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25/01/2008 - 20h46

Novo Ka tenta encontrar sua razão de existir

Da Auto Press
A partir desta semana, quando chega às revendas, o Ka terá um desafio especial em sua história. Lançado no Brasil em abril de 1997, o compacto da Ford tentará justificar com números e rentabilidade a sua permanência na linha de produção da veterana e ociosa fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Sem grandes vendagens desde que chegou ao país, o Ka somou 29.319 unidades comercializadas em 2007, média mensal de 2.443 emplacamentos. Nos últimos 12 meses, foram emplacados no país quase 2 milhões de automóveis de passeio, que deixaram o velho Ka com pífios 1,48% de participação o mercado nacional.

O alvo declarado do novo Ka é o Chevrolet Celta, compacto da eterna rival norte-americana General Motors. Ele somou 126.252 unidades comercializadas, aproximadamente 10.500 mensais -- ou 6,38 % das vendas do mercado interno de automóveis de passeio. Na comparação direta de vendas, o Celta vendeu expressivos 330% a mais que o Ka. É essa distância brutal que a Ford que reduzir com a reformulação do modelo.

FICHA TÉCNICA
Motor: A gasolina ou álcool, 999 cm³, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, comando simples no cabeçote, balancins roletados e duas válvulas por cilindro. Injeção de combustível multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Embreagem com acionamento hidráulico e tração dianteira.
Potência: 70 cv com gasolina e 73 cv com álcool a 6.000 rpm.
Torque: 9,0 kgfm com gasolina e 9,4 kgfm com álcool a 4.750 rpm.
Diâmetro e curso: 68,7 mm x 64,7 mm. Taxa de compressão de 12,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços inferiores, amortecedores pressurizados e molas helicoidais. Traseira semi-independente com eixos auto-estabilizantes twist beam, amortecedores pressurizados e molas helicoidais.
Freios: Hidráulico a disco sólido na dianteira e a tambor na traseira. ABS não disponível.
Carroceria: Hatchback em monobloco com duas portas e cinco lugares. Comprimento de 3,84 metros, com 1,64 metro de largura e 1,42 metro de altura. Entre-eixos de 2,45 metros.
Peso: 905 kg, com 465 kg de capacidade de carga.
Porta-malas: 263 litros.
Tanque: 45 litros.
Ford Ka 1.0 Flex
Ao mesmo tempo em que expressa planos até ambiciosos, a centenária montadora americana não parece estar disposta a jogar alto. Seus investimentos nas operações do Brasil têm sido, de hábito, comedidos. Com o Ka não foi diferente. Mudou-se bastante sem mudar demais. A Ford buscou eliminar as principais deficiências do seu hatch pequeno para tentar fazer as vendas, enfim, deslancharem.

Cresceu
Com motor flex e um novo desenho que o deixou 20 cm mais comprido e com teto mais elevado na traseira, o Ka é praticamente um novo carro. Mas preserva a mesma estrutura em monobloco da versão anterior -- herdada da segunda geração do Fiesta, de 1996.

Neste aspecto, o efeito real e imediato é que o modelo da Ford deixa de ser subcompacto e passa a brigar mais com as versões duas portas dos chamados "hatchs compactos de entrada": Volkswagen Gol, Fiat Palio e Uno e Chevrolet Celta. E conta com bons elementos para apimentar essa disputa.

Um deles é o porta-malas, que saltou de ínfimos 186 litros para razoáveis 263 litros -- estratégicos três litros acima dos 260 litros do bagageiro do Celta, agora rebaixado a menor do segmento.

Já o novo design é bem mais simpático que o do antigo modelo, além de estar mais atual. Deixa o decano estilo New Edge, com traços repletos de curvas e arestas, e adere ao visual Kinetic (cinético, com impressão de movimento), que inspira os mais recentes carros da Ford.

Entre os destaques, a lanterna traseira invade as laterais, a nova distribuição das massas deixa o capô mais vistoso, e os pára-lamas bojudos dão robustez ao pequeno Ka, com as laterais musculosas.

Propulsores
O compacto também está melhor sob o capô, tanto na versão 1.0 quanto na equipada com motor 1.6 (as mesmas litragens de antes). Só que, agora, o Ford Ka está finalmente na onda dos motores flex. O modelo antigo era o único automóvel fabricado no Brasil que ainda não dispunha de motor bicombustível.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
O Ka aparenta uma certa simplicidade dinâmica que, na realidade, é seu grande trunfo. Mesmo após a modificação na estrutura, com o aumento de 20 cm no comprimento e a redistribuição das massas dos dois volumes, o compacto da Ford continua exibindo disposição para realizar manobras.
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Na versão básica 1.0, são 70 cv de potência com gasolina e 73 cv com álcool a 6.000 rpm e 9,0/9,4 kgfm de torque máximo aos 4.750 giros, respectivamente. Já na versão 1.6 litro, o motor produz 102 cv e 110 cv de potência, na mesma ordem, além de 15,0 e 15,8 kgfm de torque.

E como o preço no Brasil é determinante para a boa vendagem de um automóvel, especialmente nesse segmento, a Ford preocupou-se em manter o custo do Ka bem competitivo. A versão de entrada parte de R$ 25.190, estudados R$ 390 abaixo dos R$ 25.580 do Celta mais barato, a versão Life 1.0 de duas portas. Mas o Ka chega a R$ 36.390 na configuração top 1.6 litro com duplo airbag frontal, que existe mais para servir como protagonista das peças publicitárias do novo modelo do que para vender muitas unidades.

Se a responsabilidade das vendas está mesmo é com o Ka 1.0, o luxo interno não é uma de suas armas. O pacote básico traz apenas travas elétricas e alarme. Com ar-condicionado, direção, vidros, além de alguns recursos, como ajuste manual dos espelhos retrovisores, o preço do modelo básico sobe para pouco mais de R$ 30 mil.

