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24/01/2008 - 15h55

Tiida empurra a Nissan, mas câmbio automático é limitado

Da Auto Press
A conclusão era óbvia: para crescer no mercado brasileiro, é preciso ter carros de passeio. Foi por isso que a Nissan decidiu trazer primeiro o sedã Sentra, e logo depois o hatch Tiida. O resultado é que a marca simplesmente dobrou suas vendas no país, ao saltar de 5.733 unidades emplacadas em 2006 para 11.883 unidades no ano passado.

É verdade que este volume representa uma fatia minúscula do mercado brasileiro, menos de 0,5%. Mas é, sem dúvida, uma forma eficiente de preparar o terreno para o modelo compacto, que a Nissan pretende produzir na unidade da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná.

A importação do hatch médio produzido no México soma, portanto, mais que as 1.490 unidades em cinco meses, média mensal de 298 emplacamentos. O modelo reforça a imagem da marca como produtora de carros de passeio. Em volume, a venda de carros da marca superou em 1.743 unidades a de veículos 4x4 (picapes e utilitários esportivos), onde a montadora tradicionalmente concentrava seus principais produtos.
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

O design diferenciado é uma das compensações do Tiida pelo motor somente a gasolina e a rede de concessionárias ainda muito limitada


Exatamente por essa falta de tradição em modelos de passeio no mercado brasileiro, nem a Nissan esperava vendas muito maiores. Além disso, o Tiida compete num segmento difícil, onde estão Chevrolet Astra, Chevrolet Vectra GT, Ford Focus, Fiat Stilo, Volkswagen Golf e Peugeot 307. O médio da Nissan é importado nas versão básica S e na topo de linha SL.

Ambas trazem sob o capô o bom motor 1.8 litro a gasolina, com 124 cv de potência e 17,5 kgfm de torque, e podem ser gerenciadas por câmbio automático de quatro marchas ou manual de seis. Em qualquer dos casos, o preço o deixa próximo aos rivais: parte de R$ 52.115 e progride até R$ 68.710.

Nessa briga, o Tiida tem pelo menos duas desvantagens: uma é não oferecer motor flex, e outra é ter uma rede com apenas 65 concessionárias no país. Mas há também alguns detalhes a seu favor, como o fato de ter um projeto mais moderno. Isso fica bem evidente no desenho, com um estilo peculiar. As linhas são arrojadas, com volumes sobrepostos como se fossem camadas. Os conjuntos ópticos dianteiros e traseiros também são bem valorizados.

O modelo da Nissan utiliza a mesma plataforma B0 aplicada ao Logan e ao hatch Sandero, produzidos no Brasil pela Renault, empresa do mesmo grupo. Apesar de ter uma estrutura moderna, o entreeixos de 2,60 metros não é dos maiores. Mas a altura de 1,54 m, conjugada com o comprimento de 4,29 m, resulta num espaço interno bem generoso.

A lista de equipamentos também é completinha, mesmo na versão de entrada 1.8 S. Estão lá ar-condicionado, direção, vidros e travas, rádio/CD, direção eletro-hidráulica e airbag para o motorista. Na versão topo de linha SL, bancos e volante são revestidos de couro, o ar é digital e a lista inclui faróis de neblina, teto solar elétrico, airbag frontal duplo e freios com ABS, EBD e BAS.

Impressões ao dirigir
O Tiida é um hatch bem equilibrado. Acelera bem, com respostas rápidas ao pedal do acelerador, agrada visualmente e é confortável e espaçoso por dentro. A suspensão também segue a lógica do equilíbrio: não é mole nem dura. Por isso, a carroceria chega a torcer um pouco nas curvas mais fechadas, mas o carro mantém uma boa aderência ao solo.

Já o câmbio automático de quatro marchas não causa a melhor das impressões: é antigo, com poucas velocidades, e apresenta delays nas trocas. E nas acelerações intensas, dá trancos desagradáveis.

De todos os aspectos do Tiida, o mais marcante é o conforto. Espaço interno amplo, boa ergonomia e uma localização de comandos lógica. Outro destaque é a direção eletro-hidráulica progressiva, que é precisa em velocidades mais altas e suave nas manobras.

Por outro lado, o modelo não é generoso em relação aos itens de segurança. Ainda mais para uma versão topo de linha com a SL. Traz apenas dois airbags frontais e os freios com ABS, EBD e BAS. Ou seja, o mínimo necessário. (Diogo de Oliveira)

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