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08/02/2008 - 22h11

307 SW Allure é de entrada, mas tem conforto e preço altos

Da Auto Press
Quando lançou a configuração Allure do 307 SW, em agosto de 2007, a Peugeot vislumbrou dias melhores para sua station-wagon média. Afinal, antes dessa versão de entrada, o modelo só contava com um exemplar automático, Féline, que até hoje custa acima de R$ 80 mil.

Com a Allure manual a R$ 71.990, a marca francesa aproximou mais seu produto da realidade das rivais, apostando, ainda, no nível de conforto e na modernidade das linhas da perua. Mas, mesmo assim, o 307 SW continua mais caro que o Toyota Corolla Fielder e que o Renault Mégane Grand Tour, cujos preços começam em respectivos R$ 68.151 e R$ 69.400. Até porque é importada da França (ao contrário das configurações hatch e sedã do 307, feitas na Argentina) e oferece alguns diferenciais.

Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Design e acabamento são apelos do 307 SW já na versão de entrada
MAIS FOTOS DO PEUGEOT 307 SW ALLURE

O 307 SW traz, além de um motor mais potente, seis airbags, enquanto seus rivais diretos apresentam apenas duas bolsas frontais. Isso sem contar o visual impressionante oferecido pelo teto de vidro panorâmico. Mas nada disso tornou a perua da Peugeot um sucesso de vendas. No ano passado, somou 1.401 unidades. Ficou muito atrás da líder Fielder, que acumulou 8.512, e da Grand Tour, com 5.802 unidades.

O modelo da Peugeot só ficou à frente mesmo da agonizante Fiat Marea Weekend, cuja produção foi encerrada por falta de demanda e que só encontrou no ano passado 45 interessados em pagar por ela. Mas o tímido desempenho comercial do 307 SW não corresponde à sua qualidade. Até porque a perua francesa, mesmo em sua versão mais em conta, reúne virtudes como conforto, beleza e um bom recheio de equipamentos.

Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Painel de instrumentos e comandos do 307 SW Allure; carro vem bem equipado
Equipamentos
A configuração Allure da perua média sai de fábrica com itens de segurança como freios com ABS e EBD e seis airbags -- frontais, laterais e de cabeça. Na parte de conforto, previsíveis ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, ajustes de altura e de profundidade do volante e dos bancos dianteiros, travamento automático das portas, alarme, banco bipartido, avisos sonoros de chave na ignição e de faróis acesos, entre outros.

Rádio/CD player com comandos atrás do volante, retrovisores externos com antiembaçante, regulagem elétrica dos faróis e sensores de chuva e de luminosidade completam a lista.

Sob o capô, um motor 2.0 16V que produz 143 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 20 kgfm a 4.000 giros. É o mais potente do segmento, já que o 1.8 da Fielder gera 136 cv e o 2.0 16V da Grand Tour tem 138 cv. A unidade de força trabalha com um câmbio manual de cinco marchas. Estruturalmente, o modelo ainda se destaca pela suspensão independente na frente e atrás. Por fora, também conta com um visual mais ousado que seus concorrentes diretos.

Mesmo com o 308 SW em vias de ser apresentado na Europa, o 307 SW tem linhas bem modernas. O que fica evidente nos faróis angulosos e na entrada de ar frontal que forma uma "boca de tubarão", com os dois faróis de neblina com molduras cromadas, visual igual em todas as configurações do médio da Peugeot. Nas laterais, destaque para as rodas de liga leve aro 15 (aro 16 são opcionais). O visual traseiro é mais comportado, com o amplo vidro, aerofólio com brake-light embutido, lanternas verticais e moldura cromada na tampa do porta-malas.

Charme
Mas o charme do 307 SW é melhor traduzido no teto panorâmico fixo de vidro, que se estende da coluna dianteira até quase o limite da coluna de trás. Uma cortina com acionamento elétrico possibilita tapar o vidro. E a perua ainda poderia ter mais um interessante diferencial em relação aos concorrentes no merecado brasileiro.

O modelo foi concebido para receber dois assentos extras no que seria a terceira fileira -- há até pontos de fixação e cintos de segurança para os dois bancos que deveriam estar no porta-malas. Só que a Peugeot não homologou no Brasil o 307 SW para sete passageiros. E abriu mão de um atributo que, num mercado tão disputado, poderia contar pontos importantes para seu requintado station-wagon. (por Fernando Miragaya)

IMPRESSÕES AO DIRIGIR: 307 SW ALLURE
O que mais chama a atenção ao entrar no 307 SW Allure é, além do amplo teto panorâmico, o conforto e a conveniência que a station-wagon da Peugeot oferece. O banco parece acomodar o motorista, o acabamento interno aparenta qualidade, o teto de vidro aumenta a luminosidade e a sensação do bom espaço existente e a ergonomia eficiente deixam qualquer um bem à vontade. Ao se virar a chave, a sensação melhora mais ainda graças ao silencioso motor de 143 cv.
A unidade de força, porém, é condizente com a proposta familiar do 307 SW. Nada de arrancadas brutais e arroubos de velocidade máxima. Até porque a 1,4 tonelada de peso em ordem de marcha da perua interfere no desempenho. As arrancadas são comportadas, e foram necessários 12,3 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h. As retomadas, porém, são mais sensíveis. Principalmente que o motor só deslancha mesmo acima dos 4.000 giros, quando os 20 kgfm de torque máximo estão disponíveis.
Esse conjunto compromete um pouco o comportamento do modelo nas retomadas. É preciso atenção e paciência na hora das ultrapassagens até o modelo "acordar". De 60 km/h a 100 km/h foram necessários longos 8 segundos, com a quarta marcha engrenada. Nas subidas também é preciso um pouco de paciência. O Peugeot parece perder força em marchas altas e sobrar em peso. Mas, no mesmo trecho de serra, é possível esquecer a morosidade do propulsor e evidenciar a ótima estabilidade da station.
Ao entrar forte nas curvas o modelo não aderna nem um pouco, e fica na mão do motorista a todo momento. Além disso, o carro pouco torce ou inclina, apesar da altura de 1,54 m. Palmas para a boa rigidez torcional do modelo, algo que a montadora francesa teve de caprichar mesmo para poder sustentar um vidro fixo em quase todo o teto. A suspensão independente bem calibrada com barras estabilizadoras também tem sua cota de contribuição no bom comportamento do modelo.
Nas frenagens abruptas, ABS e EBD ajudam a manter o veículo na trajetória. A estabilidade só é comprometida mesmo em altas velocidades. Uma discreta sensação de flutuação da carroceria surge aos 180 km/h -- ou seja, próximo da máxima de 190 km/h conseguida em reta plana. Na hora de abastecer, até que o modelo não é de pregar sustos. Com uso 2/3 na cidade e o restante na estrada, o modelo avaliado fez a média de 9,1 km/l.

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