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08/02/2008 - 19h00

Bandeira vermelha já está cravada nas ruas do Uruguai

Da Auto Press
A possibilidade da chegada dos automóveis chineses ao mercado nacional causa arrepios nos fabricantes instalados no Brasil. Só que, por aqui, o desembarque dos modelos "made in China" está em ritmo de conta-gotas. Mas basta descer um pouco mais ao sul e atravessar a fronteira para constatar que a temida invasão já ocorre na vizinhança.

Atualmente, 13 marcas chinesas já estão presentes com toda sorte de veículos no Uruguai, e algumas já começam a ensaiar a montagem local em CKD ("completely knocked-down", sistema em que os carros chegam ao país desmontados) de seus modelos.

Picapes, utilitários esportivos, vans, furgões, miniônibus, caminhões leves e compactos com aparência um tanto inusitada dão um ar de Pequim às ruas da bucólica Montevidéu. Servem para as fabricantes chinesas testarem a aceitação de seus produtos e começarem a botar as manguinhas de fora no cobiçado Mercosul.
Divulgação


O SUV Chery Tiggo, opção chinesa para uso "civil"; "especialidades" são os utilitários comerciais (abaixo, o Dongfeng Furgón) e as picapes
MAIS FOTOS DOS VEÍCULOS CHINESES NO URUGUAI


Por enquanto, as chinesas atuam no Uruguai em três segmentos bem específicos: compactos, comerciais leves e utilitários. E a primeira montadora chinesa a se instalar de fato no país, a Chery, vai montar justamente um utilitário esportivo em CKD. Trata-se do Tiggo, compacto que, beneficiado pela isenção de taxas alfandegárias no Mercosul, em breve deve desembarcar por aqui para brigar com o Ford EcoSport.

O modelo tem motor 2.0 de 125 cv, ar-condicionado, airbag duplo, freios com ABS e EBD e trio elétrico. Sua chegada ao Brasil está prevista para o segundo semestre. No mercado uruguaio, vai brigar também com o Ufo SUV. Importado da China, o pequeno utilitário é menor que o Tiggo e tem apenas duas portas.

Compactos e picapes
Na esfera dos compactos está o monovolume Effa Ideal, que vai ter cidadania uruguaia em breve. O compacto com motor 1.0 de 47 cv é importado da China, mas deve começar a ser montado no Uruguai, também em CKD, em maio. Para o Brasil, o modelo virá sob a alcunha de M100. Outro carro pequeno é importado pela FAW. Trata-se do hatch Vita, com motor 1.4 16V de 87 cv e igualmente cogitado para vir para o Brasil. O Vita, aliás, lembra -- e muito -- o Fiat Palio de terceira geração.

OS SINO-URUGUAIOS
CheryTiggo
ChanaPick-up
Pick-up Box Térmico
Pick-up Cabina Media
Pick-up Doble Cabina
Furgón
Van Family
EffaIdeal/M100
Aojun D. Cab.
Cargo pick-up
Cargo Doble Cab STD
Cargo Furgón
FAWVita
Pick-Up
Doble Cabina
Box
Furgón
UFOSUV
TongbaoWHW Furgón
WHW Van
Dongfeng (DFM)Pick-up
Furgón
Box Furgón
Foton2 Ton
Great WallDeer
Wingle
WulingVan Furgón
XinkaiDoble Cabina
PolarsunCargo Van
Century
JMCPick-up Doble Cabina
Yunba
As picapes, porém, concentram boa parte das ações das marcas mandarins. A própria Effa, por exemplo, importa as linhas de picapes Aojun. Já a Great Wall vende o modelo Deer com versões gasolina e diesel, de 106 cv e 76 cv. E também traz a Wingle, uma versão mais refinada que conta com motor 2.8 turbo-diesel com sistema de injeção common rail e 94 cv de potência.

A Jiangling atua com uma picape cabine dupla com propulsor diesel 2.8 de 77 cv. Todas têm preços girando entre US$ 15 mil e US$ 30 mil.

