UOL Carros
 
23/01/2008 - 14h56

Fiat lança seu câmbio automatizado com Stilo

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
O carro não tem grandes novidades: sofreu uma plástica leve na grade frontal e no capô, mudou a disposição das luzes traseiras e ganhou alerta de direção nos retrovisores -- além dos frisos cromados que a Fiat já usara para tornar o Siena mais chique. Mas o Stilo modelo 2008 tem uma atração que prescinde do design: o câmbio automatizado Dualogic, que usa a tecnologia Free Choice da Magneti Marelli (empresa subsidiária do grupo italiano).

Trata-se de um câmbio manual dotado de um sistema eletrônico capaz de acionar a embreagem e mudar as marchas sem interferência do motorista, que pode optar pelas trocas convencionais ou automáticas. O Dualogic acrescenta R$ 2.490 ao preço do Stilo manual.
Divulgação

Fiat Stilo Sporting durante test-drive em Interlagos; destaque do carro, que manteve design quase igual, é a transmissão automatizada
MAIS FOTOS DO STILO 2008


O hatch médio, cuja sobrevida é objeto de discussão (há quem aposte que não passa de 2009, embora a Fiat não comente o assunto), foi o escolhido para introduzir o sistema no mercado brasileiro -- mas outros carros da marca devem oferecer o equipamento ainda este ano (veja no quadro abaixo). A General Motors empregou a mesma estratégia ao usar o Meriva para lançar seu câmbio Easytronic, semelhante ao Dualogic.

Não há muito o que falar sobre o Stilo 2008. O carro não mudou quase nada. Continua vindo bem equipado de fábrica nas cinco versões (Flex, Flex Dualogic, Sporting, Sporting Dualogic e a esportiva Abarth) e oferece uma ampla gama de opcionais de segurança e conforto. O design continua tão defasado quanto o do Volkswagen Golf, seu maior concorrente -- e nem por isso deixa de ser um carro com admiradores fiéis.

PREÇOS E FICHAS (em .pdf)
Flex 1.8 - R$ 51.270
Flex 1.8 Dualogic - R$ 53.760
Sporting 1.8 - R$ 59.440
Sporting Dualogic - R$ 61.930
Abarth 2.4 - R$ 90.200
STILO FLEX DUALOGIC
STILO SPORTING DUALOGIC
STILO ABARTH
O que interessa, aqui, é o câmbio. Vamos a ele.

O UOL Carros experimentou o Stilo Flex Dualogic no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (23). Houve chance de exigir muito do trem de força do carro, experimentando algumas reduções e esticadas de marcha que normalmente não são possíveis no trânsito normal da cidade ou estrada.

A primeira constatação sobre o câmbio Dualogic: sua operação é muito simples, em ambos os modos.

Para ligar o carro, a alavanca deve estar na posição N e o pé pressionando o freio. Com o motor em funcionamento, a alavanca deve ir para o centro de seu curso. Opta-se, então, pelo troca manual ou automatizada, deslocando-a à esquerda e retornando-a.

Divulgação

Detalhe do câmbio Dualogic;
painel informa sobre marchas
No modo manual, as marchas podem ser avançadas com um toque na alavanca para baixo; para reduzir, o empurrão é para cima. Tudo muito suave. E o motorista pode esquecer que tem perna esquerda: a embreagem é sempre controlada eletronicamente. Não há pedal. Tudo se resolve com o pé no acelerador e freio.

Nos carros equipados com shift paddle (borboletas atrás do volante), o motorista usa a mão esquerda para reduzir e a direita para avançar as marchas. As borboletas (na verdade, duas discretas abas) giram junto com o volante. O uso equipamento -- que custa R$ 670 -- pode ser alternado com a troca na alavanca.

Relaxe
No modo automatizado, basta pisar no acelerador (ou no freio) que o sistema faz todo o serviço para o motorista. Não se notam muitos trancos e atrasos nas trocas -- às vezes, claro, a marcha é trocada num ponto que talvez não fosse o desejado pelo motorista. Mas a dica é relaxar. Deixe o câmbio trabalhar para você. Mesmo assim, é possível "impor" uma marcha ao modo automático.

Um aspecto importante do câmbio Dualogic é o alerta que ele emite quando o motorista se equivoca nas marchas. Por exemplo, ao tentar engatar uma segunda numa velocidade que pede terceira ou quarta, surge um sinal sonoro, enquanto o câmbio simplesmente se nega a fazer o que o condutor pediu.

Isso pode render alguns sustos, levando o motorista a olhar o painel para ver o que está ocorrendo (os modos, as marchas e os alertas em texto são mostrados no computador de bordo). E o correto é não fazer nada, já que o alerta significa que a marcha em que o carro está é a "certa" -- a troca é que estaria errada. Para completar, a ré não entra com o carro em movimento.

DUALOGIC NOS OUTROS
Outros modelos da Fiat, além do hatch médio Stilo, vão receber o novo câmbio da Fiat. Basta esperar mais alguns meses para optar por um Linea Dualogic, sedã médio que chega até julho, ou pelo quase certo Punto Dualogic, que virá talvez ainda este ano. Mesmo carros como Palio, Palio Weekend, Siena e Idea (todos com versões dotadas de motor 1.8 litro igual ao do Stilo) são candidatos a receber o sistema. Serão opções mais em conta para desfrutar do câmbio Dualogic -- que, espera-se, continuará custando cerca de R$ 2.500.
STILO NO INTERPRESS
STILO NO iCARROS
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STILO NO BEST CARS
TABELA FIPE
Com o acionamento da tecla Sport, as trocas são solicitadas mais cedo no modo manual, e no automatizado o carro "estica" mais cada velocidade. Pelo menos no test-drive, a diferença em relação à condução normal foi muito sutil.

Outras funções interessantes são a "auto down", que reduz as marchas à medida que as rotações do motor chegam no patamar mínimo de cada velocidade (situação típica: ao aproximar-se de um farol), e a "kickdown", que busca uma marcha mais forte quando o pé vai ao fundo do acelerador, pedindo uma resposta que a marcha atual já não pode dar (situação típica: subida iniciada em 5ª).

Pisando fundo
Na pista de Interlagos, exigido sem nenhuma compaixão, o Stilo mostrou-se rápido, estável e muito "na mão" do motorista. O ronco do motor 1.8 ao passar de 5.000 giros é alto, mas isso faz parte da brincadeira. O consumo foi excessivo: abastecido com gasolina, fez 5 km/l, de acordo com o computador de bordo. Mas é bom notar que o Stilo estava sendo "pilotado", e não "guiado" como se faz no trânsito. Em condições normais, a Fiat promete consumo médio de 12 km/l (8,2 km/l com álcool) na cidade e 16,3 km/l (11,2 km/l com álcool) na estrada.

A conclusão óbvia é que o câmbio Dualogic é um tremendo ganho no conforto ao dirigir, pois poupa esforço do motorista, como já acontece com as transmissões automáticas comuns -- mas sem tirar a possibilidade de ele sentir o prazer de ter o carro sob seu comando (por mais idiossincrático que este possa ser), fazendo trocas manuais. E com a vantagem de continuar sem "gastar" uma das pernas.

Em suma: pelo preço aproximado de um equipamento comum (o kit de direção hidráulica, trio elétrico e rodas para o Siena custa os mesmos R$ 2.490), adquire-se uma tecnologia que realmente vai fazer diferença na hora de dirigir.

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