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17/01/2008 - 15h28

Impressões ao dirigir: Peugeot 307 CC convida a acelerar

Da Auto Press
O visual instigante estimula o condutor a abusar um pouco do 307 Coupé-Cabriolet. Apesar de não ter uma proposta esportiva, o modelo agrada na hora de acelerar. Equipado com transmissão automática de quatro velocidades Tiptronic, o motor de 138 cv desenvolve bem e oferece uma performance interessante. Foram 12,7 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h. Apesar de ter apenas quatro marchas, o 307 não apresenta aqueles indesejáveis buracos típicos dos câmbios automáticos de poucas velocidades.

Por ter um acerto mais suave, os trancos entre uma velocidade e outra são sutis. Nas subidas, o modelo também trabalha bem e não fica indeciso sobre qual marcha colocar. Na hora das ultrapassagens, nada de sustos. Basta pisar no acelerador que o motor responde bem, principalmente quando trabalha acima dos 4.100 giros, quando os 19 kgfm do torque estão disponíveis. São necessários 7,9 segundos em "drive" e 7,5 segundos em terceira para fazer de 60 km/h a 100 km/h.
Pedro Paulo Figueiredo / Carta Z Notícias
Estabilidade, conforto e tecnologia são os destaques do 307 CC
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A posição mais baixa de conduzir e o controle total sobre o carro estimulam a pisar mais fundo. Até porque o modelo apresenta um excelente comportamento dinâmico. Nas curvas mais fechadas e mesmo abusando da velocidade, o modelo não faz qualquer menção de sair de frente, muito auxiliado pelo controle de estabilidade. Mas mesmo com o ESP desativado - através de um botão no painel -, o 307 CC não assusta nas curvas. Nas retas, o modelo continua firme. Até na velocidade na máxima de 200 km/h a comunicação entre roda e volante é preservada e não há qualquer sensação de flutuação.

Só que, mais do que correr muito, o divertido mesmo é desfilar com a capota aberta. Mesmo assim, o comportamento do modelo continua convincente. O zero a 100 km/h é feito em 13 segundos e a velocidade final cai para 195 km/h. O único incômodo é o excesso de vento. Os bancos rebaixados em 4 cm protegem os passageiros, principalmente os da frente, somente em velocidades mais civilizadas, abaixo de 100 km/h. A partir daí, desarruma as madeixas sem perdão. O banco traseiro é indicado apenas para crianças e há pouco espaço para as cabeças com a capota fechada.

Mesmo assim, a vida a bordo é facilitada pela ergonomia eficiente e pela boa posição de dirigir. Na hora de manobrar, o vidro diminuto e as largas colunas traseiras dificultam a visibilidade, mas são compensadas pelo sensor de obstáculos com monitoramento visual pelo display do computador de bordo. Na hora de abastecer, o modelo se mostrou beberrão, para quem consome apenas gasolina. A média foi de 7,6 km/l com uso de 2/3 na cidade e 1/3 na estrada.

