Fusion. A corporação norte-americana vê ali um nicho para um Vectra tão equipado quanto seu topo de linha, mas alguns milhares de reais mais barato. Ou seja, é uma aposta no custo/benefício, mesmo num segmento que namora os endinheirados.

Equipamentos
O Vectra Elite 2.0 possui transmissão automática com quatro velocidades (a mesma do 2.4) e vem bem equipado de série -- tanto que oferece apenas dois opcionais: banco do motorista com regulagem elétrica e teto solar. Com ambos, vai a R$ 80.069 (o 2.4 chega a R$ 85.274). Entre os itens de conforto estão acabamento em couro, ar-condicionado com ação no banco traseiro, regulagem de altura e profundidade do volante (que abriga comandos do som), descanso de braço dianteiro e porta-malas com abertura elétrica.

Quanto à segurança, o Elite 2.0 dispõe de airbags frontais e laterais, freios ABS (antitravamento) com distribuição eletrônica de frenagem (sistema EBD) e faróis de neblina. Finalmente, há os mimos: sensor de chuva no pára-brisa, volante em couro e antena Shark (em formato de barbatana) no teto. Os acessórios que podem ser colocados fora da fábrica incluem geladeira, sensor de estacionamento e entradas de USB e cartão de memória (SD).

Rodando com o Elite
Após a apresentação técnica e mercadológica do Vectra Elite 2.0, a GM promoveu um test-drive em seu campo de provas em Indaiatuba, do qual UOL Carros participou como motorista e passageiro traseiro -- situação relevante num veículo usado por famílias e também no transporte de executivos.

PREÇOS E FICHAS
EXPRESSION 2.0R$ 56.974 até R$ 62.474
ELEGANCE 2.0R$ 63.878 até R$ 74.447
ELITE 2.0R$ 76.527 até R$ 80.069
ELITE 2.4R$ 81.732 até R$ 85.274
FICHA VECTRA ELITE 2.0 E 2.4
PREÇOS TABELA FIPE
A aparência do Vectra é a mesma desde 2005. A traseira continua resistindo melhor ao tempo que a dianteira, semelhante demais a outros carros da GM. Perto de adversários como o C4 Pallas, Civic e Ford Fusion, ele é que fica com "cara de tiozão". Mas isso não é ruim. O conservadorismo pode ser um apelo de venda.

Por dentro, o carro entrega uma boa posição de dirigir (as duas unidades testadas possuíam o ajuste elétrico do assento) e uma sensação geral de conforto, mas não exatamente de luxo -- apesar do couro nos bancos e nas portas, e também do painel revestido de borracha agradável ao toque e com detalhes em imitação de madeira. O quadro de instrumentos parece vindo de um carro de menor valor.

Ao rodar, o Vectra (como outros carros do segmento) sente a falta de um câmbio automático de seis velocidades, que permitiria mais suavidade nas trocas -- em vez das "esticadas" promovidas pelo câmbio de quatro marchas, que aumentam o ruído que vaza para o habitáculo.

A suspensão é bem rígida, mas mesmo nos trechos de pista irregular do campo de provas não chegou a haver desconforto ao volante ou como passageiro. E a estabilidade é um ponto alto do Vectra. Mesmo entrando em curvas em velocidades um pouco acima do bom senso, o carro não saiu de traseira uma vez sequer. Pareceu grudado no chão o tempo todo.

Na reta infinita da GM (pista rápida de traçado circular), o Vectra Elite 2.0 chegou a cerca de 170 km/h com o pedal totalmente no assoalho. Uma segunda tomada, feita por UOL Carros com outra unidade e o ar desligado, atingiu 180 km/h de máxima (números do velocímetro; na verdade os valores devem ser menores, embora a GM fale em mais de 190 km/h, o que pode acontecer com um Vectra mais rodado). O carro chegou a essas velocidades sem dificuldade, mas também sem muita emoção.

Atrás, duas pessoas têm muito conforto e espaço para as pernas -- o entreeixos é de 2,7 metros, mas o banco é um pouco duro (talvez até melhore com o uso). Como sempre, três pessoas não vão ficar tão à vontade.

Mas isso ocorre porque o Vectra Elite é um sedã feito para famílias de quatro pessoas. É produto para um público mais "tranqüilo" ao volante, que provavelmente não sentirá falta do que o motor 2.0 perdeu em relação ao 2.4. Nesse ponto a GM mostrou-se arguta.

Além disso, futuros proprietários vão gostar da lista de equipamentos de série e do GPS -- apesar de o aparelho ser daqueles de grudar com ventosa no pára-brisa, com jeitão de brinde. Mas pelo menos é útil. E, no final das contas, serão mais de R$ 5.000 que continuarão no bolso de quem optar pelo Elite 2.0 em vez do 2.4.

*Hospedagem a convite da GM

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