Os utilitários voltados para a labuta, porém, são mais atuantes e numerosos. A Effa, por exemplo, vende a linha Cargo, com derivações picape cabine simples, picape cabine dupla e furgão. Vans e furgões não faltam.

A Tongbao vende por lá a linha WHW, composta de um furgão, com capacidade de carga de 600 kg, e uma van para oito passageiros que lembra a falecida Asia Towner, vendida no Brasil nos anos 1990. Ambos usam motor 1.0 de 52 cv e custam, respectivamente, US$ 9.980 e US$ 12.900 - aproximadamente R$ 17.700 e R$ 23 mil. No mesmo estilo e faixa de preço, há a van Yunba, da Jiangling.

Esquisitos
A Dongfeng também ataca com uma esquisita linha de utilitários, que inclui um chassi-cabine com capacidade de 850 kg, e um furgão e uma picape box com caçamba fechada para carga, cada qual com capacidade para 550 kg. O mais curioso nesses modelos é a grade bipartida frontal, que lembra muito a tradicional frente dos modelos da BMW.

Já a Foton é representada no país com um chassi-cabine para duas toneladas, enquanto a Wuling aposta em um furgão com motor mil de 52 cv e capacidade de carga de 550 kg. E a Polarsun também vende um furgão, mas com motor mais potente e maior capacidade: um 2.6 litros turbodiesel e uma tonelada de carga.

As marcas chinesas mais atuantes no mercado uruguaio são mesmo FAW e Chana. A FAW comercializa vários veículos utilitários, como picapes mais proletárias, com derivações box, cabine simples, cabine estendida e furgão. E a Chana importa os mesmos tipos de veículos, e já tem até representante no Brasil, a Districar -- que também distribui os veículos da marca sul-coreana SsangYong. Já são comercializadas por aqui as primeiras unidades dos modelos Cargo, Utility e Family. Agora, para os outros chineses, basta atravessar a fronteira. (por Fernando Miragaya)

Com Tiggo, da Chery, Uruguai volta a ter produção de carros
Numa glamourosa cerimônia em Punta del Este, aproveitando a presença de inúmeras personalidades que desfrutavam as belezas naturais da costa uruguaia, a Chery/Socma apresentou oficialmente o caçula da renascente indústria automotiva do país. Trata-se do Chery Tiggo, um utilitário esportivo de origem chinesa, produzido na planta da Oferol S.A., em Camino Carrasco.
Com a reabertura da fábrica de Oferol recomeça a fabricação de automóveis no Uruguai. E, com ela, chegam os conseqüentes benefícios para a economia local. A empresa Chery Mercosul detém 51% da marca e os 49% restantes pertencem à argentina Socma, de propriedade de Mauricio Macri. A Chery é uma das maiores fabricantes mundiais de automóveis e a líder no mercado chinês.
O investimento inicial que será feito na unidade de Oferol é de US$ 7 milhões. Trabalharam no local grupos de técnicos argentinos e chineses, realizando adaptações para iniciar o processo de montagem. O investimento total está avaliado em US$ 100 milhões. Mas, se em algum momento foi pensada a possibilidade de produzir vários modelos, de concreto, por ora, só há o Tiggo.
Para agilizar a produção, neste primeiro ano será tentada a autorização para alcançar 30% de nacionalização, percentual que geralmente é de 40% -- de acordo com as regras do Mercosul. O Tiggo, que começará a ser vendido em breve, é um utilitário esportivo que, nessa primeira etapa, será produzido em versão com motor 1.6 e tração 4x2. Bem equipado, contará com freios a disco com ABS e EBD, airbag duplo, rádio com leitor de CD e disqueteira para seis discos, ar-condicionado, regulagem de altura da coluna de direção, espelho e vidros elétricos, faróis e assentos da frente com aquecimento.
Com o Tiggo, foca-se o segmento dos adeptos de utilitários esportivos que não querem, ou não podem, investir um valor mais alto nos similares de marcas japonesas. A exportação será direcionada para os mercados do Brasil, Argentina, Venezuela, Chile e Colômbia. O modelo terá garantia de dois anos ou 100 mil km.
(por Luis Piedra-Cueva, da AutoAnuario)

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