EM DEZ PONTOS, O PEUGEOT 307 CC 16V
Desempenho Por ter quatro velocidades, o câmbio Tiptronic não chega a tirar tudo que o motor 2.0 16V de 138 cv pode dar. Mesmo assim, o 307 CC exerce bem suas funções. As arrancadas são eficientes e as passagens de marcha são bem suaves. O zero a 100 km/h foi obtido em 12,7 segundos com a capota fechada, e em 13 cravados com ela aberta. A máxima fica, respectivamente, em 200 km/h e 195 km/h. Em ambas as configurações, o 307 perde agilidade a partir dos 150 km/h. O desempenho supera a vocação natural do CC, que é promover passeios aprazíveis. 8
Estabilidade A eficiência neste quesito se deve à dois aspectos: engenharia e eletrônica. Suspensão independente com barras estabilizadoras, altura 9 cm menor e reforços estruturais garantem uma performance exemplar ao 307 CC nas curvas. O modelo encara trechos sinuosos como se estivesse grudado no chão. A carroceria torce o mínimo e não há ameaça de soltar a frente. É bom lembrar que o cupê-conversível tem controles de estabilidade e de tração. Ele é também neutro em retas e mesmo em velocidades próximas à máxima, de 200 km/h, não há qualquer sensação de flutuação. Nas freadas bruscas, ABS e EBD mantém o carro equilibrado e na trajetória. 9
Interatividade O painel e o display do computador de bordo possuem boa visualização e leitura. As regulagens de altura e de profundidade do banco e da coluna de direção ajudam a encontrar a posição ideal de dirigir. Os comandos ao alcance das mãos eximem o condutor de se deslocar demais para ativar os dispositivos. Sem falar que há sensores que acionam os faróis e os limpadores. A visibilidade lateral é boa, graças à ausência de coluna central. As largas colunas traseiras e o vidro diminuto, quase uma escotilha, dificultariam na hora de estacionar se o CC não oferecesse sensor de obstáculos. 8
Consumo Com uso de 2/3 na cidade, o modelo avaliado fez a média de 7,6 km/l. 6
Conforto É um típico 2+2 e por isso não se pode esperar espaço interno generoso. O vão para as pernas dos ocupantes da frente é razoável, mas quem vai atrás não tem a mesma sorte. Só mesmo ocupantes de menor estatura, de até 1,50 m, conseguem ter conforto no assento traseiro - até porque o espaço para cabeça é limitado, devido à curvatura do teto quando fechado. Já a suspensão, muito firme para as ruas esburacadas brasileiras, poderia receber uma melhor calibração. Os solavancos replicados das irregularidades da pista são incômodos. Em compensação, o isolamento acústico é eficiente. Mesmo em velocidades altas, não há invasão de barulho do motor, de ruídos aerodinâmicos ou de rodagem. Com a capota aberta, o banco rebaixado em 4 cm minimiza o inevitável alvoroço nas madeixas dos ocupantes. 7
Tecnologia A plataforma da linha 307 é de 2001 e já dá lugar a uma nova geração lá fora. Mesmo assim, o CC não deixa transparecer a idade e se mantém moderno. Nesta versão, há diferenças como capô em alumínio, reforços estruturais e dispositivo anticapotamento, além de itens de segurança normais, como airbags, ABS, controles de estabilidade e de tração. Há modernidades como sensor de obstáculos, lanternas em leds e câmbio Tiptronic - que poderia ter seis, em vez de apenas quatro marchas.8
HabitabilidadeNão é um carro para se levar a casa dentro. O porta-malas comporta até 417 litros, mas se a capota estiver recolhida, sobram apenas 232. Os acessos também não são fáceis. As portas são pesadas e os bancos baixos dificultam a entrada no carro. A quantidade de porta-objetos é razoável7
Acabamento A Peugeot sempre primou pela boa qualidade e bom gosto no revestimento. O 307 CC é ainda mais caprichado. Os materiais agradam aos olhos e ao toque. Além disso, vários detalhes no interior comprovam o cuidado, como os cromados na manopla do câmbio, do freio de mão, maçanetas, nas molduras dos instrumentos e nas pedaleiras. Tudo isso empresta um ar de requinte, assim como o painel frontal, das portas e os bancos revestidos em couro. Com a capota fechada, a boa vedação dos vidros impede ruídos de peças frouxas. Não há rebarbas e os encaixes são precisos. 9
DesignO 307 comum, o hatch, já é um modelo bonito, principalmente pelas linhas dianteiras. A silhueta angulosa e o pára-brisa mais inclinado do CC, além do visual traseiro com lanternas em leds, emprestaram ainda mais esportividade e modernidade ao cupê-conversível. Ele chama a atenção por onde quer que se passe.9
Custo/benefícioO 307 CC não tem concorrentes diretos até a chegada do Renault Mégane CC, prevista para este início de ano. A maioria dos conversíveis são de marcas premium cujos preços ultrapassam R$ 200 mil. A exceção é o Chrysler PT Cruiser Cabrio, que fica em R$ 94.900. Por R$ 146 mil o 307 CC tem bons itens de conforto e de segurança. Mas o principal apelo é mesmo o status e o charme, fornecidos pelo design diferenciado e incomum nas ruas brasileiras.6
Total/média O 307 CC somou 77 pontos em 100. 7,7
QuesitoComentárioNota


(por Fernando Miragaya)

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