Foi a maneira que a Ford encontrou de não conflitar as vendas do Ka com as do hatch compacto Fiesta, que tem preços entre R$ 30.945, na versão 1.0, e R$ 35.370, na 1.6. (por Diogo de Oliveira)

DE ZERO SA 100, O KA 1.0 FLEX
Desempenho - Dizer que a performance do motor 1.0 no Ka melhorou bem é um certo exagero. Mas é notável o bom vigor que o modelo equipado com a unidade de força RoCam demonstra no dia-a-dia, incomum nos modelos 1.0. Os 71 cv de potência com gasolina e os 73 cv com álcool são suficientes para se locomover com agilidade nas grandes metrópoles, principalmente por que se trata de um carro com apenas 905 kg. O novo Ka tem boas respostas ao pedal do acelerador, com zero a 100 km/h em aceitáveis 15,4 segundos. Entre 3.000 e 4.000 giros, nota-se um momento em que a máquina perde parte do fôlego. Mas, após os 4 mil rpm a aceleração volta a progredir de forma constante. Além disso, o Ka, assim como na geração anterior, demonstrou firmeza em retas e durante frenagens, sem sinais de instabilidade ou ameaça de desgrudar do asfalto. Nota 8
Estabilidade - A Ford realizou excelente trabalho na transformação do Ka por pelo menos um motivo. A montadora conseguiu esticar o carro sem que ele perdesse um de seus maiores atributos, que é exatamente seu ótimo comportamento dinâmico. A Ford aumentou a rigidez torcional do Ka, que se nota na sintonia entre a direção e rodas e na estabilidade em curvas, mesmo quando se abusa da velocidade. Nas retas, a sensação de flutuação só surge próxima da máxima de 165 km/h. Nota 9
Interatividade - Na versão 1.0, o Ka não dispõe de muitos equipamentos hi-tech. Ao contrário, é um carro de entrada, bem básico. Dessa forma, com poucos instrumentos a bordo, a interatividade que se tem é basicamente entre motorista e veículo, a qual não é nada ruim. O Ka tem ótimo comportamento dinâmico e, nesse aspecto, é um dos mais interessantes compactos de entrada do mercado brasileiro. Aqui, vale destaque para a ergonomia mais ereta, a boa visibilidade dos espelhos laterais e, finalmente, à disposição dos comandos no painel, com o console central em posição mais avançada. Nota 7
Consumo - O Ford Ka com motor 1.0 fez a boa média de 8,1 km/l com álcool em um trajeto misto de 2/3 de cidade e 1/3 de estrada. Num mercado de carros flex normalmente beberrões, um consumo até elogiável. Nota 7
Conforto - A transformação realizada pela Ford fez bem ao Ka. Diferentemente do modelo antigo, o compacto recém-lançado melhorou a vida de quem vai acomodado no banco de trás. Os 20 centímetros ganhos pela carroceria deixaram o convívio no Ka mais agradável. A elevação da altura do teto atrás também foi fundamental nesse sentido. Mas ainda não é recomendável viajarem três adultos no banco traseiro - até porque só há dois apoios de cabeça. Outro aspecto a ser melhorado no novo Ka é a suspensão mais rígida, que não chega a comprometer o conforto com constantes vibrações, mas por vezes se mostra hostil demais com os passageiros. Nota 7
Tecnologia - Apesar das melhorias que recebeu na plataforma, como o aumento da rigidez torcional, o Ka continua sobre o antigo monobloco da segunda geração do Fiesta, lançada no Brasil em 1996. A única mudança realmente relevante é a adoção do motor flex, já além do tempo. Na verdade, as mudanças feitas no hatch foram basicamente estéticas. Tanto que, na parte de segurança, só há opção de bolsas infláveis frontais na versão top, que custa exatos R$ 36.390. Já freios com ABS não aparecem nem como opcionais. Nota 6
Habitabilidade - Sem dúvida a Ford privilegiou o convívio interno na reformulação do Ka. Os espaços dos bancos dianteiros continuam generosos - como já eram no modelo antigo. Além do espaço maior no banco traseiro, o compacto de entrada ganhou mais porta-trecos e o porta-luvas agora tem tampa. Já a iluminação interna não evoluiu e permanece deficiente. Nota 7
Acabamento - Se comparado ao Ka antigo, o interior do novo sofreu um certo retrocesso em relação ao estilo, que está menos ousado. Mas ganhou alguma praticidade, com comandos bem dispostos e boa ergonomia. Os materiais usados nos revestimentos têm aparência mais simples que os do modelo anterior, embora não sejam desagradáveis aos olhos e ao toque. Nota 6
Design - De todos os quesitos, o desenho do novo Ka foi o que sofreu o maior golpe, mas também o que representou um dos grandes acertos. Foi-se o marcante estilo New Edge para a chegada da "genética" atual da Ford, batizada de Kinetic. O resultado é que o modelo ainda continua a ser cheio de personalidade, com traços marcantes, como as lanternas traseiras que invadem as laterais e os pára-lamas musculosos. Ganhou uma interessante pitada de modernidade. Nota 8
Custo/benefício - Apesar de ter encarecido R$ 3.000 em relação ao preço da versão anterior, o novo Ka está em pé de igualdade com os concorrentes. Começa em R$ 25.190 com travas elétricas e alarme e, com ar, direção e vidros, chega a quase R$ 31 mil - valor equivalente ao pedido nos rivais. Em compensação, tem excelente comportamento dinâmico e desenho bem mais moderno. Nota 7
Total - O novo Ka totalizou 72 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,2

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